Review #45 – Gantz

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Esse post deveria ter saído a muito tempo, mas como eu tive toda a questão da mudança, acabou atrasando sempre, além de ter sido extremamente difícil analisar Gantz.

Gantz é uma obra de Hiroya Oku, e foi publicada nas páginas da Young Jump entre 2000 e 2013, tendo sido finalizada com um total de 37 volumes. No Brasil, o mangá foi publicado pela Panini de 2007 e 2014.

Agora deveria vir uma sinopse de Gantz, mas como fazer isso? Vamos pegar a sinopse mais utilizada na internet: “O mangá conta a história de dois garotos, Kurono e Katou, que após morrerem atropelados por um trem, são enviados para um misterioso quarto com uma bola negra, de lá, são enviados para enfrentar diversas criaturas alienígenas que ameaçam suas vidas.
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Mas será mesmo que essa sinopse realmente diz o que é Gantz? Ok, é como tudo realmente começa, e sinopse é feita para nos convencer a ler, e admito que essa me convenceu demais. Mas minha pergunta não é se ela é boa ou ruim, e sim se isso realmente descreve o mangá?

Porque é tão difícil descrever Gantz? A história sofre muitas mudanças de foco e rota ao longos dos 37 volumes. São muitos personagens que aparecem e desaparecem, mudanças de protagonistas e até mesmo invenções de poderes e criaturas que no final não servem de nada, pois tudo termina como começou: com Kurono e Katou.

Essa foi minha segunda vez lendo a obra, e se na primeira eu achei foda e incrível, nessa eu já não senti o mesmo “tesão” na leitura. Provavelmente por já saber como iria terminar, eu acabei prestando mais atenção em como as coisas iam (tá certo isso?) se desenvolvendo para chegar naquele final, e acabei percebendo que não tem um caminho ou desenvolvimento, não tem nada.

Gantz é um apanhado de “mais do mesmo”. O que começa com um mangá de mistério com sobrevivência, se tornou uma guerra interplanetária e descoberta do que é o amor.

Mas calma, vamos começar a analisar a obra pelo seu protagonista central: Kei Kurono. Eu normalmente comento que de todos os mangás que eu já li, Kurono é provavelmente o personagem com a melhor evolução durante toda a obra. Ele começou com um babaca, e ao longo dos volumes vai absorvendo a história e tudo que acontece ao seu redor, e principalmente, aprendendo com aquilo. No final, temos um personagem mais maduro e que nos faz torcer por ele.

Os outros personagens, alguns até chegam a dividir o protagonismo com Kurono, como o Katou (que em determinado momento até mesmo vira o protagonista principal), Reika e sua admiração excessiva com o garoto, além claro dos “antagonistas” Izumi e Nishi.

E aqui nós vamos começar a falar sobre a história do mangá.

Refletindo com calma sobre Gantz, eu cheguei a conclusão de porque eu gosto tanto do começo da obra: é porque temos humanos como inimigos.GANTZ_A11_1393108542B

Não Haag, desde o começo são os ETs“. Eu também pensava isso, mas relendo agora a impressão que eu tive é de que os alienígenas, ao menos no começo, são apenas o objetivo. Temos, até metade do mangá praticamente, uma divisão entre bonzinhos e maus, seja no começo com Kurono/Katou/Kishimoto x Nishi, ou até na segunda fase onde temos realmente uma divisão mais forte entre “grupo bom” (liderado por Kurono) x “grupo mau” (liderado por Izumi).

Esses conflitos entre humanos “presos” e obrigados a enfrentar monstros até era interessante de acompanhar em meio a tanta “pauleira pura”. Era interessante acompanhar a evolução do pensamento e até os conflitos internos do Kurono nos momentos de rotina e sem lutas, principalmente após a morte do Katou e o aparecimento do Izumi.

Após a morte de Izumi e Kurono isso se perdeu completamente. Katou assumiu como o novo protagonista e até mesmo Nishi voltou, mas ele não apareceu como aparecia no começo, e Katou não conseguia ter a mesma evolução que Kurono vinha apresentando.

E isso fez falta, porque ao menos pra mim, os melhores momentos de Gantz são quando nós conseguimos comparar os “monstros” com o pior dos “humanos”.

Na guerra final isso fica mais nítido, mas ai não é questão de “bem x mal”, é questão de hipocrisia mesmo. O mangá na sua reta final levanta em diversos pontos o quão hipócritas as pessoas podem ser, seja mostrando os colegas de classe do Kurono que sempre ridicularizam ele quase o obrigando a protege-las, ou talvez as pessoas salvas por ele da nave que ao invés de agradecerem, apenas o criticavam por não continuar levando elas.
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Ou quem sabe o melhor exemplo de tudo isso seja a família dele. Quando Kurono é acusado de terrorismo, o pai dele diz que tinha vergonha e que se pudesse mataria o próprio filho. Mas quando tudo é revelado e Kurono vira o salvador do mundo, ai é “o grande filho”.

Ao mesmo tempo, vemos na nave do invasores que alguns apenas querem viver e proteger suas famílias. É interessante ler os diálogos do Kurono com a alienígena que o ajuda, quando ela pergunta porque ele está matando os seus companheiros, porque pelo ponto de vista dela, ele é o invasor assassino. E isso nos faz pensar onde está a razão, óbvio que pela forma que tudo acontece, os humanos são as vitimas, mas toda aquela discussão nos mostra que tem um outro ponto de vista, talvez o que eu vejo não seja o mesmo que o outro vê.

Agora tem algo que me incomoda muito na obra: o abandono de histórias. “Como assim Haag?” Vou citar dois pontos que Gantz criou, me deixou curioso, e ai cagou completamente: os vampiros e os poderes da mente.

Os vampiros começou interessante, uma espécie entre o humano e o monstro, até mesmo o irmão do Kurono estava envolvido, e que seriam inimigos mortais dos “Gantz“. Tinha alguns personagens carismáticos, eram fortes e até mesmo chegaram a ser pegos pela bola negra. O potencial ali estava indo de modo interessante, até que DESAPARECEM. Do nada, como se o autor simplesmente tivesse esquecido eles. Onde estava toda aquela rivalidade com os Gantz? Onde eles estavam na grande guerra?

O segundo ponto é a questão dos poderes mentais. Temos dois personagens no grupo principal que conseguem fazer o que quiserem apenas com o pensamento, e eles são fortes, um deles mata sozinho milhares de monstros na guerra. Porém ficou várias perguntas: quem eram eles? Eram uma nova espécie de humanos, algo tipo os vampiros? De onde veio esse poder? É de nascença ou qualquer um pode ter? Ninguém sabe, o último morreu e isso foi esquecido.GANTZ_A31_1351995991B

Esse é o maior problema de Gantz, o mangá tem muitos personagens e muitas histórias, mas ao mesmo tempo tem pouca (quase zero) explicação.

E aqui vamos ao “polêmico” final da obra, onde deveríamos ter explicações. Até temos alguma coisa naquele encontro com o ser onipresente, onisciente e onipotente, ou “deus”. Vou se bem honesto com vocês, eu até gosto do final de Gantz, as explicações do ET sobre o porque das esferas e o quão ridículos somos para o universo são interessantes.

Porém pra mim faltou um capítulo final. Faltou um último capítulo, não para mostrar se o Katou encontrou a guria de Osaka ou se Kurono fez as pazes com a família. Nada disso, eu sinto que faltou uma conclusão, eu quero saber o que aconteceu com todo o planeta, como a sociedade vai seguir sabendo da existência dos “homens de preto” e alienígenas. Como a sociedade vai seguir agora que toda a fé e crença virou lixo, com a descoberta que Deus é na verdade um ET muito avançado e que a humanidade não é mais que uma formiga pra ele.

Isso faltou em Gantz, o autor criou uma “bomba atômica”, detonou ela, e simplesmente cagou para o que aconteceu após isso.

Bom, falei e falei (talvez não dizendo nada), e chegamos finalmente no fim do post. Agora vem a pergunta pela qual vocês acompanham reviews: Gantz vale a pena?

Minha resposta é direta: Não.
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Eu gosto de Gantz, não me arrependi em comprar e reler. Ele é um baita mangá de pancadaria, independente de todas as falhas e erros. É fácil de ler e prende o leitor.

Mas minha resposta continua sendo não, e o motivo é bem simples: diferente de Berserk e Zetman, onde temos a pancadaria pura com toda uma história por trás, Gantz não faz isso. Ele é apenas pancadaria mesmo, a pouca história não evolui o suficiente para suprimir as tripas e sangues.

Outro ponto negativo para o mangá é a dificuldade atual em comprar. Pra mim foi um parto consegui o mangá, sério, cogitei até vender o que já tinha por não conseguir completar ela. São 37 volumes, comprar aos poucos não compensa, e o preço de uma coleção completa não é barato.

Eu até recomendo que vocês leiam Gantz, mas online (Haag incentivando a pirataria, que feio). Talvez se o mangá estivesse sendo lançado agora, com os volumes recém chegando nas bancas, quem sabe minha resposta não fosse diferente.

Nota: 3,8 / 5

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7 comentários

  1. Pra quem disse que foi difícil analisar, até que saiu um texto bem produtivo, né?
    Tô lendo o mangá online (que feio!), motivado pelo Gantz:O que vai sair, e realmente, apesar de toda a evolução do Kurono e esse negócio de ideais/pontos de vista, o autor peca nesse parte de começar uma coisa e simplesmente esquecê-la. Outra coisa que me incomoda muito é o fanservice: pra quê mostrar o quanto o Kurono é tarado? Sério, se aquilo não existisse no mangá, não faria a menor falta. A violência tudo bem, é necessária para o enredo, agora muitas (não todas) das cenas de coito/etc. são um fanservice bem descarado mesmo (já temos as meninas gantzers nas capas dos capítulos seminuas e em posições bem sensuais. Isso não bastava?). Mas enfim, ótima análise.
    PS.: Sei que o Kurono teve uma grande evolução na história, mas vamo parar de gongar Katou-sama? Katou > Kurono tá pra Gantz assim como Kurapika >>>>>>>>>>>>>> abismo >>>>>>>>>>>>>> Gon tá pra HxH. Abraços pra quem não concorda 😛

    • Leorio > que a porra toda. Sem mais perguntas sobre isso.

      Sabe que me incomoda muito isso realmente. Aquela cena de sexo dentro do quarto de Gantz no começo é muito desnecessária. Embora com a Tae eu até relevo um pouco, pois começou apenas com “ter uma foda garantida” realmente, e no fim terminou num amor que fez ele enfrentar tudo e todos.

      Mas realmente, a nudez e sexo é exagerado demais em Gantz.

  2. Independente da dificuldade de conseguir os volumes, eu acho que vale a pena ler Gantz se você tiver consciência de que é um mangá focado praticamente só em ação. É tipo aqueles filmes em que foda-se a história, tu só quer mesmo ver sangue, gente se matando e cenas empolgantes. É justamente por isso que eu acho que o final é aquele XD
    Eu vejo muita gente vangloriar ele por causa da evolução do Kurono, mas isso não salva a história do mangá, pelo menos pra mim. Eu acho muito bem feita e tal, mas o resto…

  3. Como eu já tinha lido bastante de Gatnz até ele ser lançado por aqui, acabei deixando passar, a medida em que fui avançando na leitura fui agradecendo pela escolha que eu fiz de não comprar. Não é uma obra ruim, mas também não dá pra dizer que é boa!
    Cenas de nudez e sexo, muitas vezes não tem sentido algum em Gantz, parece que estão lá apenas por estar. Isso é uma das coisas que menos gosto em um mangá. Principalmente quando não acrescentam em nada.

  4. Ótima análise.
    Gantz foi o meu primeiro seinen, li na adolescência então pra mim foi uma experiência traumática. Aquela violência e ação desenfreada me deixava com um mal-estar. Nao lerei de novo pra não estragar o que já retive da trama. Quando saiu o último capítulo na época pensei que teria umas cem páginas pra dar um fim digno…

  5. Gantz é aquele típico mangá de adolescente. Mas se fosse relançado, eu gostaria de comprar para poder reler, analisando isso tudo que você falou com mais calma. De fato, Gantz prometia uma construção de universo imensa pra somar com o desenvolvimento de personagens, mas muito foi jogado no lixo. Esse final então é de fazer arrancar os olhos, parece que o autor estava cansado do mangá.

    O ponto mais alto do mangá sem dúvidas é o arco de Osaka, não é à toa que ele vai ganhar um filme em CG. É puramente massavéi e violento. Acho que se Gantz não tivesse tentado ser muito sério ou profundo, ele poderia ter sido simplesmente um mangá divertido por conta do absurdo. Violência absurda não é muito o problema, até OPM tem tripa voando de cá pra lá, só a putaria constante que poderia ser facilmente cortada. Contudo, as sacadas filosóficas do autor e a intenção dele de ir além do massavéi abriram um espaço que ele claramente não sabia como preencher na maior parte das vezes. Talvez por falta de tempo (mesmo sendo mensal, imagino que agenda de mangaká seja corrida) ou de criatividade, não sei mesmo.

    E aí fica a questão: será que agora ele acerta em InuYashiki? Será que algum dia Gantz:G vai terminar sendo que já tem quase meio ano de publicação e ainda nem saiu o volume 1? A máquina de dinheiro infinito há de parar?!?!?! Muitas perguntas…

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