Review #21 – Holy Avenger

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Bom dia de sábado amigos leitores, vocês não leram errado, teremos uma review hoje, algo que não é normal para os sábados. Porém, entretanto e todavia, essa série foi muito pedida quando eu comprei o primeiro volume e como eu já terminei de ler, decidi fazer a resenha o quanto antes (e acho que vai sair um post longo).

Levei quase 15 anos, mas enfim tenho toda Holy na minha coleção.

Se você não conhece Holy, largue tudo que estiver fazendo e vá procurar o link para leitura, pois essa é uma obra prima, não só do cenário nacional, mas no cenário dos quadrinhos em geral. A obra ganhou por duas vezes o HQ Mix como melhor revista seriada e em 2007 ficou em sexto no Prêmio Internacional de Mangá.
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A obra de Marcelo Cassaro e Érica Awano já teve 4 publicações ao todo:
* a primeira em 2000 foi publicada pela Editora Trama e teve ao todo 40 edições (fora mais 8 extras);
* em 2003 a editora, já com o nome de Talismã, relançou a série com o nome de Holy Avenger VR (minha primeira HA) e que compilava 2 volumes em 1, porém após a saída de Cassaro da editora, a edição VR foi cancelada em seu 9º volume (referente ao 18 da original);
* em 2005, já pela Editora Mythos, Holy ganhou sua terceira publicação, agora chamada Holy Avenger Reloaded (que eu colecionei também) e que também reunia 2 volumes originais em 1. Essa revista era quinzenal, mas só foi publicada até seu volume 10 (20 na original).
* por fim, mas não menos importante, em 2012 a Jambô (editora, não loja) anunciou a publicação de Holy Avenger – Edição Definitiva, uma edição caprichada, com capa dura, anual e que compilava 10 volumes em 1.

A série narra a aventura de Lisandra, Sandro, Niele e Tork em busca dos sagrados Rubis da Virtude, estranhas gemas que contem o poder dos 20 deuses e que podem ressuscitar o maior herói do mundo. A história é baseada no RPG (também criado por Cassaro, junto com Trevisan e Saladino) Tormenta.

O cenário de Holy Avenger é rico e gira em um mundo muito (mas põe muito) grande e explorável. Quem já jogou RPG, principalmente o Tormenta sabe que é um universo onde tudo é possível e as opções são as mais variadas. Eu sou suspeito para falar de Arton, é meu jogo favorito, já mestrei, já fui jogador e o primeiro livro que escrevi foi uma aventura em Tormenta. Então eu gosto demais de lugar e dessa ambientação.HOLY_AVENGER__EDICAO_DEFINITIVA_VOL_2_1379984711B

Um ponto muito interessante em HA é o alto número de personagens e tramas. A série parece grande se pensarmos que são 40 volumes, mas cada volume tinha em média 20 à 30 páginas, então a obra inteira não chega nem na casa das 1000 páginas, o que é relativamente pouco se analisar que isso é 5 volumes de um mangá normal.

Porém, mesmo assim a história explora ao máximo diversas mudanças e experiências, pois ela tem um foco desde o inicio, e mesmo que mostrando diversos pontos de vista, o foco continua sempre o mesmo. Por cima, acho que é possível separarmos a históra em no minimo uns 10 mini-arcos bem montados e bem concluídos, óbvio que algumas tramas ficam mal esclarecidas (o que aconteceu com Deenar?), mas na grande parte tudo se explica e se resolve dentro dessas poucas páginas.

Os personagens são extremamente cativantes, desde os 4 protagonistas, até os personagens secundário (que são muitos) e principalmente os vilões. Sério, até os vilões são incríveis, é impossível não admirar Mestre Arsenal, ou aplaudir o plano de Sszzaas (oh nomezinho). Nos protagonistas, como não amar Tork e Niele (sem pensamentos impuros), o primeiro por ser o típico personagem foda e sincero, a segunda por sua carisma (ela deve ter rolado um 20 nesse atributo).
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A trama é séria, o final é bem tenso, porém o decorrer da leitura é muito boa, tem piadas bem boladas e inteligentes, várias referências a animes e mangás famosos (Niele está sempre cantando alguma abertura de anime) e isso é algo que descontrai o leitor, principalmente quando ele entende a piada. O traço da Érica Awano é fantástico, e dá uma riqueza única a Holy Avenger.

Porém tem os lados negativos, principalmente na qualidade física da edição. Essa minha resenha é sobre a Edição Definitiva, e aqui vou ser bem rigoroso, “ah, porque você vai ser rigoso Haag?”, simples, essa não é uma “edição de luxo” nem uma “edição especial”, a Jambo deixou bem claro que essa é uma edição DEFINITIVA, então se é definitiva, eu quero algo definitivo, algo que não possa ser melhorado, pois se “pode melhorar”, então não é definitivo.

E bem, essa não é uma edição definitiva.

As capas são linda, com capa dura e artes exclusivas. O papel também é muito bom, é offset mas bem mais grosso do que estamos acostumados em mangás. Porém encontrei diversos errinhos, como pequenas manchas de tinta, ou falas com erros de escrita, como por exemplo uma cena em que deveria ser “Eu estou!” e está escrito “Eu ebtou!”.

Um outro ponto que incomoda um pouco é que (eu não sou especialista, mas é a impressão que tive) a arte não foi, como posso dizer, refeita para a edição, ela foi apenas “trabalhada” para o novo tamanho. Eu notei isso nos primeiros volumes, pois tenho as edições antigas e é possível comparar uma com a outra e notar que alguns quadros estão meio que “cortados” no fim da folha, ou “espichados” para caber.HOLY_AVENGER__EDICAO_DEFINITI_1435706258511615SK1435706258B

São erros bobinhos e que não interferem em nada na história ou leitura, já encontrei coisa parecida (e até pior) em obras da JBC e da Panini. Naruto Gold tem erros assim, CardCaptors Sakura também teve, mas então porque estou falando disso? Novamente por causa do nome usado, essa deveria ser uma Edição Definitiva, pode ser uma coisa pessoal minha, mas acho que quando você fala em Definitiva, tem que ser algo impecável, errinhos bestas são aceitáveis em obras normais ou até “especiais”, mas quando se quer algo que encerre e ponha um ponto final, então tem que caprichar 100%, ou não é definitivo.

Mais uma coisa que me decepcionou foi a ausência dos extras, não sei se a Jambo planeja uma edição 5 com todos os 7 volumes extras (Holy Avenger 2 e os especiais de Sandro, Lisandra, Niele, Tork, Petra). A única coisa que tem é o A Arte de Holy Avenger, que foi dividido entre os quatro volumes. Na minha opinião, poderia sim ter uma 5ª edição com esses extras (quem sabe com o Palada na capa).

Esses errinhos são o suficiente para dizer que Holy Avenger ED não vale a pena? Claro que não! Essa obra tem que ser comprada e colocada na estante, quem gosta de uma boa história em quadrinhos e com final surpreendente, deve comprar HA.

Cada volume custa R$ 59,90 em lojas e livrarias, porém na Jambo todos eles tem desconto e custam R$ 57,90 ou R$ 199,90 se comprar o pacote especial com todos os volumes.

Nota: 4,8 / 5

Sim, brasileiro sabe (e sabe muito) como se faz uma obra foda.

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3 comentários

  1. Pingback: Comentando o Volume #61 – Ledd vol. 01 | Itadakimasu

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