Review #51 – Another (novel)

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Terça-feira enfim chegou e hoje com um livro que me surpreendeu positivamente na história e negativamente na revisão. (PS: Tem um pequeno spoiler que não consegui evitar)

Another é uma obra de Yukito Ayatsuji e que foi lançada no Japão em entre 2006 e 2009. No Brasil a obra ficou muito famosa graças ao seu animê em 2012 e depois pela versão em mangá publicada pela JBC em 2013 (que já teve review aqui no blog). Após muitos pedidos dos fãs, a editora trouxe de dezembro passado a versão original da obra.

A novel conta a história da turma 3-3 do colégio Yomikita, essa classe sofre com uma maldição, em alguns anos a classe acaba tendo um aluno a mais na chamada, alguém que não deveria estar na relação, um “outro”. Todos os anos em que isso acontece, estranhas mortes ocorrem entre os alunos da turma e seus familiares. Agora a turma 3-3 precisa descobrir que é o “outro” antes que mais mortes ocorram.

Um dos motivos para ter demorado tanto para ler o livro foi o fato de eu ter lido o mangá a pouco tempo, e isso me dava um medo de não “aproveitar” a leitura da mesma forma. Mas eu estava enganado, pois desde o primeiro momento a narração já nos cativa e conquista.

Fiquei muito surpreso com isso, eu esperava uma leitura mais “pesada” e “densa”, daquele tipo de história que nos faz reler algumas coisas para entender (algo como A Torre Negra do King por exemplo), só que não foi o que aconteceu, na verdade é muito pelo contrário, a narrativa é leve e vai nos prendendo e as páginas vão “virando mais fácil” e mesmo o fato de você já ter lido o mangá ou assistido à animação não atrapalha em nada a experiência.

E aqui vem o primeiro ponto que eu queria levantar: elas são diferentes, principalmente em sua reta final onde temos no mangá um final mais “felizes para sempre” e no livro não é tanto assim. Após terminar o livro e perceber todas as mudanças que ocorreram, fiquei pensando de porque não terem mudado também a pessoa que era o morto no mangá, afinal, já tinham mudando tantas coisas que talvez um desfecho diferente até ajudaria nas vendas do mangá.ANOTHER_1448803717531153SK1448803717B

Mas estou me desviando do assunto, vamos voltar ao livro.

Como eu disse, a leitura é bem simples e cativante, e talvez esse seja não apenas o ponto positivo como também o negativo da obra. “Como assim Haag?“, acontece que muitas vezes o autor repete coisas para que a compreensão do leitor fique mais fácil, porém são coisas tão obvias que chega a ser “insultante” com o leitor, passa uma impressão de “óh, eu falei isso na página tal”, não precisava.

Outra coisa que no mangá já tinha me incomodado um pouco, mas que no livro fica muito nítido é o final corrido e meio “ok”. No mangá temos um volume inteiro para o desfecho, o que se pensar bem, é 1/4 da série e convenhamos está bom. Porém no livro todo o desfecho de concentra em apenas 30/40 páginas sendo que ele tem 390, ou seja, é muito pouco se comparar como todo o desenvolvimento.

INICIO DO SPOILER

Dessa forma, coisas como o “poder” do olho esquerdo da Mei e até mesmo a fita de 15 anos passam a impressão de que o autor tinha se perdido em uma história infinita e precisou desses recursos para forçar um desfecho, caso contrário ele não saberia como explicar o final. Claro que a Mei meio que já dava sinais do olho poder ver algo diferente, porém a fita meio que “caiu do céu” e somada ao olho que mostra quem é o morto, ficou algo “fácil” demais de resolver e isso acentuou ainda mais a impressão de que o final foi corrido, pois do momento em que ela contou ao Sakakibara de seu poder até o desfecho, foram pouco mais de 20 páginas, sendo que em maioria ela nem aparecia e outra coisa estava acontecendo.

FIM DO SPOILER

No trabalho da JBC, quero fazer dois pontos diferentes e que muita gente confunde como se fosse a mesma coisa.

Primeiro é a tradução da obra. Eu gostei demais, acho que nesse ponto o trabalho da JBC está muito bom, um dos motivos de a leitura ser tão fácil e fluida é justamente as escolhas da editora na hora da tradução e que tornaram a compreensão mais fácil e com poucos (ou quase nenhum) termo técnico. Sem contar a belíssima capa do livro que me conquistou assim que vi, é linda e impactante.

Já o segundo é tenso, a revisão. Foi uma bola fora completa. Vocês sabem o quanto eu reclamo da NewPOP nas novels e seria hipócrita da minha parte não criticar a JBC da mesma forma, pois eu acho ridículo erros desse tipo acontecerem num livro. Eles acontecem durante toda a obra, mas da metade para o fim eles são ainda piores e como eu já disse em outras obras, são erros que qualquer F7 no Word já resolve.

Ah Haag, mas eles tiveram que correr para publicar na CCXP” Não é justificativa, se não dava, que mudasse a data então, só não poderia entregar um livro dessa forma, é vergonhoso e joga qualquer credibilidade no lixo, pois são erros primários.

Isso significa que a compra do livro não vale a pena?

Honestamente, acho que vale a pena sim, pois o livro é bom e a história compensa. Como ele é volume único e não uma série como NGNL, é possível “relevar” um pouco os erros em troca da boa história, detalhe importante, eu não estou dizendo que eles são aceitáveis, só acho que ter ele vale mais do que perder essa obra só por causa de erros.

Espero que a JBC tenha aprendido com Another que não é “melzinho” e que se querem trazer mais livros (torço por All You Need is Kill), que pensem melhor em prazos e façam algo decente. Um erro vai, insistir nele já é burrice e testar a paciência do leitor (ouviu NewPOP?).

Nota: 4,4 / 5

A nota é alta graças a ótima história que eu li, apenas por isso.

O preço de Another é R$ 39,00, mas algumas livrarias tem para vender com desconto, a Saraiva acabei de ver e está R$ 31,10 e ainda ganha mais desconto se comprar outras coisas.

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6 comentários

  1. Eu nunca li Another, mas o pessoal fala tão bem! É tudo isso mesmo? A novel me interessou, mas sinceramente, com 31,00, prefiro pegar dois mangás mesmo 😛
    Eu até que achei bonita essa disposição de cores. Quando é colorido eu gosto, eu não curto muito nos casos que vêm seguindo um padrão aí muda de repente, depois volta para o padrão tipo aconteceu com Hellsing (duas vezes) e com Blue Exorcist.

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