Review #56 – Millennium: Os Homens Que Não Amavam as Mulheres

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Terça-feira chegando com uma obra que eu já desejava ler desde que conheci o filme e que surpreendentemente me deu um gosto inacreditável de ler.

Millennium é uma série originalmente criada pelo sueco Stieg Larsson como uma trilogia, porém o autor faleceu antes mesmo do primeiro livro ser publicado. Em 2015, onze anos após a morte de Stieg e oito após o terceiro volume, a série voltou a ganhar um título inédito, desta vez escrito por David Lagercrantz, que também será autor de mais dois títulos da série com previsões para 2017 e 2019.

Os volumes de Stieg ganharam todos adaptações em filmes no cinema sueco entre 2009 e 2010 e o primeiro ganhou uma adaptação em Hollywood em 2012 que recebeu boas criticas, mas não o suficiente para render uma continuação.

No Brasil a trilogia já foi publicada duas vezes pela Companhia das Letras, a primeira entre 2008 e 2010. A segunda em 2015 é essa que eu tenho, que veio em um box especial com as três edições (embora eu goste mais da capa da primeira).

Os Homens Que Não Amavam As Mulheres é o primeiro título da série e conta a história de Mikael Blomkvist e Lisbeth Salander. O primeiro é um jornalista que, após um fracasso jornalistico e um processo por calunia, aceita um trabalho para desvendar o misterioso desaparecimento de uma jovem em 1966 e que mesmo após 40 anos nunca foi solucionado e segue sem pistas.MILLENNIUM_A1_OS_HOMENS_QUE_NAO_AMAVAM_AS_MULHERES

Já Lisbeth é uma jovem e habilidosa hacker que trabalha para uma empresa de investigação. Dotada de uma inteligencia fora do comum, Lisbeth vive sobre a tutela do governo e é considerada “fora dos padrões da sociedade”. Ela possui uma personalidade forte e uma capacidade dedutiva que em determinados momentos remete um pouco a Holmes.

A história nos é apresentada como um mistério interessante desde o inicio, pois somos apresentados para Henrik Vanger, dono de uma das maiores empresas do país e que desde 1966 busca pela sobrinha desaparecida. Para piorar o caso, desde o desaparecimento da garota, todo ano em seu aniversário ele recebe de presente uma flor, sem remetente ou endereço de postagem fixo. Convencido de que a garota foi assassinada por alguém de sua família e que o assassino quer deixa-lo louco, ele decide contratar Mikael para resolver esse caso.

Porém conforme o jornalista vai investigando o caso e se aprofundando, o que era apenas o desaparecimento de uma adolescente e uma longa briga de família, começa a se tornar o terrível caso de um serial killer de mulheres.

Essa mudança acontece de uma maneira tão sutil, que a impressão do leitor é de que aquele sempre foi o plot da história desde o começo, e esse é o charme de Millennium para mim. Eu conheci pelo filme americano, e já nele me apaixonei por como a história se desenvolvia de forma natural, porém o livro é infinitamente superior.

No livro tudo é mais profundo, tudo é muito mais “pesado” e cheio de detalhes. Claro que o filme precisou cortar muita coisa e até mesmo modificar algumas para poder ficar mais fácil de entender, afinal, mesmo fazendo isso ele ainda assim ficou com 3 horas, imagina não fazendo então.

Voltando ao livro, ele tem uma escrita bem “difícil”, utilizando muitos termos técnicos e várias palavras que não são muito comuns ao nosso dia-a-dia e que requerem um pouco mais de conhecimento de vocabulário. Porém a narrativa é tão boa e a história tão cativante que nem sentimos essas “dificuldades”, a leitura vai fluindo de maneira extremamente fácil e cativante, é o tipo de livro que mesmo tendo mais de 500 páginas é facilmente lido em poucos dias.
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Outro ponto a ser destacado é que ele não é um livro “para crianças”. O temas são bem tensos e pesados. Os Homens Que Não Amavam as Mulheres é bem sério, e aborda de forma muito séria a violência contra a mulher, até mesmo apresentando alguns dados preocupantes sobre o tema no mundo. Ele também aborda de um modo bem sutil e ao mesmo tempo sério questões como politica e religião, questionando como as pessoas muitas vezes encaram esses assuntos de forma leviana.

Os personagens são cativantes, cada um com seus respectivos mistérios e todos com se tornando potenciais suspeitos do desaparecimento de Harriet Vanger.

Algo que chama muita atenção é a forma como a investigação vai acontecendo. Diferentemente de muitos outros livros de investigação ou mistério em que o autor as vezes parece se perder e as soluções simplesmente surgem “do nada”, em Millennium elas vão surgindo de forma natural e (retirando algumas deduções da Lisbeth) são simples e convincentes, utilizando ótimas ferramentas e com boas justificativas.

O final é de certo modo surpreendente e ao mesmo tempo nos deixa aquela sensação do tipo “como não pensei nisso antes”, além de ser uma reta final extremamente eletrizante e emocionante, além de nos deixar com extrema vontade de já pegar os outros volumes para ler.

Nota: 4,8 / 5

Para quem já assistiu ao filme, embora sigam um caminho muito similar e próximos, eles são muito diferentes, por isso mesmo já tendo assistido ao filme o livro continua sendo uma ótima opção, principalmente por sua reta final e conclusão.

Já para quem não assistiu, eu recomendo que façam ambos, tanto a leitura quando o filme, pois é uma ótima história para quem gosta de um bom filme/livro de mistério policial.

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