Post de Quinta #04 – Henshin Drive

12998264_1269693263060115_8418645501099307565_o

Chegou mais uma quinta-feira, e hoje teremos depois de muito tempo outro Post de Quinta, aquele post raro no blog onde nós falamos de coisas “polêmicas”. Entretanto, porém, todavia, o post de hoje é para falar de uma coisa boa (e nem por isso menos polêmica) que ocorreu no nosso mercado essa semana: o anúncio do Henshin Drive.

Como vocês já sabem, eu sou da opinião que mangás digitais são bem vindos ao mercado, ainda mais se for através de uma editora como o caso do Drive. Eu vou dividir o post em 3 momentos, o primeiro mostrando porque devemos defender os mangás digitais, e os outros dois é dando duas ideias diferentes de como eu acredito que possa ser o serviço, além de falar um pouco sobre vantagens de cada um.

Então sem mais delongas, vamos ao post mais longo do Itadakimasu (tanto que comecei a escrever ele segunda).

1 – Quais as vantagens do Mangá Digital?

Vamos começar por esse principio básico: o que tem de tão bom nisso? Não vou me alongar muito nessa fase, pois acho que o Kyon já fez ano passado um post na BBM perfeito e que vale muito ser lido (clique aqui).

Também vou evitar entrar na discussão do “pirata x original” pois acho isso tão ridículo que nem vale debater. Só vou deixar meu ponto de vista: uma coisa é consumir pirata quando não tem original disponível, outra coisa é insistir no falso apenas “por ser mais barato”. Simples.

Agora vamos aos pontos realmente sérios.

Em primeiro lugar, e possivelmente seja o mais importante, é a possibilidade de trazer séries “impossíveis”. E sim pessoal, existem séries impossíveis para o nosso mercado. Vamos pegar como maiores exemplos aqueles que vocês acabaram de pensar: JoJo e Ippo.hajime-no-ippo-1652000

Ok, JoJo até tem uma chance miníma por poder ser publicado por fases. Mas Ippo é um exemplo perfeito, são mais de 100 volumes, com um tema que não é dos mais populares no Brasil. Honestamente, alguém aqui acredita mesmo que Hajime no Ippo poderia ser publicado em versão impressa no Brasil? “Ah, isso é desculpa da editora pra não trazer” É sério que alguém acredita nisso? Pelo amor de deus, isso nunca iria sair aqui, é tão óbvio.

E aqui entra o digital, pois sem o custo com demanda de gráfica, papel e distribuição, a editora pode se “arriscar” um pouco mais a ponto de trazer Ippo. Não é difícil enxergar isso.

Uma questão interessante que deve ser pensado e que aparentemente a JBC já se ligou é em usar os mangás digitais para trazer continuações de obras que nas bancas não foram tão bem quanto esperado. No próprio Henshin+ a editora comentou que agora com o Drive, obras pedidas como Freezing Zero podem aparecer, mesmo a série principal não sendo uma das mais vendidas nas bancas.

Outro ponto que podemos pensar nisso é o retorno, dessa vez digital, de obras canceladas. A JBC tem apenas Futari H que foi cancelado, agora pensa em outras editoras como a Panini que poderia através do meio digital trazer Kekkaishi e Tiger & Bunny de volta com menos riscos de prejuízo.

E aqui já entra um novo ponto defendendo o mangá digital: uma melhor percepção do que pode ou não ser lançado. Uma coisa é ir nos perfis das editoras e pedir por título X, outra coisa é a editora, através do seu programa perceber que realmente existe uma demanda por título X.
61MXXVK1P9L
Vamos pegar um exemplo básico: o pessoal vive pedindo o retorno de Kekkaishi, mas quantos comprariam realmente o mangá se voltasse? Quantos aqui realmente comprariam Ippo ou Hokuto se fossem lançados?

Agora, se a editora ver através do seu aplicativo que realmente ocorreu uma demanda grande pela versão digital mesmo com todos os piratas gratuitos concorrendo contra, talvez então aqueles pedidos não fossem tão vazios quanto se pensava e isso talvez possibilite a editora estudar se vale ou não a pena arriscar na publicação física com um pouco mais de informação.

Por fim, o que eu considero até mais importante: a praticidade.

Eu viajo muito, na verdade, só para visitar minha namorada nos finais de semana é uma hora de ônibus na ida e mais uma na volta. As vezes eu até levo um ou dois mangás para ler, mas é ruim ter que ficar levando mochila só para guardar dois mangás, por isso maioria das vezes nem levo. Numa viagem maior, as vezes é uma mochila inteira só de mangá para ler no trajeto.

Agora pensem em ter toda a tua estante no celular ou tablet? Eu acho que nem preciso me alongar mais nesse ponto né? Não tem nem o que debater aqui.

E isso para não entrar em questões “simplórias” como comandos do aplicativo que facilitem o controle da coleção, tipo um Skoob, onde você marca o que tem, já leu, quer ler e onde parou na leitura.

2- O que esperar do Henshin Drive?

“Ok Haag, você me convenceu, mas como será esse Drive?”, aqui entra a questão importante, a JBC ainda não divulgou nada “oficial” sobre a plataforma. Até temos algumas ideias do que pode vir, mas obviamente são tudo suposições.

Eu pensei muito e cheguei a dois formatos que eu acredito que possam ser os escolhidos, e mostrarei os prós e contras de cada.

2.1 – Venda por volumes.

Nesse caso a editora colocaria seu aplicativo como se fosse uma “estante” que pode ser baixada para qualquer plataforma, e nessa estante você teria os links para compra de mangás digitais, tanto numa loja própria da JBC quanto de sites de livrarias como Saraiva, Cultura e Amazon.

Embora seja uma opção meio “improvável”, a venda por volumes tem alguns pontos positivos e até mesmo interessantes.JOGO_DO_REI_A1_1384449761B

*Venda mais barata: Eu não acredito que mangás digitais acabem custando mais caro que os físicos, pois isso iria prejudicar ainda mais um sistema que já não é “bem visto” pelos consumidores. Agora pensem comigo, um mangá que físico custa R$ 17,50, se digital custar R$ 12,00 já nos dá um alivio de quase 1/3 do valor final.

Agora peguem aquele mangá físico que você comprou e se decepcionou, no meu caso Jogo do Rei. Imaginem a possibilidade de ter lido ele online, pagando 1/3 a menos e ai decidindo se valia ou não a compra física? Eu por exemplo, teria economizado legal ao não comprar.

*Comprar quando for melhor: A editora pode disponibilizar todos os volumes (ou maioria) ao mesmo tempo, mas você pode comprar quando quiser, sem precisar se importar com ele ser recolhido e você precisar sair catando em lojas online com frete. Também pode rolar um desconto maior se você comprar toda a coleção de uma vez.

*Descontos na compra física: E então você leu aquela coleção digital e decidiu que era boa o suficiente para se ter na estante bonitinha. Mas vai pagar o dobro por isso? Não, a editora pode liberar um voucher que lhe possibilite comprar a edição física com desconto por já ter comprado anteriormente a versão digital.

*Possibilidade de “desbloqueio” de coleções: Ok, ficou parecendo missão de jogo, mas calma. Digamos que é o caso anterior mas ao contrário, você já tem toda a sua coleção de Rurouni Kenshin e gostaria de ter no aplicativo para ler em viagens.
RUROUNI_KENSHIN_A1_1350844247B
Vai pagar tudo de novo? Não né, talvez utilizando um leitor de código de barras simples pela câmera do celular você consiga “desbloquear” todos os mangás da sua coleção, ou ao menos conseguir um bom desconto (para evitar malandros que sairiam tirando foto em livrarias ou de amigos).

E se ao assinar uma série na própria JBC você receber um código de desbloqueio para aquela mesma coleção no digital? Um exemplo disso são os cards de Pokémon, que ao comprar um deck você ganha um código que desbloqueia aquele mesmo deck no jogo online. Desse modo, ajudaria a incentivar as assinaturas físicas.

2.2 Planos de Assinaturas

Agora chegamos no ponto que eu acredito que seja o mais provável de acontecer. Quem aqui assina Netflix? Esse é o maior exemplo do que a JBC pode fazer nesse caso.

*Mais por menos: Honestamente, quem aqui compra 100% dos títulos lançados nas bancas? Ninguém né, eu se consigo pegar 70% é muito e mesmo assim deixando de lado coisas que eu queria muito.

Agora imaginem, e vou chutar bem alto, se por R$ 30,00 todo mês você tivesse acesso a todos os títulos da JBC? Eu tenho, e todos aqui devem ter, duas ou três séries que vocês abririam mão de ter físico caso pudessem pegar digital, pensem então na economia, é todo um acervo que pode ser acessado a qualquer momento pelo preço de no máximo dois mangás (e isso que é menos que um Big).EDEN_A1_1436535572133120SK1436535572B

É engraçado, pois falei demais no outro caso e menos nesse aqui, mesmo eu achando que esse seja o modelo que a editora vai seguir. Porém não tem muito o que se falar sem ficar repetitivo. é como eu disse antes, quem assina Netflix sabe mais ou menos o que pode rolar nesse caso do plano de assinatura.

Outro ponto interessante é algo que eu comentei no modelo por volumes: descontos nas edições físicas. Se você já leu aquela coleção no programa da JBC e ainda assim quer comprar ela física, a editora poderia disponibilizar algum voucher ou até mesmo um programa de pontos que se acumulam de acordo com suas leituras, e que depois podem ser trocados por descontos em lojas como Jambô e Comix.


Bom, falei muito nesse post de hoje, e espero ter dito algo que para vocês tenha feito algum sentido. Como já disse várias vezes, eu torço muito para que o mercado de mangás digitais funcione no Brasil, e espero que não demore muito para vermos a Panini e até mesmo NewPOP se arriscando nesse mercado.

Por fim, vou deixar aqui o link do Henshin Drive. Se cadastre lá, responda o questionário e quem sabe você ainda não é escolhido para ser um dos Betas da plataforma?

Eu vou ser sincero: estou torcendo muito para ser escolhido e usar logo.

Por hoje era isso. Até amanhã. o/

Anúncios

10 comentários

  1. Excelente texto, Haag. É uma pena que o mercado de acervo digital se encontre um tanto estagnado no Brasil, pois você mesmo listou muitas vantagens. Apesar de não ser minha mídia preferida, uma hora isso ia chegar e possibilitar explorar uma nova mídia com novos títulos. Acho que em primeiro lugar, a editora deveria disponibilizar tudo dela, como você mesmo disse, e isso inclui não só títulos que você não pôde pegar quando saíram, mas também obras esgotas e difíceis de serem reimpressas ou relançadas. Já é um começo. Daí, eles veem se vão querer apostar em obras inéditas para o drive. Particularmente, se eu fosse eles, pegaria obras sem Scan ou muito antigas, pois é capaz de chamar mais a atenção do público “ain, Mangahost”, porque aí não tem Scan que salve.

    Como já disse, eles só precisam tomar cuidado com a pirataria e tem de controlar. Eles já deixam à pampa um bando de títulos licenciados aqui continuarem livremente a serem disponibilizados ilegalmente desde o primeiro capítulo em português, se deixarem também fazerem o mesmo com o Drive igual fazem com o Crunchyroll será o cúmulo. Porque eu até entendo por que eles deixam a primeira situação rolar, agora essa que acabei de citar seria o equivalente a pegar um mangá da editora e sair scaneando pois ele não tem Scans completos na Internet (tipo o de Steins;Gate). E eles já processaram e removeram conteúdo desse tipo, então… espero que façam o mesmo quanto ao Drive. E se vier nego defender pelo simples fato de não ser o físico que tá sendo pirateado, eu juro que desisto deste público. (se bem que teve gente defendendo o cara vendendo OPM pirata afirmando que a Panini não faria uma edição melhor, né?)

  2. Acho ótima essa iniciativa da JBC (apesar de que não acho que EU iria usar, por ser muito quadrado e preferir o negócio físico), pois isso possibilita que mais pessoas possam comprar certos títulos (não são poucas as pessoas que deixam de comprar título x por causa de preço elevado pro seu padrão financeiro). Enfim, boa sorte pra JBC.

  3. Eu duvido muito que esse sistema de compra por volumes funcione aqui no Brasil. Eu pelo menos não pegaria, sendo mais barato ou não. Acho que a assinatura é o único jeito, e se disponibilizarem todas as obras que eles tem os direitos, vai dar muito mais certo. Por mais que me doa no coração, eu deixaria de comprar um título pra pagar a assinatura, BUT 30 reais é caro demais. Eu chuto que vai vir a uns 20 reais, e se passar disso, talvez eu não pegue. Eu não sei exatamente qual publico leitor de mangás daqui seria o foco, mas acho que bem poucos pagariam 30, principalmente gente que ta tentando fazer uma coleção, mas ainda não consegue comprar tantos tankos por mês assim (eu pego cerca de 8, por exemplo). O Social Comics cobra 19,90 e acho que esse preço no Drive é justo (claro, assumindo que o acervo inicial deles seja apenas os titulos que a JBC já publicou).
    Mais uma vantagem pra JBC no caso vai ser conseguir o direito das obras pra publicar no Drive, o que impediria as outras editoras de publica-las fisicamente :V

    Só pra avisar, ainda não chegou meu 20th vol 1 da Panini. Acho que esqueceram de mim ;-; mas já mandei um e-mail avisando.

  4. Que tipo de Mangás será que seriam lançados primeiro?

    Não sei como está as vendas de Fairy Tail, mas ele tem vários e vários spin off, alguns até foram originalmente lançados digitalmente no Japão

    Capítulos extras que não saíram em nenhum Tanko seria legal também

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s