Review #33 – Chobits

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Quem é a pessoa só para você?

Quarta-feira chegou e hoje tem jogo do meu time, mas como esse blog é sobre mangás, a review de hoje vai falar sobre o time de mulheres que provavelmente você deve ter ao menos uma série na sua estante.

Chobits foi publicada nas páginas da Young Magazine entre 2001 e 2002 e ao todo foi finalizado com 8 volumes encadernados. No Brasil, a obra foi publicada pela primeira vez em 2003 no extinto formato meio-tanko e em 2015 foi relançado pela JBC em uma edição tanko que chegou ao final agora em dezembro.

Em um mundo onde existem Persocom, robôs que em sua maioria se assemelham ao humanos em forma e tamanho. A história mostra a vida de Hideki, um garoto do interior que não consegue comprar uma Persocom, mas um dia acaba encontrando uma jogada no lixo. Porém ela pode ser mais do que um simples Persocom.
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Bom, já comentei com vocês algumas vezes que Chobits eu comprei muito mais pra minha namorada do que pra mim, porque eu já tinha tentado assistir o anime e nunca me conquistou. Mas mesmo assim eu li Chobits (já que paguei, ao menos vou ler né) e foi uma leitura muito difícil porque o mangá não engrena de nenhuma forma. Vocês devem lembrar que no CoV do volume 5 eu comentei que a série já estava começando a me incomodar por exagerar nas piadas clichês (embora algumas engraçadas) e na história não andar. Pois bem, foi realmente o que me aconteceu, Chobits foi tão chato que eu levei quase 40 minutos pra ler o último volume que só tem 130 páginas.

Os dois primeiros volumes são bem interessantes, mas depois disso ela vai “morrendo” com tantas histórias em cima de histórias que o leitor fica confuso. Na minha opinião a série não conseguiu se focar em sua trama principal e foi se perdendo em várias coisas sem sentido que se não existissem, não teriam feito falta nenhuma, alguns exemplos disso:

* Relacionamento do amigo com a professora: inicialmente aquilo até parecia que renderia algo para a história, mas depois do volume 2 (ou 3) foi esquecido de tal maneira que os personagens NUNCA mais apareceram na série, só no último volume ele aparecerem de relance numa lembrança do Hideki.
* Relacionamento do confeiteiro com a amiga do serviço: foi praticamente metade do volume 6 apenas nisso, algo que simplesmente brotou do nada no volume 5 (porque até então, ela era apaixonada pelo Hideki) e acabou ganhando uma importância inacreditável. Vocês devem estar pensando “ah Haag, mas é só uns 5 ou 6 capítulos do volume”, agora pensem isso no mangá semanal, é quase 2 meses de uma publicação numa enrolação chata e que não mudou em nada na história.

CHOBITS_A4_143888918527695SK1438889185BMas acho que os personagens mais mal aproveitados da história são os dois persocons do governo (ao menos foi o que entendi) que passaram a história toda como pessoas misteriosas e que no fim não serviram pra nada.

Porém nem só de coisas ruins vive Chobits, a proposta principal do mangá é bem interessante, a questão do relacionamento entre humanos e persocons é muito boa e apresenta pontos bacanas de se debater, como a questão do confeiteiro que se casou com uma ou o garoto que criou o seu robô para que ocupasse o lugar de sua irmã. É interessante pegar esses casos e refletir se aqueles persocons realmente se importavam/amavam seus “mestres” ou se tudo era apenas parte da configuração deles.

A revelação sobre o passado da Chii é fantástico, é triste e lindo ao mesmo tempo, honestamente, é um momento da história tão bem elaborado e trabalhado, que acaba destoando do resto da série. Não vou falar muito dele pois acabaria dando spoiler, mas ele consegue fechar a história e matar as dúvidas de modo bem satisfatório. O final foi bom, previsível, mas válido e sem deixar as pontas soltas.

Conversando com um amigo hoje, ele me disse algo que eu até concordo: a CLAMP não consegue fazer uma boa obra para garotos.
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Calma, não me xinguem porque vou explicar. Eu amo Sakura e adorei Kobato, gosto de RG e Wish (embora não sejam favoritos) e pelo que já li, acho Tsubasa uma boa obra. Porém são shoujos, mangás que eram voltados para garotas e que por consequência agradaram garotos, mas o público era feminino.

Já Chobits era para um público masculino, uma obra feita pela CLAMP buscando diretamente os garotos. E acho que foi nisso que elas pecaram, pois ai tivemos um exagero nas piadas clichês e de duplo sentido, as cenas de nudez também não foram naturais, e aquela pegada romântica habitual das autoras não conseguiu ser tão bem trabalhada quanto estamos acostumados nas obras delas. Sei lá, parece que elas tentaram fazer algo que não era a área delas.

Chobits não é ruim, mas também não é uma das melhores que temos no mercado. Fica ali, no meio termo, uma obra muito mais para quem é fã mesmo da CLAMP ou para alguém que busca algo “sem compromissos” para ler.

Nota: 3,6 / 5

Essa edição de relançamento da JBC valeu a pena, em papel offset e páginas coloridas, preço de R$ 16,90, é fácil de encontrar nas lojas, a Jambo tem quase todos (falta apenas o 6) e a coleção toda sai por R$ 135,20. O volume 8 tem menos páginas, 130 para ser mais específico, o que já rendeu choros desnecessários na internet.

Se você não se importa em ter algo usado e mais antigo na sua estante, é fácil encontrar na internet quem venda a coleção meio-tanko por R$ 60,00 ou no máximo R$ 80,00. Eu, sinceramente, não acho que vale a pena, mas tem gente que prefere gastar menos.

Agora, pela primeira vez em muito tempo (creio eu), não temos CLAMP nas bancas. Será que vem algo em breve? Um relançamento de Tsubada ou Holic? Ou quem sabe um inédito?

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14 comentários

    • Sim, ele é de 2015, erro meu. Preparando o post eu pensei “é do ano passado” e me veio 2014 na cabeça. Ainda não mudei o ano no cérebro. 😛

      Pois é, agora que tu falou eu lembrei disso, dei uma pesquisada aqui e num site vi ele como Shoujo/Seinen, e isso não faz sentido nenhum pra mim. Vou esperar o comentário de alguém que entenda de CLAMP mais que eu.

  1. Realmente as cenas de nudez da Chii são um tanto desnecessárias, mas como isso não é algo muito recorrente, acho que vira um detalhe que dá pra passar. Chobits não é algo inovador ou espetacular, mas sempre tive um carinho enorme pela série, que tem história e personagens carismáticos. O CLAMP sabe como prender o leitor através dos personagens.
    PS.: Mas Tsubasa é shonen

    • Viu, mais uma vez eu falo merda sobre demografia. :/
      Na verdade eu acabei fazendo o post correndo, e fui mais no que me disseram ao invés de procurar (fora Kobato, mas ai é como eu disse pro Bruno).

      Sobre a nudez, sei lá, no começo ele até era bobinho, aquela cena dela imitando o pornô foi engraçada. Mas depois foi ficando chato, foi tipo “droga, não batemos a cota de peitos, tira a roupa da Chii”. :/

  2. Depois eu faço um comentário mais detalhado sobre seu texto, agora falo só de Kobato: ele começou a ser publicado em uma revista Seinen, destinado a homens a partir de 18 anos, portanto é seinen. Depois ele migrou para uma revista que não tinha essa questão de demografia.

    • Agora os comentários:

      1 – “* Relacionamento do confeiteiro com a amiga do serviço: foi praticamente metade do volume 6 apenas nisso, algo que simplesmente brotou do nada no volume 5 (porque até então, ela era apaixonada pelo Hideki) e acabou ganhando uma importância inacreditável.”

      Não. Não foi algo que brotou do nada. Ela nunca esteve apaixonada pelo Hideki. A trama tenta enganar e fazer pensar isso (afinal é pelo ponto de vista do Hideki que acompanhamos a história), mas há detalhes no olhar e comportamento da Yumi que mostram que todo o desfecho dela já havia sido programado. Sempre que se fala de persocom nota-se algo diferente e isso acaba sendo explicado justamente pela relação dela com confeiteiro. Uma releitura lhe fará ver que está tudo conectado, e de uma forma bem sútil, tal qual ocorre com o Yukito ser Yue em Sakura.

      2 – “* Relacionamento do amigo com a professora”

      Se pensar bem, a história não é aleatória. Na verdade todos os relacionamentos da narrativa – e quase todos os personagens na verdade – confluem para um único tema: a relação do ser humano com uma máquina. O confeiteiro foi casado com uma persocom. A professora foi “esquecida” pelo marido por causa de uma persocom. O Minoru (?) construiu uma persocom para se lembrar de sua irmã (que era uma das personagens de Angelic Layer^^), mas acabou gostando dela por ser ela mesma, uma máquina. Mesmo aquele cara que raptou a Chi é para demonstrar uma obsessão do ser humano com a máquina.

      Cada detalhe da história serve para discutir e rediscutir exatamente a mesma coisa: o modo como lidamos com as máquinas e as barreiras dos sentimentos humanos. Desse modo, a partir do momento em que a história da professora do Shimbo foi resolvida, não haveria mais razão de se desenvolver mais a história…

      3 – “a CLAMP não consegue fazer uma boa obra para garotos.”

      Leia: Tsubasa, XXX Holic, Angelic Layer, Gate 7 (tá, eu forcei com Gate7^^).

      3 – “Calma, não me xinguem porque vou explicar. Eu amo Sakura e adorei Kobato, gosto de RG e Wish (embora não sejam favoritos) e pelo que já li, acho Tsubasa uma boa obra. Porém são shoujos, mangás que eram voltados para garotas e que por consequência agradaram garotos, mas o público era feminino.”

      Nem. Como dito, Kobato é seinen. Ou quando muito, um mangá de romance sem demografia. Tsubasa é shonen. XXX holic (que você não citou) é seinen. Angelic Layer é shonen. E eles são melhores que Wish, por exemplo.

      4 – “Já Chobits era para um público masculino, uma obra feita pela CLAMP buscando diretamente os garotos. E acho que foi nisso que elas pecaram, pois ai tivemos um exagero nas piadas clichês e de duplo sentido, as cenas de nudez também não foram naturais, e aquela pegada romântica habitual das autoras não conseguiu ser tão bem trabalhada quanto estamos acostumados nas obras delas”.

      Acredite em mim. Clamp é clichê por natureza. A beleza de uma obra é como saber trabalhar esse clichê. Não tem nada a ver com a obra ser para meninas ou meninos. Em Chobits os clichês foram trabalhados de forma mediana. Não foram bons, mas também não foram ruins. Clichês ruins mesmo você vai encontrar em Miyuki-chan no país das maravilhas. Aquilo é que é mangá ruim….

      5 – “Sei lá, parece que elas tentaram fazer algo que não era a área delas.”

      Só para enfatizar: você mudará de ideia quando ler Miyuki-chan no país das maravilhas^^.

      6 – “Mas acho que os personagens mais mal aproveitados da história são os dois persocons do governo (ao menos foi o que entendi) que passaram a história toda como pessoas misteriosas e que no fim não serviram pra nada.”

      Ainda não reli o final, mas pelo que lembro o objetivo deles era “desligar” a Chi e impedir que ela causasse um colapso. Só que acabou que a Chi encontrou a pessoa só para ela e eles se tornaram personagens inúteis. Sim, dessa vez não discordo. Foram muito mal aproveitados mesmo.

      ———
      Eu escrevi demais, desculpe por isso.

      Por fim, para entender bem o que é demografia deixo esta página aqui: http://www.hwey.org/Site/?mod=proj&sub=manga

      Clique em gêneros japoneses e lá explicam tudo direitinho o que é demografia…

      • 3-4-5- Por isso que eu ignoro demografias, não fazem sentido pra mim e eu acabo falando besteira, Kobato e Tsubasa eu pensava que eram shoujos.

        Agora sobre os outros pontos:

        1- Eu realmente pensei nisso sabe, mas a impressão que tive era de que aquilo “foi aproveitado”, sei lá, a minha sensação é que no começo isso ia ser um drama familiar dela e o Hideki iria evoluir isso com ela. Ai quando começou essa relação com o confeiteiro, me deu a impressão de que foi “ah, ela tem problemas com Persocom, ele era casado com uma, o Hideki vai ficar com a Chii, então aproveita eles”. Mas realmente, pode ser um ponto de vista equivocado.

        2- É que a história do Minoru e a do confeiteiro eu senti que foram mais trabalhadas e aproveitadas do que a do amigo e a professora. Talvez se eles tivessem se mantido presentes na história, eu não tivesse com essa sensação de “foram desnecessários”, tanto que eu nem lembrava mais que ela tinha sido trocada por uma persocom.

        Um PS: Algo que me incomoda muito na CLAMP são as conexões entre as séries que algumas vezes deixam de ser leves referências para virar parte da história. Isso me irrita as vezes, por exemplo, eu não sabia da irmã do Minoru, até reconheci as personagens do outro mangá quando a doutora falou, mas a irmã do garoto não.

        E pode falar a vontade, nem esquenta com isso. 😀

  3. De Chobits só vi o anime e…. é. Concordo praticamente com tudo que você falou. É tão… meh. Sei lá, não é pra mim. E eu particularmente detestei o final. Acabei passando a obra por causa desses tipos de coisa, mas de resto… achei a edição da JBC “ok”.

    Foi o primeiro título que alguns começaram a comentar sobre a transparência, mas eu imagino que seja pela ausência de fundos que o mangá possui. De qualquer forma, as páginas coloridas são um bom mimo. É uma boa edição, com certeza dá de 10 a 0 no meio tanko. Acho que vale pra quem gosta da obra ou simplesmente é CLAMPmaníaco de coração. Para outras pessoas… eu não sei se recomendaria Chobits. Mas fico feliz de ver a JBC relançando suas obras numa boa frequência.

    Com certeza, assim que Yu Yu e Hellsing acabarem, FMA deverá vir, mas eu gostaria que algo como Holic viesse em sequência. Sim, eu sei que ele acaba se conectando com Tsubasa (por quê, CLAMP?), mas ainda acho que valeria a pena um relançamento. Depois eles pensam se relançam Tsubasa também (até porque já está terminando a sequência a ele no Japão, com apenas 3 volumes, então seria algo bom para se trazer em seguida).

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