Comentando o Volume #67 – Akame Ga Kill vol. 02

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CoV 67 chegando e hoje com uma das séries escolhidas para comentar todos os volumes.

Como eu já tinha comentado no CoV anterior, Akame Ga Kill era uma obra que eu estava aguardando muito para poder ler, e talvez por isso minhas expectativas com a série estão se mantendo um tanto altas.

A primeira impressão que temos ao olhar ele é que já não é tão grosso quanto o primeiro, porém isso se explica por causa da redução de páginas que passaram de 250 para 220. E nessa parte “física” isso é só que tem a se comentar, pois a qualidade de AgK continua muito boa, honestamente, acho (na minha opinião) que na “linha Brite” ele só perde para o Magi da JBC.

Seguindo no que realmente importa aqui, vamos falar um pouco do desenrolar da história.

O primeiro destaque que quero dar é para o fato do Tatsumi ser o tipo de personagem que “não sabe de nada”. Para mim isso é uma coisa boa, pois ajuda muito na hora de explicar as coisas difíceis da história, em AgK seria a explicação de o que são as Teigu.

Muitos mangás pecam nisso, pois não é tão fácil explicar de modo natural para o leitor o que está acontecendo, ainda mais quando pela lógica todos os personagens já deveriam saber aquilo. Quem já escreveu uma história sabe o quão difícil é isso, e um dos melhores truques para que isso fique natural é justamente esse, fazer com que o principal seja como o leitor, alguém de fora que não está acostumado com aquilo e que faça a pergunta “idiota” que nós queremos fazer, mas sem parecer forçado ou nos deixando com a impressão de “óh seu burro, é isso aqui”.

Para mim, essa explicação ficou natural, eu consegui sentir como se realmente a explicação fosse para o Tatsumi e não para mim, como se aquilo fosse mesmo algo que deveria ser dito durante aquela conversa. Mas não é apenas nos casos das Teigu, mas também em todas as outras explicações do que está acontecendo, todas são nos momentos certos e bem colocadas.

O segundo ponto que vou comentar é o que mais me conquistou em Akame Ga Kill e que, embora já tivesse no volume 1, fica ainda mais forte aqui nesse volume: o “desapego” do autor. Ele não se importa em “descartar” (é meio pesado esse termo, mas explico) todo um trabalho feito anteriormente.

INICIO DO SPOILER

Nesse volume nós temos muito da Sheele, tem todo um trabalho nela, explica o passado, como ela se tornou uma assassina e até mesmo cria uma ligação forte entre ela e Tatsumi, arrisco até mesmo dizer que é (até o momento) a ligação mais forte que o garoto cria com alguém do grupo.

A história logo toma outro rumo, coisas acontecem, vilões novos aparecem, e voltamos novamente para Sheele. Lembramos de todo aquele desenvolvimento dela e no fim somos surpreendidos com a morte dela.

Ok, sei que a morte dela é de certo modo importante para a história, pois vai fazer o Tatsumi evoluir um pouco mais e sentir o peso da morte. Mas não é esse o ponto que estou tentando pegar, e sim o fato do autor ter preparado todo um terreno, nos feito gostar da personagem, dado um certo peso para ela e em questão de 2 ou 3 capítulos depois simplesmente matou ela.

FIM DO SPOILER

Não sei até onde o mangá e o animê seguiram juntos, mas sei que vão ter outras mortes e uma delas na animação foi algo que me deixou muito mal.

O que eu estou tentando mostrar aqui é como o autor tenta dar um peso a mais para sua história, muitas vezes não se importando com coisas como “porque escrever 2 capítulos sobre alguém que vai morrer?”. Como ele faz sua obra ter uma certa profundidade sem necessariamente ser profunda.

“Como assim Haag?” É meio difícil de explicar meu sentimento aqui, alguns me dizem que AgK é profundo e bem desenvolvido, outros me dizem que não, que ele é apenas um shonen com muitas mortes e lutas. Já eu acho que ambos estão certo, o mangá é um pouco de cada um, eu sinto que ele está sendo (claro, são apenas 2 volumes por enquanto) um meio termo entre algo mais “zona de conforto” e algo mais “diferente do normal”.

É óbvio que ele está numa linha básica, inimigos que querem controlar o mundo, heróis marginalizados e poderes/artefatos especiais. Já vimos isso muito, The Seven Deadly Sins tem a mesma partida. Sabemos que sempre vai chegar um vilão mais forte, com uma arma mais forte, com uma ambição mais forte, também já vimos, Dragon Ball é o maior exemplo.

Porém ao mesmo tempo em que segue o bom e velho “caminho das pedras”, AgK também vai dando algumas “deslizadas” para algo um pouco mais profundo. Se em TSDS os inimigos no poder não eram tão cruéis com a população, em Akame eles são. A população está sofrendo e morrendo, e por mais que os heróis queiram ajudar, existe um limite para eles e nem todo mundo pode ser salvo.

Ao mesmo tempo, ele não precisa partir para algo “super inteligente” ou “extraordinário” como o Togashi fez com Hunter x Hunter. Não, bem longe disso, Akame não mergulha tão fundo assim no “fora do padrão” e nem parece ter essa pretensão, mas ao mesmo tempo em que evita esse grande mergulho, ela também mostra que não quer ficar no caminho fácil e simples. Ela quer ser diferente.

Com essa pegada, Akame vai aos poucos dando algumas “pisadas fora da zona”, não sei o quanto isso vai se manter no futuro, não sei ainda se isso vai funcionar e se sustentar até o fim ou se apenas vai afundar e perder o controle.

O que sei por enquanto é que foram dois ótimos volumes, me conquistou demais e atualmente está entre as séries que eu mais aguardo volumes novos.

Continuo recomendando Akame ga Kill.

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8 comentários

  1. “CoV 67 chegando e hoje com uma das séries escolhidas para comentar todos os volumes.”

    Mas bem, voltando á Akame, pensei seriamente em pegar (o que já não vou mais fazer pois vou pegar Arakawa Debaixo da Ponte no lugar). Assisti o anime e a única coisa que eu vi de “diferente” dos outros shonens é a questão da violência (dos que eu conheço, só HxH e Nanatsu atualmente chegam “perto”). O que não desmerece nem um pouco Akame. Pra mim que gosto de séries de porrada por porrada, é um ótimo título, mas infelizmente não darei preferência á ele (pelo menos não por ora).

    • Ontem fiz um CoV especial pra você e tu não falou nada né? hahahahahaha

      Voltando a Akame, realmente ele é meio “Porrada por Porrada” mesmo, mas sei lá, ele passa uma sensação de que tem algo mais ali. Vou ser bem sincero, pra mim ao menos está sendo melhor que OPM.

      PS: quero o meu Debaixo da Ponte logo. :/

      • O Arakawa vou ver se pego hoje (sábado fui na banca e tenho a impressão de que o vi por lá. Espero que não tenha sido engano e que ninguém tenha comprado).
        E eu agradeço pelo CoV de 20thCB SIM (apesar de não compensar toda a heresia que vc cometeu com a série…. ;P)

  2. Galera, eu nunca li Akame, mas é uma série que falam tão bem, que acho que vou começar a acompanhar. Se bem que atualmente tem tanta coisa pra acompanhar e o feijão no preço que tá! kkkkkk! será que o jornaleiro aceita uns feijões? kkkkk

    Olha, eu já peguei Arakawa e achei a qualidade muito boa pelo preço. Eu nunca li Akame, mas tive a oportunidade de folhear uma edição e achei Arakawa um pouco melhor. Quando pegarem os seus comentem por aí!

  3. Sendo sincero, AgK é só um dark shonen mesmo. Não espere muito do que já viu nos dois primeiros volumes. E digo que a história toma um rumo que não curto muito depois. But, todavia, contudo… eu ainda consigo aturar. Como já disse, o início forte de AgK foi o que me fez ficar interessado na obra, muito mesmo antes de ela ganhar animê. Por causa disso, sou escravo mensal dela no Japón. Compro e acompanho porque aturo, mas não recomendaria a qualquer um.

    Talvez alguém que curte mangás de porradaria com mortes importantes fosse gostar, mas um leitor mais experiente provavelmente não vai achar nada demais. E um leigo talvez curta ou não. Enfim, é uma obra que poderia ser bem melhor do que é. O trabalho da Panini está bem melhor que o de Tokyo Ghoul, na minha opinião, mesmo eu tendo achado que o volume 6 teve uma melhora.

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