Post de Quinta #12 – Adaptações

Boa quinta-feira pessoal, teremos hoje mais um daqueles nossos posts tapa buraco, pois eu adotei uma gata ontem e com toda a correria de comprar coisas pra ela, acabei sem tempo de terminar Slam Dunk e BTOOOM!. Felizmente, algumas coincidências das últimas semanas já vinham me deixando com uma ideia de Post de Quinta que eu queria discutir com vocês: as muitas adaptações que temos visto de mangás recentemente.

As coincidências que aconteceram foi que em questão de umas duas semanas eu me vi muito envolvido com esse assunto por diversos motivos. Primeiro a Netflix anunciou que vai adaptar Erased, depois veio o vídeo do filme de Death Note, no final de semana eu assisti Ghost in the Shell no cinema e na segunda a Globo passou No Limite do Amanhã, que é a adaptação de You Need is Kill. Em meio a tudo isso, eu me peguei pensando em qual o motivo para tanto rebuliço entre o público consumidor de mangás.

Vamos começar que adaptações em live-action não são coisas tão estranhas, a cada dois meses sempre tem um Marvel ou DC novo no cinema. Quantos Batman e Homem Aranha já não assistimos? Junto com Ghost in The Shell nós temos também a adaptação de A Bela e a Fera (muito boa por sinal, recomendo). Então porque o publico de mangás é quem mais reclama disso? (ok, os fãs de Marvel e DC também reclamam, mas não tanto).

A primeira coisa que vejo na reclamação é que elas são sempre ruins e não mostram a história original do mangá como as americanas mostram das HQ’s. Baseado em minhas experiências eu concordo somente em partes com isso, Dragon Ball Evolution é realmente patético, No Limite do Amanhã é um bom filme sobre efeito borboleta mas não é o All You Need Is Kill. Em compensação, eu amei O Vigilante do Amanhã, achei muito bem adaptado. Em compensação, detestei Guerra Civil e Logan, tenho raiva cada vez que minha namorada quer ver um X-Men, mas adorei Dr. Estranho e Guardiões da Galaxia. Então sobre esse ponto, tem ótimas e péssimas adaptações nos dois lados.

O segundo argumento que se fala muito é sobre a descaracterização dos personagens japoneses. Isso é muito relativo na minha opinião, pois depende muito da obra. Dragon Ball por exemplo se fosse feito decentemente, Goku poderia ser qualquer coisa pois ele é um alienígena e em nenhum lugar fala que os sayajins parecem japoneses. Se fosse One Piece, o Luffy deveria ser interpretado por um brasileiro, pois segundo o Oda essa seria a nacionalidade dele.

Como pode a Scarlett Johansson fazer a Motoko? Tinha que ser uma oriental” Vamos começar que em nenhuma parte do mangá se fala que a Motoko é japonesa, pelo contrário, até mesmo se fala que o nome dela é falso. Segundo lugar que ela é uma máquina, a única coisa real nela é o cérebro, logo ela pode muito bem ter qualquer rosto, pois aquilo é “montável”. Por fim, o filme conseguiu explicar muito bem porque uma americana estava fazendo uma personagem japonesa, e eu considerei bem explicado.

Ah Haag, mas de Death Note tu vai ter que concordar” Sim e não. Vamos começar que em nenhum lugar da obra se fala a nacionalidade do L, até se sugere que ele é britânico. Sobre o fato de ser um ator negro, também não é algo que faça a menor diferença, assim como em A Torre Negra eles mudaram o protagonista para um negro também, a cor de pele nesse caso não muda nada na relação dele com os outros personagens. Agora, o L fazer discursos em público como fotos do set já mostraram, ou usar roupas da moda e capuzes, isso para mim já descaracteriza o L, pois sempre vi ele como um personagem desapegado de tudo, alguém que não liga para aparências e que usa uma camiseta e um jeans só por serem mais cômodos.

Eu sinceramente odiei o vídeo de Death Note, a única coisa que aquilo tinha de Death Note era o caderno. Mas não é por terem levado a história para os EUA e os personagens serem americanos, isso não muda nada. O fato do Light ser japonês ou americano não muda a história, agora, pelo vídeo ele me pareceu apenas um garoto normal e não “O” melhor aluno do Japão. Esse tipo de coisa eu considero uma descaracterização de verdade. Sempre vimos Light como O GAROTO PERFEITO, o filho exemplar, extremamente vaidoso e sempre bem vestido, alguém que nunca seria suspeito de ser o Kira, como poderia o melhor de todos ser um assassino serial? O Light que eu vi no vídeo é um garoto aparentemente é comum, com seu topete e cabelo pintado, usando roupas “comuns”, o completo oposto de tudo que vi no Light. Em compensação, a Misa parecem ter acertado em sua adaptação. Alguns criticaram que ela virou uma líder de torcida, mas pessoal, se adaptarmos as idol japonesas para a cultura americana, elas seriam realmente líderes de torcida.

Esse é o ponto, não precisa ser uma adaptação página por página, Ghost in The Shell não foi nem perto disso, mas a história estava lá sendo mostrada da forma que ela é apresentada no mangá. A história de Ghost in The Shell não é sobre uma agente japonesa combatendo crimes cibernéticos, ela é sobre uma ciborgue tentando descobrir se é realmente humana e mostrando o quão frágil é a linha separando humanos das máquinas. E isso está no filme, todo esse debate sobre tecnologia e como isso nos afeta.

All You Need Is Kill e Edge of Tomorrow só tem em comum o fato de terem viagem no tempo e um ataque extraterrestre. Todo o debate que a Rita trás sobre todas as diversas mortes que ela viu, sobre perder alguém importante justo quando não pode mais voltar e as escolhas que o Keiji precisa fazer no final do mangá, nada disso está no filme que no fim acabou se tornando apenas mais um de ação, conheço muita gente que nem sabe que ele é adaptação de um mangá/novel.

Na Marvel, a Guerra Civil é um grande exemplo disso. Ela pegou a base que era um conflito entre heróis liderados de um lado pelo Capitão América e de outro pelo Homem de Ferro, largou isso e “se enfrentem”. Faltou todo o debate sobre a regulamentação dos heróis e liberdade individual, todas as ótimas discussões sobre certo e errado. É como eu disse várias vezes, até é um filme bom de heróis, assim como Edge of Tomorrow é um bom filme de ação, porém eles não são as obras que deveriam adaptar.

Essa é a grande diferença entre ser bom e ruim, não importam os efeitos ou nacionalidades, isso é pequeno. Death Note para mim pareceu que será um filme de ação policial sobre um garoto que pode matar com um caderno. Ok, esse é o pano de fundo de Death Note realmente, mas não é apenas isso. Ele não tem altas perseguições (fora o Higushi), ele é mais estratégico, ele é mais pensado e trás um debate forte sobre certo e errado, sobre o que é realmente justiça e (pra mim o principal) sobre um duelo entre duas pessoas extremamente opostas em tudo. Claro que não posso me basear apenas num vídeo de 1 minuto, mas para mim não pareceu que ele vai abordar essas coisas.

Bom, falei horrores e como sempre nunca sei se me expressei direito.  O que eu quero dizer com tudo isso é que claro que podemos reclamar quando não nos agrada, mas vamos reclamar dos pontos certos, mudanças até podem ocorrer para tornarem cobrirem possíveis furos das obras ou tornarem elas mais atrativas para um filme. A diferença está se são mudanças superficiais que não pesam nada na trama como a cor da pela, ou mais pesadas e profundas, modificando o contexto do que a obra quer passar.

Por fim, O Vigilante do Amanhã é muito bom, mas a Bela e a Fera é muito melhor. Recomendo ambos.

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