Review #26 – Dragon Ball

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Boa manhã (ou tarde, ou noite, depende de que horas vocês estão lendo) de quinta, finalmente consegui terminar de ler e agora vou começar a review de uma das obras que mais me deu orgulho de colecionar, muito mais pela nostalgia que vem junto com ela.

A maior obra de Akira Toriyama foi publicada nas páginas da Jump entre 1984 e 1995, com um total de 519 capítulos, compilados em 42 volumes. No Brasil, a série foi inicialmente publicada pela Conrad na versão meio-tanko em 2000, depois ganhou uma edição definitiva em 2005, mas que acabou sendo cancelada no seu 16º volume.

DRAGON_BALL_A01_1337106645BPara felicidade dos colecionadores, em 2012 a Panini relançou Dragon Ball em versão tanko normal. E é dessa edição que vou falar.

Devo admitir que essa experiência de ler Dragon Ball pela primeira vez, principalmente a fase da infância do Goku (eu só tinha assistido o anime no SBT, quando tava com 6 anos) foi muito interessante. Essa primeira fase utiliza muito bem piadas de duplo sentido e personagens exagerados, como as piadas da Bulma seduzindo as pessoas, o Yamcha como “bandido com honra” e até mesmo o afeminado General Blue.

Ela não tem toda aquela tensão e violência que vemos depois, é bem mais voltada a comédia exagerada (que depois até tentou voltar na saga do Boo) e algumas lutas não tão emocionantes.

Depois de ter lido e pensando um pouco melhor, se a série fosse apenas essa fase, provavelmente seria um bom mangá, mas não “o maior de todos” como para muitos é considerado. Sei lá, parece que falta algo, e esse algo veio logo no volume 17 e a transformação de Dragon Ball.

Quando começa a “fase Z” no 17, é impossível não sentir ainda mais aquela nostalgia de quem viveu os anos 99/00 assistindo o anime na Band (e depois Globo). E aqui temos a maior guinada na série, que perde sua pegada engraçada e apostando em um lado mais violento.

Além dessa mudança drástica na série, algumas coisas me chamaram a atenção nessa releitura:

O primeiro é a passagem do tempo, sempre tivemos aquela brincadeira dos “5 minutos de Namekusei” pela demora do anime, mas no mangá isso não existe, por exemplo, o Goku vira SuperSaiyajin na metade do volume 27, e no começo do 28 a luta já terminou, são apenas 11 capítulos entre a transformação e a explosão do planeta. A própria transformação em SS é meio sem graça, apenas 2 páginas entre a morte do Kuririn e o Goku transformado.DRAGON_BALL_A17_1378331337B

A saga dos androides também é bem rápida, Cell aparece no último capítulo do volume 30 e no final do 31 ele já está na forma perfeita. A “grande” luta de Goku x Cell dura apenas 5 capítulos do volume 34, e na metade do 35 já terminou o arco com o Gohan derrotando ele.

Isso mostra que diferente do anime, o mangá de Dragon Ball não é tão enrolado (embora seja cheio de furos).

Agora, a segunda coisa que mais me chamou a atenção foi a vontade do Akira em terminar a obra. Sério, dá pra sentir essa vontade desde o arco do Freeza, mas principalmente na fase de Cell, onde vemos personagens se despedindo e dizendo que não vão mais lutar, enquanto Gohan virava o novo protetor da Terra (comentei isso quando falei de Dragon Ball 36).

Mas tivemos a saga de Boo.

Ela nunca foi a minha favorita, acho que a única coisa boa dela é a Videl, porém ter lido essa saga agora me deixou ainda mais decepcionado. A saga é bagunçada e confusa, as coisas são todas feitas com um proposito e que no meio do caminho é esquecido do nada, um exemplos disso:

DRAGON_BALL_A33_1423114308433326SK1423114308B* Gohan do arco de Cell: começamos com o Gohan, um personagem que inicia o arco como o novo protetor da Terra e mais forte do universo, mas que não consegue nem derrotar o Dabura.
* As fusões: Qual o sentido delas? Seja Gotenks ou Vegetto. A ideia era criar personagens super poderosos, mas que ou foram derrotados por Boo ou duraram 2 capítulos e nunca mais.
* O novo poder do Gohan: o Gohan passa quase que o arco inteiro treinando com os Kaioh, fica super poderoso e luta 2 capítulos. Depois o máximo que ele faz é levantar os braços para a Genkidama do Goku.

Outro ponto a se destacar é a “pressa” em terminar o mangá, foi tão corrido que os dois últimos volumes tem mais capítulos que o normal, só o último tem 15 capítulos.

Claro, eu sei toda a questão da Jump não querer encerrar o seu mangá de sucesso, mas é vergonhoso e decepcionante ver o que fizeram com a reta final de Dragon Ball.

Para finalizar esse longo post, o trabalho da Panini em Dragon Ball não foi nada brilhante, na verdade ele foi normal, por isso nem tem muito o que falar. A única coisa a se comentar aqui é a polêmica “lombada” continua com o título da obra. Os mimizentos de plantão logo reclamaram das oscilações e “erros” que teve, mas sei lá, ao menos pra mim isso é um detalhe besta demais.

Eu já reclamei de lombadas aqui, principalmente em casos como Prophecy que teve a lombada mais fina que a “grossura” do mangá ou em The Seven que teve parte da imagem “duplicada”. Porém, tem que ser muito ingênuo para pensar que ao longo de 42 volumes não vão ocorrer falhas de altura na imagem, pois isso é um erro da gráfica e a editora não olha todos os 10.000 exemplares para ver se a arte bate com as edições anteriores 100%.DRAGON_BALL_A42_144474492055362SK1444744920B

Como vocês podem conferir na foto do post, na minha coleção a oscilação foi minima, tirando ali na parte do “N”, onde tem algumas falhas, a palavra ficou bem formada e tranquila. Acho que toda a reclamação que teve foi muito “piti de mimado” do que realmente válida por erro da editora.

No geral, Dragon Ball é uma coleção que vale muito mais pela sua nostalgia e por sua “importância” no cenário dos mangás. Porém não entra no meu top 15 de séries favoritas (embora é o grande responsável por eu ter conhecido esse “mundo” dos animes e mangás).

Nota: 3,6 / 5

A Panini “reimprimiu” os volumes antigos de Dragon Ball, mas apenas para a própria loja e a favorita Comix, o lado bom é que ambas lojas estão vendendo ao preço de capa. Mas a melhor opção na minha opinião é procurar em grupos de Facebook, pois tem pessoas vendendo suas coleções a preços menores que os de capa.

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10 comentários

  1. Eu,sabendo que a lombada não ia ficar perfeita,resolvi comprar Edição Definitiva da Conrad(vou comprar até o 13 da ED,onde acaba o Dragon Ball)e a normal da panini(do 17 ao 42,a saga Z).Gostei da Edição Definitiva porque tem capas diferentes da edição normal,o acabamento é bem melhor,etc.Espero que a panini relance algum dia essa edição super bem trabalhada da Conrad

  2. Sei lá, comprar a edição definitiva só pq a lombada não vai ficar perfeita é meio ilógico, primeiro que a lombada da Conrad também não é perfeita, e segundo porque vão ser duas lombadas incompletas ao invés de apenas uma “não perfeita”.

    É como te comentei ontem, não curto muito a edição definitiva. Capas diferentes? Prefiro as originais, além de achar feio capas sem fundo, com personagens “flutuando”. Formato “All Color”? Não curto também, gosto do P&B, ainda mais quando vivemos num país onde 4 páginas coloridas já tornam o mangá caro, imagina 300.

    Honestamente, torço pra Panini não trazer a Definitiva, pelo menos não nos próximos 5 ou 7 anos. Que tragam Jaco, Dr. Slump e outros volumes únicos, daqui uns 3 ou 4 anos tragam DB Super.

  3. Gostei bastante do review, embora não tenha colecionado Dragon Ball, eu vi alguns episódios quando criança, dá uma nostalgia ver as capas e os personagens (mesmo que eu nem curtisse muito, preferia shoujo desde criança. kkkk).
    Achei bem completo o que você falou sobre a história, a lombada e tudo mais. Ótimo review!

  4. Dragon Ball é uma série extremamente cativante e foi responsável por grande parte dos fãs de anime/mangá de hoje. Embora eu goste muito mais da fase Dragon Ball, antes da Z, não imagino o mangá sem aquela porradaria toda.
    Ótimo review Haag, não tenho nem muito o que falar, pra não chover no molhado.

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