Review #79 – Beelzebub

Quinta-feira chegou e hoje não teremos um post de quinta, longe disso, vamos falar de uma das minhas comédias favoritas e que finalmente terminou.

Beelzebub, obra de Ryūhei Tamura, foi publicada originalmente nas páginas da Weekly Shonen Jump entre 2009 e 2014, e depois com alguns capítulos extras entre final de 2014 e começo de 2015, finalizando com um total de 28 volumes encadernados. Entre 2011 e 2012 a obra recebeu uma adaptação em anime de 60 episódios.

No Brasil, a obra chegou pela Panini em 2012 e após (o que eu considero um erro) a editora ter publicado ela de modo bimestral, somente agora em 2017 o título chegou ao final.

Resumindo a obra da forma como eu sempre digo para meus amigos: “Oga é um delinquente que um dia encontra um bebê na beira do rio. Esse bebê é o filho do Rei Demônio e foi enviado para destruir a humanidade. Não querendo criar o bebê, Oga começa a procurar alguém mais forte do que ele para assumir a criança.

Como definir a experiência com Beelzebub? É bem difícil, pois a obra consegue nos causar diversos sentimentos controversos. Se de um lado ela se enrolou demais ao ponto do próprio autor esquecer o que criou, por outro poucas obras conseguem fazer uma comédia tão escrachada e divertida.

Essa é daquelas comédias difíceis de segurar o riso, principalmente nos primeiros volumes onde o Oga tenta de todas as formas se livras do Beel. As piadas sempre rolam ao natural na história, mesmo aquelas que se repetem ao excesso conseguem ficar tão normais que a gente nem se incomoda de ver elas outra vez.

Para vocês terem uma noção, a batalha final chega quase a ser um tributo ao Dragon Ball, com diversas piadas de referência como o herói virar SSJ ou o último golpe lembrar uma Genkidama e o inimigo lembrar o Cell quando foi destruído.

Claro que a comédia é o ponto forte da obra, porém não podemos deixar de tentar ver a história de um modo mais critico. Nesse ponto eu admito que Beelzebub deixa muito a desejar, principalmente na sua reta final. Para vocês terem uma noção do quão corrida a obra é no final, a história termina no 27 (o 28 é extras) só que o último vilão só é apresentado na última cena do 26. Até então ele não tinha aparecido, e a luta deles dura uns 4 ou 5 capítulos.

Vi algumas reviews dizendo que a obra não deixa furos, só que isso está muito errado. Não é que não deixa furos, na verdade ela deixa tantos que a gente esquece deles. No volume 28, que compila uns sete capítulos extra, o autor até brinca com isso ao trazer de volta um personagem que ele tinha criado no começo do mangá, que era super poderoso, mas que acabou completamente ignorado e esquecido no resto da série.

Muitas coisas ficaram bem mal explicadas, como a tal Companhia Solomon que não fez muito sentido e o poder de alguns personagens que aparentemente tinham ligação com demônios, mas que nunca se explicou como eles criaram esse ligação.

A diferença em Beelzebub é que no fim a gente não sente que essas pontas fizeram falta. O autor consegue nos prender mesmo sem explicar tudo, pois a comédia é divertida e até mesmo as lutas são empolgantes. Acho que esse é o ponto positivo de Bub, pois ele é um baita mangá sem tentar ser, do seu modo despretensioso o autor conseguiu fazer algo muito bom sem precisar de rótulos ou arcos super filosóficos. Ele apenas contou o que queria contar.

O trabalho da Panini é aquilo que todos conhecem dos brite da editora. Acho que teve o erro de lançar a obra de modo bimestral, sei que muita gente diz “Ah, mas ainda estava em publicação na época“, só que gente, Bub já tinha 19 volumes quando chegou ao Brasil e isso seria facilmente 2 anos de mensais até finalmente encostar no Japão (o que por coincidência, já teria o final confirmado).

Então não tinha essa necessidade do bimestral desde o começo, se mesmo que Bub fosse ter mais volumes, era muito mais fácil apenas deixar ele bimestral depois do hiato. Ao menos Nisekoi já virá mensal, mas como a obra já está completa, fica complicado dizer se a editora aprendeu ou não a lição.

Eu recomendo muito Beelzebub, é uma obra que serve tanto para o fã de shonen de lutinha quanto para o que gosta de uma comédia bem divertida. Infelizmente hoje em dia só é possível encontrar a obra em pacotes fechados de colecionadores, e duvido muito que vá ter relançamento algum dia.

Nota: 3,9 / 5

Anúncios

6 comentários

  1. Beel pra mim, é um dos melhores da minha coleção; eu acompanhei ela semanalmente desde quando iniciou-se a tradução nas Scans-BR, e anseava bastante pela publicação; quando a Panini anunciou foi só alegria, por vezes eu me divertia mais até que em relação a One Piece, que sempre foi minha série xodó!

    E vou te contar, aquela saga onde eles fazem o jogo de volei, meu Deus, eu nunca dei tanta risada num mangá como eu dei risada lendo este arco de Beel.

    Sobre os furos de roteiro Haag, a série foi cancelada; não sei o motivo, os Japas não curtiram e a JUMP deu prazo pro Tamura encerrar, por isso ele apressou as coisas, pra dar tempo de colocar o final que ele queria, mesmo sem as explicações; Japonês é foda, se não tem peito pra eles bronharem, eles reclamam… E olhe que se tivessem dado o tempo do autor, chuto que talvez, ele estaria em alta até hoje, caso não tivesse terminado ainda…

    • Não duvido, por diversas vezes comentei aqui que não entendia os baixos resultados que a obra tinha, pois em nenhum momento ela decaiu pra mim.

      Aquele jogo de vôlei foi hilário, o Oga jogando o Beel pra cima para tirar a atenção do outro time, as imagens do autor entre os capítulos era genial, nunca ri tanto. Assim como tem uma que o Oga vai treinar na montanha e amarra o Beel numa árvore.

      O último volume, dos extras, foi um dos melhores pois a gente sentia que o autor estava com liberdade de fazer o que queria. A cena do Furuichi finalmente explodindo porque ele queria ver as garotas de biquini e usando até os lenços para isso me fez gargalhar.

      É fácil a minha comédia favorita.

      • Fora as piadinhas toscas mas que funcionavam. Lembro de uma cena que o Oga vai treinar com o avô da Kunieda, e ele fala que antes tem que mijar, aí o velho pergunta se ele queria que segurasse pra ele kkkk. Sempre foi aquele humor básico, tipo um “trapalhões”, e que funciona muito bem!

        O Tamura tá escrevendo agora Hungry Marie. É uma comédia que lembra mais ou menos Ranma 1/2; estou acompanhando, não sei se um dia ela virá por aqui, mas torço pra que sim, por enquanto ela anda muito boa!

  2. Eu acho que a Panini vai mudar de ideia e colocar Nisekoi como bimestral também, hein^^. Fizeram isso diversas vezes recentemente. Pandora Hearts, por exemplo, foi dito que seria mensal e acabou sendo bimestral. Além disso, de vários títulos bimestrais eles prometeram que ao menos um ia se tornar mensal, e agora já estão rejeitando todos.

    A Panini tem um monte de títulos anunciados e decerto ainda fará novos anúncios nos eventos de julho, então eu acho que ela vai querer evitar ter mais séries mensais…

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s