Review #44 – Solanin

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Sim, enfim chegou esse dia.

A obra de Inio Asano foi publicada no Japão entre 2005 e 2006 nas páginas da Young Sunday e foi finalizada com 2 volumes. No Brasil, a obra foi lançada pela L&PM em 2011 e se tornou uma “mosca branca”, até que final de março a editora finalmente resolveu reimprimir a obra e enviar para livrarias.

Em um dos últimos Top10 que fiz, cujo tema era sobre obras que eu gostaria de ler pela primeira vez, Solanin foi o primeiro colocado muito pela dificuldade em achar para vender e também pelas excelentes recomendações que a obra tinha. Felizmente, pouco tempo após aquele post a editora anunciou a reimpressão e minha namorada me deu de presente os dois volumes.

O mangá conta a história de Meiko, uma garota que em seus vinte de poucos anos, mora com namorado e odeia o emprego que tem. Até que um dia ela resolve jogar tudo para o alto e pedir demissão.
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Mas não se enganem ao pensar que essa vai ser uma história sobre a garotinha se descobrindo. Até chega a ser, mas não é apenas isso.

Embora tudo comece, termine e de certo modo gire em torno de Meiko, ela não é “tudo” na história, apenas o pilar central de onde outras histórias se desenvolvem. Temos Taneda, o namorado com que ela namora desde a faculdade, temos seus amigos e vemos como as atitudes dela impactam até mesmo na vida dos outros.

Admito que o primeiro volume, embora muito bom, começo a me cansar em sua metade, pois o mangá me passava a impressão de que seriam “histórias aleatórias” de cada personagem com a Meiko surgindo em algum ponto e junto ao “protagonista” daquela história aprendendo uma parte de como era ser “adulto” e se questionando se realmente é feliz (embora, a história do velho e a caixa de correios é emocionante).

Porém a reta final dele vai mudando isso, até que temos a maior reviravolta de todas no final. Isso me fez correr logo para o segundo com o coração na mão e ver o impacto que aquilo teria na série.

E bom gente, o segundo volume faz tudo valer a pena.

O impacto do que aconteceu é forte nos personagens, não só em Meiko mas também em todos. Algumas cenas marcam e impressionam, como o Kato na chuva ou a Meiko surtando. Cada um, de seu próprio modo, amadurece e busca um uma resposta para suas duvidas.

Os questionamentos vão sendo superados e nós vamos entendo pouco a pouco o real sentido de Solanin, a grande pergunta por trás de tudo: Será que desistimos de nossos sonhos? ou melhor: Será que realmente somos felizes com as escolhas que fizemos?SOLANIN_2_1352510981B

Esse é o debate da obra, o peso de nossas decisões e o quanto elas impactam nos outros ao nosso redor. Será que Meiko não ter pedido demissão teria mudado algo? Será que Billy ter se declarado antes teria mudado algo? Será que ter escolhido A ao invés de B faria tudo acontecer de outra forma?

Solanin nos faz pensar nisso, sobre o que sonhamos ser e sobre o que escolhemos ser. E principalmente, sobre como essas duas coisas podem ser absolutamente diferentes, e nós devemos aprender a conviver com isso.

A arte do Asano é algo que não consegui me decidir muito bem o que achei. Ao mesmo tempo em que ela parece ser estranha, principalmente nos personagens, ela consegue ser exata e direta, além de muito boa em cenários. Cenas emblemáticas como as citadas acima ou quando Meiko toca a guitarra nos acertam de modo perfeito. É aquilo que eu sempre digo: pode não ser a melhor arte de todas, mas é perfeita para o que a obra pede.

O trabalho da L&PM é ótimo também. Lembra muito os mangás da NewPOP como 5 Centímetros por Segundo. Vocês devem lembrar da Review de A Arte da Guerra em que comentei que eles tinham espelhado o mangá e ficou horrível. Em Solanin o erro não foi cometido, o mangá está na leitura oriental e isso evita maior parte dos problemas.

Nota: 4,2 / 5

O mangá voltou para as livrarias e lojas especializadas, o que não quer dizer que voltou a se tornar fácil. Os meus eu consegui graças a minha namorada que pegou na loja da faculdade dela, além do fato da L&PM ficar em Porto Alegre, o que ajuda a chegar mais rápido.

Recomendo que olhem em lojas como Saraiva e Cultura, se não me engano já voltou ao menos para o site delas. A série sofreu um reajuste e agora custa R$ 21,90, mas vale cada centavo.

Podem confiar, é uma grande série para se ter na estante.

E agora fiquei com ainda mais vontade de ler Nijigahara Holograph, sinceramente, sei que não é padrão JBC, mas deveria vir o mais próximo do formato de Solanin.

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