Post de Quinta #03 – Editoras

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Bom dia amiguinhos, bom dia amiguinhas.

Hoje é quinta-feira e nós teremos aquele post “chato” para conversar sobre coisas sérias que não precisavam ser conversadas, e que infelizmente é longo.

Como já comentei com vocês, o que me levou a preparar esse post foi a divulgação dos preços da Panini para Vagabond e One Punch-Man e a repercussão que isso tomou, porém esse não vai ser um post sobre preços e sim focado nas diferenças entre as editoras que o pessoal faz de contar não ver (ou realmente não consegue).

Eu vou falar apenas das 3 maiores: Panini, JBC e NewPOP, mas não por desmerecer as outras, mas é porque querendo ou não, são as principais e mais “organizadas” (pff) do mercado. Mas principalmente da Panini, pois acho que falando dela, eu consigo expandir mais facilmente para as outras.

Já falei diversas vezes que acho muito errado colocar as três no mesmo nível, pois é burrice, elas não estão no mesmo nível e nem nunca estiveram. A Panini é uma gigante multinacional, a JBC é uma empresa nacional grande/média, enquanto a NewPOP é uma nacional pequena. “Ah Haag, mas isso não interessa“, se você realmente pensa isso, então para de ler o post porque não adianta a gente conversar, pois isso interessa demais.

O fato da Panini ser uma multinacional abre muito mais portas para eles em negociações, pois um contrato pode com mais facilidade render outros 5 ou 6 contratos. Só para vocês terem uma noção, numa pesquisa rápida no Google, além da matriz italiana e da filial brasileira, eu achei Panini na Alemanha, Reino Unido (o que já são 4 países), Espanha, México e França, e vocês devem saber que a França é um dos mercados mais fortes de mangás, talvez atrás apenas do Japão e EUA (tanto que eles até exportam obras).
OnePunchMan_manga_cover
Ah Haag, mas a Panini Brasil negocia apenas para o Brasil e não para a Itália” sério mesmo que você acredita nisso? É óbvio que nem sempre tudo que sai numa Panini vai sair por outra, aqui no Brasil temos os exemplos de Fairy Tail e Cavaleiros do Zodíaco que aqui são JBC e lá fora Panini, porém eles são exceções e não regra. Agora em dezembro tivemos o maior exemplo de todos que foi One Punch-Man, 3 Panini’s anunciaram ele em questões de semanas: Itália, México e Brasil. É óbvio que o fato da italiana já ter adquirido os direitos facilitou a negociação para as filiais, ainda mais em países menores onde a concorrência não é no mesmo nível. E esse é um dos motivos porque temos mais Shonen Jump na Panini do que nas outras, podem comparar, eu diria que 90% dos títulos da Panini brasileira foram publicados pela italiana.

E aqui temos o primeiro ponto para explicar a diferença nos preços: os contratos não são saem tão pesados quanto seria para uma editora que negocia do zero. Claro que a Panini deve ter pago um valor alto por OPM, não sou inocente de dizer que não, mas podem ter certeza que o fato de já ser um mangá de outras Panini’s com certeza reduziu um pouco o valor da oferta.

Agora vem a qualidade e o que causou todo o “booom” da semana passada. OPM e Vagabond terão a qualidade de Planetes e vão ser mais baratos, isso me deu um susto sabem. Óbvio que comemorei, minha carteira agradece OPM barato, mas ao mesmo tempo me preocupou demais e vamos aos motivos:

1- Durante uma palestra ano passado a Beth Kodama falou diversas vezes, e depois repetiu no Facebook, que os mangás iriam sofrer alguns reajustes em 2016 e um dos que era certo o aumento seria Berserk, por ser uma edição cara. Vocês devem lembrar, eu comentei isso no blog até.
2- O dólar não está baixo, está voando, eu olhei agora enquanto escrevo, 21/01, 09:39 e o dólar está em R$ 4,15 com projeção de fechar o dia em R$ 4,50. Alguns imbecis (desculpem, mas nisso eu sou bem duro) dizem que “não me interessa o dólar, eu compro em real“, mas ao contrário do que pensam, o dólar influência em tudo, desde o pão até a passagem do ônibus, você não é obrigado a entender de dólar para comprar mangá, você é obrigado a entender de dólar para tudo.

Ok Haag, eu entendo isso, mas não entendo porque da preocupação“, vamos lá.Vagabond_01_001_00

Nem vou entrar na questão babaca do haterismo, mas vamos começar pela comparação que começou a ser feita com os mangás das editoras. Entrem nas páginas da JBC e da NewPOP e vocês vão ver comentários do tipo “OPM vai ser bem melhor que isso e será mais barato” ou “Preço de Vagabond e papel lixo“, e isso para mangás que nem foram lançados ainda, como caso de Kenshin.

Ah Haag, mas se a Panini consegue, porque as outras não?” E aqui chegamos no ponto. Lembram que eu falei da questão da “multinacional x nacional” e da facilidade em negociar os títulos? Aqui já temos o primeiro ponto numa montagem de preços, não precisa ser nenhum especialista para saber que se a empresa X paga 1 e a empresa Y paga 2, obviamente a empresa X vai poder colocar seu produto mais barato. Não é mágica nem mistério. Se a Panini consegue realmente usar esse fator de outros contratos para baratear o seu, é claro que fica mais fácil reduzir também o produto final.

Mas isso ainda não é o suficiente para essa diferença astronômica que teremos em OPM e Vagabond para os demais mangás do mercado. Como estão tão baratos, como a Panini conseguiu? Honestamente, eu não acho que ela conseguiu, o que ela fez na minha opinião foi jogar seu lucro em outros produtos.

Esse é provavelmente o mais importante diferencial da Panini para seus concorrentes. JBC e NewPOP são editoras de mangás e vivem apenas de mangás, já a Panini é uma editora de mangás, mas que também tem as HQ’s da Turma da Mônica, da Marvel, da DC, além dos diversos álbuns de figurinhas. “Tá Haag, mas o que isso tem a ver com mangás? Uma coisa é um coisa e outra é outra” Não, está tudo ligado.

Vou tentar usar um exemplo mais hipotético, porém fácil de visualizar no cotidiano. Temos duas padarias, a padaria A vende apenas pão e a padaria B vende pão e bolo. Um pão e um bolo custam R$ 1,00 para serem fabricados, porém na venda, o pão custa R$ 3,00 e o bolo custa R$ 5,00.

Ou seja, para cada 5 pães que a padaria A vender, a padaria B só precisa de 3 bolos para ter o mesmo lucro. E os pães que a B também vende? São lucros extras, tanto que se a padaria B preferir baixar seu lucro neles e assim vender eles a R$ 2,00, ela pode, pois os bolos continuam cobrindo. E por consequência, com o pão sendo vendido mais barato, mais pessoas vão comprar o pão dela e não da concorrente.
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Ou talvez ela possa mudar o seu pão, e ao invés de um pão normal por R$ 3,00, ela comece a vender um pão com cobertura ou com uma farinha melhor por R$ 3,00. Isso vai aumentar o custo de produção dela e manter o lucro nos pães menor, mas mesmo assim os bolos vão continuar mantendo o lucro no final, sem contar que mais pessoas vão preferir o “pão com diferencial” ao invés do pão normal da concorrente.

Claro, é um exemplo bem bobinho e com preços ilusórios, mas ele ilustra bem a situação das editoras no Brasil. Enquanto JBC e NewPOP precisam se manter apenas com os mangás, a Panini consegue se manter facilmente sem os mangás, ou alguém aqui acha mesmo que algum título vende mais que Marvel e DC? Honestamente, tenho minhas dúvidas se Naruto consegue chegar perto, imagina então os outros menores.

Então a Panini pode sim reduzir seu lucro sem medo nenhum e assim ganhar na quantidade vendida, pois entra aquela questão do “pão mais barato” ou do “pão com diferencial”. Honestamente, quantos aqui não viram o preço de Kenshin e de OPM e pensaram: eu prefiro comprar OPM. É exatamente isso, o diferencial.

E isso que me preocupa, porque quem está fazendo isso é Panini e nós conhecemos a fama da editora e sua irresponsabilidade. Ela não é uma editora que pense na quantidade, quantos exemplos nós temos de mangás que não deram o lucro esperado e que foram cancelados por ela?

Obviamente a Panini reduziu seus lucros em OPM e Vagabond, Isso é fato. Não tem como o contrato ou o material ter tido uma redução de preços tão grande em tão pouco tempo. O problema todo é se essa redução está bem planejada, porque se não estiver, a diretoria não vai gostar e isso pode, no caso “mais leve” significar um aumento de preço pesado já em 2017 ou que os próximos títulos acabem sofrendo o reajuste para equilibrar as contas.

No pior dos casos, Vagabond pode comemorar seu tetra. Vocês sabem do que estou falando.

Só nos resta aguardar os próximos capítulos dessa novela, e torcer para que a Panini tenha certeza do que está fazendo e que isso não seja apenas uma “birrinha de criança” para responder a provocações.

Porque se for, quem perde somos nós colecionadores, e não eles.

Por hoje era isso, espero ter mostrado ao menos um pouco o meu ponto de vista sobre todo esse caso e o motivo pelo qual eu não estou tão esperançoso com esses novos preços da Panini. Reflitam e comentem aqui se vocês concordam ou se acham que eu só falei besteira. 😀

(Atualização as 11:15)

Aproveitem e leiam também o fantástico post que o pessoal da BBM publicou hoje, explica melhor ainda e com o ponto de vista de alguém que conhece o processo por dentro. É só clicar aqui.

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26 comentários

  1. Ótimo post. Vc ilustrou (e como ilustrou!) a diferença da Panini para as outras. Mas creio que essa questão dos preços não seja apenas provocação. Se fosse por isso creio que Berserk já teria aumentado o preço faz tempo (mesmo não tendo todos os mimos que OPM e principalmente Vagabond vai ter). Não acredito que deixariam fazer uma patacoada dessas apenas por “”esporte””.
    Seria bom se os Paninitards lessem com muita atenção esse post e parassem de atacar tanto as outras editoras (por “outras” leia-se JBC, que é a arqui-rival da italiana). Mas não estamos num mundo ideal, né?

    • Acabei de ler o post parecido da Biblioteca Brasileira e acho que ele completa o meu de maneira perfeita, pois mostra o ponto de vista de alguém que realmente conhece o processo por dentro. (até vou fazer um PS no meu post).
      Eu apenas dei meu ponto de vista, aqui na minha empresa nós temos um caso parecido, não somos uma multinacional como a Panini, mas nós temos dois ramos de atuação, e isso nos permite as vezes baixar o preço de um dos ramos para algo fora da média do mercado, pois sabemos o outro vai conseguir equilibrar.
      É simples, só que falta boa vontade do pessoal analisar, ontem mesmo fui chamado de otário no grupo do Genkidama porque defendi as editoras (não apenas a JBC, mas todas) num comentário.

      • Pois é, falta discernimento (ou boa vontade mesmo), das pessoas entenderem como funciona as coisas. Posts como o seu e o da Roses estão aí pra isso.
        Ás vezes penso que essa birra é algo próprio da mentalidade (infantil) dos consumidores de mangá. Vc vê algum colecionador de comics/fumetti/whatever reclamando de preços e fazendo comparações entre editoras? Sei que as circunstâncias (lucros, mercado consumidor bem maior) são diferentes e não dão margem para que os compradores de Marvel/DC chorem por isso, mas é que os “otakus” não procuram conhecer (ou melhor, se recusam a entender) todas as variáveis que permeiam nosso mercado (não sei se fui claro ou falei besteira, mas é isso aí)

  2. Muito bom esse post Haag! Você coloca alguns pontos que muita gente nem sequer imagina!!

    Bem, lá quando a Conrad ainda dominava o mercado de mangás no Brasil, apareceram dois títulos com qualidade bem inferior, mas com uma gramatura de capa melhor do que aquelas de papel da Conrad. Eram eles, Angel Sanctuary e Slayer, alguém se lembra? Pouco a pouco a JBC foi aparecendo no mercado com títulos de peso, como Samurai X, Yuyu, Shaman King, Sakura Card Captor, Hellsing, etc e logo ganhou um público respeitável, o que fazia ela bater de frente com a Conrad. Enquanto a Panini ainda engatinhava com poucos títulos (de mangá) na banca e de pouca expressão.
    Quando a dona italiana percebeu que mangá fazia dinheiro, começou a investir pesado. É aí que chegamos no ponto.

    Ela começou a investir em novos títulos justamente por ter bala na agulha. No início eu duvido que mangá dava algum lucro para a Panini, quem segurava as pontas eram os outros produtos. Qualquer um que tem uma certa noção de economia sabe que um investimento é algo em que se gasta um valor esperando um retorno, que normalmente demora (lembrando que estamos falando de quantias muito altas, afinal de contas Naruto e Bleach não devem ter custado nada barato), sendo assim, quem pagava a conta?
    A resposta é simples, Turma da Mônica e Marvel e DC. Esses dias eu estava conversando com o jornaleiro perto de casa, ele me disse que Turma da Mônica (incluindo Turma da Mônica Jovem) vende mais do que mangá e chega bem próximo de Marvel e DC, e que tem momentos que ele chega a solicitar mais números de Turma da Mônica do que de Homem Aranha, por exemplo!

    Um exemplo prático desse balanceamento de preços praticado pela Panini e que já acontece é o seguinte: A editora Mythos lança alguns quadrinhos de Hellboy em capa dura, com cerca de 150 páginas a um valor que varia entre R$ 69,90 e R$ 79,90, enquanto a Panini lança encadernados de diversos super heróis (Vingadores, Thor, Batman, Homem Aranha, Superman, etc), com um acabamento igual ou melhor, com a mesma quantidade de páginas e a um preço que varia de R$ 26,90 a R$ 29,90. Percebem onde está a diferença? Chega a ser absurda!
    Além é claro dos títulos Vertigo, que somem das bancas e vendem como água! Eu acredito que Sandman sozinho vende mais do que Naruto, eu disse sozinho!
    E me digam, quanto seria um encadernado do porte de Sandman se viesse pela Mythos ou pela Abril?

    Se essa for a nova tendência e as outras editoras de mangás tiverem que seguir a Panini na qualidade dos títulos, essa discrepância de preço vai acontecer mais cedo ou mais tarde, porque é como o Haag disse, a Panini tem outras fontes de renda e não vive apenas de mangá! Um dos erros da Conrad foi tentar aumentar a qualidade de alguns títulos que talvez não precisassem disso naquele momento, como foi com Vagabond e Evangelion.

    Obs: Tá ficando grande essa bagaça, hein Haag!!! (Me refiro à sua coleção) 😛

    • Gosto quando os comentários expandem e complementam o contepudo do post. Seria bom o pessoal ver que isso não se restringe só aos mangás, mas tbm ás outras categorias de quadrinhos. Assim talvez eles acalmariam as pepekas e parassem de ficar comparando editoras.
      PS.: Socorro com a Turma da Mônica chutando a bunda do Homem-Aranha!!! HAHAHAHA!! 😛

      • Turma da mônica vende demais galera!! Eu fiquei bobo com os números. Tem uma fase do Chico Bento Moço relacionada à zumbis que ele chegou a pedir 7-8 vezes uma nova remessa de números. Isso porque eu moro em Santos/SP, agora imaginem São Paulo, Rio e Curitiba como não deve ser?

        Atualmente tem muito quadrinho nacional, fora do nicho de mangá saindo e a Panini já abocanhou alguns, as Graphics MSP e Valente, por exemplo. Se a JBC tentasse algo nesse mercado, talvez desse uma ajuda, sei lá!

    • Primeiro uma pergunta ao JMB: o que é CONTEPUDO??? oO

      Voltando ao Mugi, cara, perfeito teu comentário, é isso ai mesmo que eu penso sabe. E até por isso tenho um certo haterismo com a Panini, porque eu sei o tamanho da editora e sei do que ela é capaz, então pra mim a Panini não precisava ficar colocando mangá de papel jornal a 12,90 na bancas, não precisam viver atrasando suas entregas e distribuição. Eles são muito maiores que isso que apresentam e podem mais do que fazem.

      E a essa da Mônica só serve pra mostrar o quão injustiçado é nosso amado Amigo da Vizinhança. :/

      Sobre minha coleção, essa foto é velha, é dos 700. Eu ia fazer um post para os 700, mas como já estou quase chegando nos 800 (faltam uns 15 eu acho), resolvi deixar o post para depois dessa marca nova. Agora com os livros vou ter que comprar a terceira estante. 😛

      • Concordo contigo cara! Eu não espero pouca coisa da Panini também não! Você pega as mensais de super heróis e cada uma delas custam R$ 8,90, R$ 9,90 cada! É praticamente o preço antigo de um mangá!
        A Panini pode e consegue trazer mais coisas na qualidade de Planetes/Berserk ao preço de Vagabond, é só querer! O problema maior é o que você falou aí, a Panini visa lucro e corre o risco de Vagabond ser tetra, mesmo com esse preço.

        O outro problema é que se a JBC quiser acompanhar, vai ter que começar a vender mangás a R$ 20,00 – R$ 25,00.

        O problema do Aranha é que tá numa fase ruim, meio chatinha, aí o pessoal desanima! E tem mais, o maior volume de mensais de super herói sai com assinaturas, acho que Turma de Mônica nem tanto!

        Caraca! 700 Haag?!! Show! Não faz post de 800 não! Faz um post especial de 1000!! Será que até Junho/16 chega?

      • Pelas minhas contas o 1000 dificilmente vai sair esse ano, pois estou só nos mensais agora, já comprei as séries longas como Bleach e Gantz, então não vão ter grandes saltos esse ano. Acho que vou terminar o ano na casa dos 910/920.

        Pior que eu tenho uma planilha de gastos, sei quanto vou gastar em cada mês até 2018 (acredite se quiser). O pior é que minha namorada volta e meia me dá mangás de presente (HxH, Gantz, Death Note e Éden foi ela), então ela tem uma noção de quanto custa. 😛

      • É verdade, no começo, em geral nos dois primeiros anos de coleção você fica naquelas de tirar o atraso, aí sai comprando um monte de coleções que “se arrependeu” de não ter pegado antes, aí a coleção vai se multiplicando exponencialmente mesmo! Comigo também foi assim!
        No meu caso tive duas fases dessas, uma pra mangás, há uns 5 anos atrás e outra para HQ’s (basicamente de super heróis) há uns 2 anos.

        Se bem que hoje ainda tem algumas que me arrependo de não ter pegado, tipo Claymore e Kimi ni.

        Eu tenho algumas planilhas pra me controlar também, é por conta delas que consigo não “enfiar o pé na jaca” e gastar demais!!

        Obs: Então faz um post de 800 mesmo! Hahahaha!

      • O meu problema maior foi que em 2013 eu comecei a morar sozinho, ai tinha que pagar as prestações dos móveis e eletro domésticos. Só na metade de 2014 é as contas foram acabando, e nesse 1 ano e meio os mangás ficaram praticamente congelados, um que outro título que eu seguia. 20thCB por exemplo, eu cheguei a ficar 13 volumes atrasado (do 2 ao 15). Mas agora finalmente coloquei todos em dia, pela primeira não vou ter nenhuma coleção atrasada.

  3. Um prova que a Panini mangá e a Hq estão no mesmo pacote – O nosso querido Leonardo Kitsune, comento em um video no VQ que estava dando uma ajudinha nos mangás do planet mangás, mas que logo depois volto as HQs. Bom sim a Panini fecha o caxa dela não só com mangás e Hqs mas com muitas outras coisas.

    “e torcer para que a Panini tenha certeza do que está fazendo e que isso não seja apenas uma “birrinha de criança” para responder a provocações.”

    Birrinha? Acho que eles não tem tempo para isso, no máximo uma tentativa de despontar de vez no mercado, como a maior do Pais… liderando o mercado. Por que 2015 a JBC deixo ela pra trás, mesmo com a queda de qualidade nos seus mangás.

    • Na questão da birrinha eu me referi bem mais as provocações sabe, no Twitter isso está muito forte, com direito até a copiar as hastags. Sei lá, me pareceu “birrinha” mesmo nesse sentido, com provocações baratas.

      Eu realmente acredito que foi o que você disse, além claro de uma forma de enfrentar o que ainda está por vir, porque querendo ou não, a JBC ainda tem Akira, e isso não é pouco.

      Mas que tem um pouquinho de birrinha nas alfinetas, ah, isso tem.

  4. Como post “chato” vem leitor(a) “chato”.

    “Panini negocia mais barato”. Não necessariamente. Veja só, licenças são vendidas para quem dá mais, não quem dá menos. Esse “dar mais” não envolve apenas dinheiro e entrada, envolve tiragem prometida, formato, lucro esperado, etc. Envolve “se você vender pra mim, minhas 3 outras filiais comprarão também”.

    Mas, note, que enquanto vender para outros países é o máximo, a Panini não é nem de longe a única interessada. A licenciante não vai abaixar o preço tanto assim, por que ela abaixaria o preço de algo que tem outra editora interessada e que pagaria/ofereceria muito mais? Licenças são extremamente competitivas, especialmente da Shueisha e Kodansha, eles não precisam dar descontos, eles são as suas maiores editoras do Japão com a maior quantidade de “hits”, casa das revistas e obras mais vendidas, etc.

    “Abrir mão dos lucros”. Primeiro, isso é ilegal e se ela fizer isso convida um baita de um processo em conjunto de outras editoras, ainda mais que ela já é a “maioria” do mercado, isso é ainda mais ilegal. Segundo, empresa alguma banca um setor com outros, eles investem usando o lucro de outro lugar, mas de maneira alguma eles simplesmente ficam com aquele setor ali dando prejuízo ou só se pagando. A empresa quer lucrar, se mangá não der lucro, a Panini vai abandonar, não é claro isso com os mangás?

    Então como a Panini conseguiu um preço tão barato? Aqui, neste frase, tem um erro MUITO grande. Quem disse que está barato? Quem disse que não é a JBC que está muito mais cara e a Panini no “preço correto”?

    Vejamos, vão pôr offset 90g, acabamento fosto, orelha e o preço é R$16,90. No Game No Life (mangá), offset 90g, acabamento brilhoso, orlhea, preço R$14. 5cm/s, acabamento fosco, offset 90g, sem orelha, R$16,00. O preço está igual ou semelhante ao praticado pela NewPOP há mais de 5 anos. Onde a Panini barateou?

    A pergunta correta é: Porque a JBC está mais cara?

    No máximo queria deixar a minha critica à frase “Obviamente a Panini reduziu seus lucros em OPM e Vagabond, Isso é fato”, não é fato. A não ser que você vá no financeiro da Panini e prove isso, não é fato, é especulação. Muito feio dar certezas em incertezas. Tsc!

    No mais, obrigada pela divulgação. (Sim, foi isso que tinha vindo fazer e decidi ler… aí já viu.)

    • Sério, adorei teu comentário, gosto quando tem comentário que vão contra o meu post mas que conseguem responder sem se basear no “odiei teu post”. 😀

      Eu concordo com você que a editora japonesa não vai baixar o seus preços de modo gigante, mas é como você mesmo disse “Envolve “se você vender pra mim, minhas 3 outras filiais comprarão também”.”, e eu acredito realmente que tenha isso, posso estar errado, mas acredito que tenha sim casos em que a oferta da JBC pode ser pouca coisa maior (óbvio que não muito maior, pois os japas também não rasgam dinheiro) mas a questão do “mais países” acabe pesando.

      Quando eu disse “abrir mão dos lucros”, não me referia a ter prejuízo ou apenas se pagar, tanto que até falei que ela vai ganhar na quantidade, talvez a palavra melhor fosse “reduzir”, ao invés de ganhar 10 vendendo 2, a empresa opte por ganhar 18 vendendo 4 reduzindo o preço. Como eu respondi em outro comentário, aqui na minha empresa volta e meia fazemos isso, ao invés de ganhar 50% de lucro por produto, ganhamos apenas 30% mas vendemos bem mais do que iriamos vender antes, claro que não é o mesmo ramo, mas a lógica funciona em qualquer modelo de negócio.

      O seu exemplo dos preços de NGNL e 5Cm/S fazem sentido, porém nesse caso estamos olhando apenas os custos com produção, olhando apenas papel, capa e acabamentos. Mas é como você disse, não é apenas isso, claro que eu não tenho valores exatos, mas pelo que eu escuto das editoras, creio que os direitos de OPM e Vagabond devam ser muito mais caros que os do mangá de NGNL e 5Cm/S. Olhando então por esse ponto, com uma licença mais cara, manter o mesmo preço final não seria baratear então?

      O mesmo serve para JBC, estamos comparando Zetman de 20 volumes com NGNL de 1 volume? (não fazendo pouco caso de NGNL, apenas usando de exemplo mesmo).

      Sobre a questão do “fato”, ok, admito que me exaltei nessa parte realmente. Acabei me empolgando enquanto escrevia o post e escrevi como se fosse uma certeza algo que é apenas meu ponto de vista. Peço desculpas por isso.

      Como comentei lá no BBM gostei demais do seu post lá, e bem sinceramente, gostei muito do seu comentário aqui, essa é minha vontade aqui no blog, que todos comentem e mostrem seus pontos de vista, mesmo que discordando. Principalmente no seu caso que informações muito melhores que as minhas (na verdade, eu comento com base na minha experiência de vida, no mercado geral e não apenas no de mangás).

      • Sobre ofertas. Sim, com certeza, eu na verdade já até ouvi pessoal do ramo falando sobre esse tipo de coisa, ou quando a editora japa decide ir com uma ou outra editora por “lealdade” ao invés da quantidade oferecida. Obviamente falando de valores similares. O ponto todo é que esse “4 em 1” pode ser o que faz a editora JP decidir entre ela e não a JBC, por exemplo, não significa que vai dar desconto. As duas podiam muito bem estar empatadas. Não dá para saber.

        Obviamente diminuir a margem de lucro é válido, mas não tem como saber se fazem ou não, onde cortam gastos etc. Vira achismo puro e não tem como saber. Alguém roube o relatório financeiro da Panini, quem sabe vem uns pedaços nos pedidos da loja deles? Hohoho.

        Eu só citei NGNL por ter orelha e ser mangá. Mas a NP tem Shueisha (Gate 7) e vários Kodanshas atualmente, e os preços aumentam um pouco, mas não é lá tanta coisa, questão de 1~2 reais, se você for comprar lá. Gate 7 não só é Shueisha, como é CLAMP e SQ Jump! Mais “modinha” que isso só se fosse na Monthly Jump. E mesmo que você comente que tá em hiato e nem fez tanto sucesso assim, lembre-se que na época que foi divulgado Gate7 não tinha nem um volume lançado direito (ou tinha só o 1). Ou seja, o preço não deve ser assim tão diferente de outras obras SQ Jump que a Panini e JBC lançam.

        É claro que as editoras trabalham diferente, mas a lógica diz que um empresa grande produz bem mais barato que uma empresa pequena. Desconto na compra de papel, tinta, outros materiais, a Panini compra uma quantidade de papel absurda, não só mangá, para HQ, gibi, revistas. Custo talvez menor com funcionários, não deixa de faltar trabalho. Acordos com gráfica e distribuidora. Você não acha que a Panini não impõe respeito frente à distribuidora? Impõe tanto que quando as duas grandes do Brasil se uniram a Panini foi uma das editoras com “direito de veto” e só foi para frente a venda depois que foi negociado “limitações e práticas” junto à justiça. Basta pesquisar na net que você acha.

        Mas voltando o assunto, Royalties são geralmente porcentagens sobre o preço de capa, é claro que há variação, mas a Shueisha pede por, exemplo-fictício-tirado-do-nada, 5% de Bleach, Naruto não vai ser tão diferente assim. O lucro da Shueisha está na tiragem do negócio. Naruto dá muito mais dinheiro pois tem muito mais venda, oras. Mas por que ela não poderia exigir 50%? Porque ela sabe que isso encarece o produto final e simplesmente não vai vender. Como você mesmo ilustrou, ganhar menos por volumes pode muito bem dar mais no total! Por isso mesmo que no “quem dá mais” tiragem esperada é algo muito importante. Geralmente, segundo fontes, livros tendem a ser 10% do valor de capa, difícil saber quadrinhos sem saber o financeiro das editoras. Essa porcentagem é meio que fixa por editora, o que vai mudar mais é o valor pré-pago e tiragem estimada, a garantia que você dá para a editora JP.

        Quanto ao número de volumes, não vejo como isso influencia. Na verdade séries curtas, volumes únicos que costumam ser mais caros. Olhe as séries da NewPOP, volumes únicos sempre foram 1~2 reais mais caros. Na Panini também se via que as séries mais baratas (1~2 reais) eram as mais longas. Embora os motivos aqui sejam diferentes, não vou entrar nisso.

        Faltou responder algo?
        *olha o ser abaixo*

        Mugi, a editora usou seu “lucro” ou “crédito junto a bancos e investidores” para investir em mangás. De onde veio esse lucro não vem ao caso. O que quis dizer é que a empresa tem vários “braços”, esses braços devem todos se manter e mandar lucros à sede. Esse lucro pode ser usado para abrir outro braço, mas após o investimento, os braços devem se manter por conta própria. Se um braço não dá lucro ele é cortado fora. Isso é muito claro com os mangás, com o lucro de Naruto e os outros mangás, a Panini não poderia bancar lançar até o final aquele mangá que tá dando prejuízo? Poderia, ela faz isso? Não, ela cancela. Quase empresa nenhuma mantém um setor que dá prejuízos, são casos raros, como o YouTube que é uma máquina de prejuízo para o Google, mas o google banca por um questão de brand e poder no meio.

        E mesmo que for usar o “com o lucro do HQ investiu em mangá”, qual foi o lucro que causou o investimento em HQ? Álbum de figurinha? Revista? Pouco importa de onde veio esse investimento e, sem acesso ao financeiro da Panini, impossível dizer.

        Alguém contrate um ninja para assaltar o financeiro da Panini.

    • “Eu só citei NGNL por ter orelha e ser mangá.”
      Errou. O que tem orelhas são os livros, o mangá não tem orelhas até onde eu sei.
      E bem, concordo que o preço é barato. Mas é um mangá de um volume só em andamento que provavelmente nunca vai ser finalizado, assim como é com diversos mangás baseados em produtos de terceiros (geralmente Light Novels e Visual Novels). Ou seja: cobrar esse preço e em boa qualidade dói menos pois não tem mais nada mais para publicar. A minha teoria é de que quanto mais volumes tem uma série, mais difícil é pensar no preço dela. Pois você não sabe quem vai colecionar até o fim, quem vai pegar sempre no mês que vai sair e que tipo de público ela conseguirá alcançar. Mas algo como um volume só é bem mais fácil tem um capricho maior. Ao menos, imagino que seja.

  5. Excelente postagem. E um excelente complemento da autora da Biblioteca de Mangás.

    Apesar de ainda ser uma análise por cima, acho importante incitar essa discussão.
    E digo mais: deveríamos nos questionar mais sobre como é o lucro de quadrinhos no Brasil. Eu mesmo fiz um projeto chamado “HQ Mais” e me surpreendi com os resultados dele. Tanto na pesquisa de campo quanto na parte prática, notei coisas muito relevantes em relação à leitura, entretenimento e lucro. E também que há uma grande ponte que separa o curioso, o leitor e o colecionador. Além das questões de contratos e da estrutura de cada empresa, ainda tem a parte do “Quadrinho no Brasil” a ser levada em consideração. É bem complexo levar isso em consideração, principalmente levando em conta artigos como o “Quanto custa um livro no Brasil?”.

    Bem, imaginemos “Quando Custa o Quadrinho no Brasil?” e essa matemática deve ser ainda mais complicada.

    Outra coisa interessante é como a Panini faz os encadernados dela. Até onde sei, esses encadernados são feitos em uma gráfica estrangeira, já que eles geralmente não possuem datas certas para sair. Ou seja: Comics não possuem a mesma problemática da periodicidade que os mangás possuem, o que possibilita eles serem impressos com menor custo e serem vendidos por um preço que visa maximizar o lucro. Já os mangás, apesar do papel ser importado, são feitos em gráficas nacionais que são contratadas pelas editoras.

    Só isso já é uma diferença e tanto. Pois podendo lucrar mais pagando menos em um lugar, o que te pede gastar um pouco mais e lucrar o necessário em outro? Sério, a prova definitiva de OPM vender bem será como a de qualquer outro mangá muito pedido para a Panini: se ele esgotar no dia de lançamento. Se isso não acontecer, a cautela terá de ser dobrada.

    Eu fico com esse medo pois estamos lidando com algo que só foi muito pedido porque o anime bombou. E vamos ser sinceros: no anitube pode ter 800.000 visualizações, mas se 300 pessoas comprarem o mangá já vai ser muito. Isto é, se elas não forem direto para o online por causa do preço (estamos lidando com Otakus afinal de contas).

    Eu gostaria MUITO que tivéssemos o hábito de remover coisas quando essas fossem licenciadas aqui. Sério. Participo de um Scan e não temos NADA licenciado aqui por esse motivo. A gente quer ver as obras aqui e sabemos que se disponibilizamos algo online, as chances de o pessoal comprar é bem menor. Se ainda fossem só os primeiros capítulos, como uma espécie de preview, eu ainda não acharia ruim. Mas OPM, assim como Nanatsu, Fairy Tail, Blue Exorcist etc etc etc, possuem todos os capítulos até o mais recém lançado. Se você tentar acessar títulos licenciados nos EUA pelo MangaFox e morar nos EUA, não conseguirá sem precisar burlar (posso dizer isso, eu viajei para lá e tentei fazer isso). É uma pena que ainda haja o pensamento de “ah, eu já fiz até aqui, não vou desfazer do MEU trabalho” (como se fosse dele), ou “eu quero poder acompanhar sempre que sair, não quero ter de esperar o tanko alcançar”, ou ainda “quem é que vai pagar 13 reais em mangá (imagina 17) sendo que eu posso ter de graça?”.

    E aí somemos: preço de custos de produção (abordados no relato da excelente escritora da Biblioteca) + as diferenças entre editoras que você falou + o preço do papel + o preço do contrato + a chance do público não ser o esperado + o fato de ter online + o fato de ser uma moda passageira + a exigência dos colecionadores + custos de distribuição e tradução + o salário dos funcionários da empresa + a contratação dos freelancers (porque tem funcionário fixo e não-fixo, certo?) + o depósito para estocar os mangás que são enviados das gráficas antes de serem comprados pelas lojas/revendedores/bancas + o custo de gráfica em si + a % que vai para o dono da banca (que varia, 50% é quase um mito, já vi relatos de ser bem menos).

    Fica a pergunta: QUAL o verdadeiro custo do mangá no Brasil?
    ~~Let that sink in por a second.~~

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