Post de Quinta #13 – Scans e as Editoras

“Lá veeeem, a treta a cavalo, que bonita que ela é…”

Ok, a piada não é tão boa se você não morar no RS e com isso não conhecer a música, mas está começando mais um Post de Quinta, aquele nosso post de falar sobre besteiras ou coisas não relacionadas diretamente com mangás. Hoje vamos conversar um pouco sobre a treta que rolou na última segunda com o fato da JBC ter mandado os scans removerem seus títulos. Então como diria a Bidê ou Balde: “Olha o microondas”.

Provavelmente esse vai o post de quinta mais curto da história, pois eu sou bem direto no que penso sobre o assunto: a JBC está certa e eu acho que demorou demais para uma editora fazer isso. É pirataria e ponto. Eu separei alguns “argumentos” que li pela internet nesses dias e resolvi comentar eles.

Antes de mais nada, não venham me usar aquele argumento de “Ah, falou o cara que não deve ter música baixada no celular” ou o meu favorito “Deve ter Windows original no PC“. Bom, eu tenho Windows original porque ele já veio no meu notebook, sinceramente, que computador em 2017 ainda vem com Windows pirata? Agora falando sério, não vou ser hipócrita, eu já li muita scan (ainda leio OP), baixo música para o celular, jogos e até mesmo filmes quando não acho no Netflix. Sim, eu consumo pirataria.

Porém o fato de eu consumir pirataria não significa que eu vou defender ela quando for combatida. O fato de eu utilizar ela não a torna necessariamente correta, apenas significa que eu estou errado. Eu não vou ir xingar ou ofender a editora que trás esse produto de forma legalizada e que utiliza do seu direito ao não querer a reprodução dele de forma ilegal. Para mim a grande atitude hipócrita aqui, mais do que utilizar o pirata, é criticar quem está tentando fazer o certo.

Ah, mas os mangás não vão vender sem os scans” Eu acho essa afirmação errada, primeiro que nós não temos nenhum argumento realmente válido para afirmar isso (nem o oposto). Eu não acho que o fim dos scans vá ser a morte do mercado de mangás, assim como a falta de pdf’s na internet não mata o de livros. Vai ficar mais difícil conhecer novas obras antes de virem? Sim, mas não será como nos anos 90 ou começo de 2000.

Então as editoras são obrigadas a liberar digital de modo gratuito” Pessoal, hoje em dia nem injeção na testa é de graça. Outra coisa, a editora já disponibiliza o produto no Brasil em sua forma física e é esse o trabalho dela. Claro que eu defendo o mercado digital e acho que em pleno 2017 nosso mercado está muito atrasado nessa área, agora, eu não vou dizer que isso é uma obrigação da editora. Elas publicam suas obras de modo físico, se quiserem se aventurar no digital é ótimo, mas não precisam pois o real trabalho delas está sendo feito já.

Essa mesma resposta vem para outro argumento de “Eu só uso por falta de opção“. Primeiro que não é falta de opção, é falta de vergonha na cara ok. A opção você tem, Nanatsu no Tanzai é publicado no Brasil a cada dois meses, então não vem dizer que não tem como você chegar nele sem os scans. “Ah, mas eu não tenho dinheiro” Azar o teu, eu quero uma Promethea e não tenho R$ 150,00 para comprar, mas nem por isso estou xingando a Panini no Facebook ou dizendo que ela é obrigada a disponibilizar online. Eu já falei e repito, nosso mundo é capitalista, ninguém tem que fazer caridade para os outros.

Seguindo essa desculpa da “falta de opção”, vamos começar que temos o Social Comics e o Crunchyroll trazendo esses materiais de forma legal. Quem ai é assinante deles? “Ah Haag, mas são caros” É a mesma coisa do Netflix, mas por algum motivo ninguém reclama do serviço de filmes. Teremos no futuro (e creio até que tenha sido um dos motivos da JBC ter feito isso agora) o Henshin Drive, imaginando que o sistema será similar ao Netflix e com atualização quase imediata dos títulos, fica minha pergunta: vocês vão assinar ou vão continuar nos scans?

Novamente está aqui a hipocrisia, pois 80% das pessoas para quem perguntei tinham a mesma resposta: não vou pagar para ler online. Ou seja, não estão nem ai se é ilegal ou não, se é pelo fato de estar sendo atualizado semanalmente ou pela qualidade física ser inferior. A única coisa que querem é que seja dado de graça. O pessoal não está preocupado se a JBC está certa ou errada, se isso pode ajudar ou não o mercado, a única coisa realmente importante é que “eu” não posso perder.

E isso trás outra vez o que eu disse: NADA É DE GRAÇA.

Nem o teu scanzinho é de graça. Eles recebem seja na propaganda ou no VIP que tu paga, e não gente, não caiam naquele papinho de “ajudar o site”. O que para mim é pior e talvez seja a grande pergunta da esfinge é: COMO QUE TU ACEITA PAGAR VIP EM SCAN E NÃO ACEITA ASSINAR O OFICIAL???

Talvez seja a forma como fui criado ou a minha visão de um mundo correto, mas eu nunca vou optar pelo pirata quando perceber o original mais acessível. Tanto que eu só lia OP online por causa dos 10 anos de diferença, caso contrário, nem ele eu leria em scan.

Querem defender os scans? Ok, o direito de vocês. Porém utilizem argumentos realmente válidos, não venham me dizer que é por falta de opção para ler quadrinhos e nem que o mercado vai morrer com a falta de scans.

E por favor, evoluam. Sair xingando o Cassius ou a editora com palavrões e ofensas é ridículo, nem na 5ª série se faz mais isso. Também não fiquem indo no perfil negativar a editora porque uma coisa infantil dessas. Quer negativar? Faz direito, reclama de transparência ou páginas caindo, reclama de tradução mal feita ou letras faltando.

Só não reclama porque o “fulano-chan” do “scan X” pediu. Isso é idiota.


Antecipando perguntas: a foto é da minha coleção. São todos os volumes 1 e únicos que possuo atualmente. 😀

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11 comentários

  1. Leio Scans. Assisto filmes e séries torrents. E sou contra a pirataria. Hipocrita eu? talvez… Apesar de ler via Scans, faço questão de comprar sempre que posso o volume fisico, valorizando a editora e fomentado a economia e vinda de mais titulos, se alguem achar q estou mentindo, convido a visitar o Guia dos Quadrinhos e ver minha coleção. ( http://www.guiadosquadrinhos.com/usuario/gnalmeida/17097 ). No caso de filmes, não tenho escolha, pois cinemas na minha região somente tem dublado, e não consigo assistir assim. Trabalhei 5 anos em uma locadora e vi os efeitos da pirataria no mercado, chegando ao ponto de não haver mais locadoras em minha cidade, isso q tinha 7 antes. Existe varios tipos de pirataria, aquele q a pessoa nao pode pagar, aquela que o produto não tem no Brasil, mas a pior de todas é aquela nociva onde o sujeito egoista não quer gastar seu dinheiro pois não reconhece o esforço do artista ou produtora.

  2. Pois é, apesar de consumir bastante leitura online, não consigo deixar de apoiar a editora, se a obra é licenciada oficialmente no país, isso se deve ao trabalho que eles tiveram em adquirir a licença e tudo mais! Confesso que quando entro na página do Facebook da JBC, fico desanimado com o que fizeram algumas pessoas, lotaram a página de notas 1 estrela. Nota ruim pela qualidade? Não… nota ruim pelo atendimento? Não… nota ruim por combater a pirataria? Isso, isso…

    A JBC é cheia de seus defeitos, assim como outras editoras possuem os seus, mas crucificar por isso é demais. E te garanto que a maioria que falou -” ah, não compro mais nenhum mangá de vocês”, na realidade nem compram, tudo blefe; e eles tem que entender que a JBC não vai fechar os sites de Scans, ela vai somente banir as séries que ela licenciou… Ou seja…

    Vamos supor que alguém ainda não conhece Promissed Neverland… o mangá tá lá, podem ir ler e conhecer (recomendo, aliás)… Ele não será banido, mas vamos supor que a JBC tenha os direitos e comece a públicar o título hoje, a exemplo… Tivemos muito tempo pra conhecer não? E ele só sairá do ar após a publicação, não é nada errado.

    E tem mais, é só baixar pdfs em inglês ou espanhol, eu tenho vários mangás em español no PC, se eles forem lançados eu já terei conhecido, e irei comprar. Esse fanbase colecionadora do país vai de mal a pior…

    No mais, concordo com os comentários!

    😀

  3. Vale ressaltar que a JBC não fez uma caça as bruxas com os scans, tudo foi direcionado a apenas uma, que cobra por “seus serviços” com um VIP que o povo paga por ser baba ovo. Se não me engado o próprio Cassius falou no Twitter que eles estavam indo em cima apenas da P…. justamente porque ela cobrava pelos mangás.

    Muito do que essa scan bota em seu site não é ela que faz e sim outras scans que não cobram pelo que fazem(digo isso baseado na scan que faço parte). Eles roubavam “projetos grandes” de scans menores para que assim pudessem aumentar o rendimento de seu site. Cheguei a ver um dos integrantes da P…. dizer:
    “Nós somos os responsáveis pela divulgação do mangá tal no Brasil”
    Um dos integrantes da P…. largou o emprego em uma grande empresa para se dedicar somente ao site, isso mostra que o que eles ganhavam não era apenas para pagar o servidor de hospedagem como faziam muitos crer. E ainda não entendo o porque diabos pagar um VIP para não ter propaganda se apenas o plugin ADBLOCK elimina isso.

    Eu sou a favor do que a JBC fez, mas não vou negar que não consumo materiais que saem dos scans, principalmente de séries que não tive oportunidade de colecionar como OP, HxH, Shingeki no Kyojin, FT e algumas outras que não foram publicadas no Brasil ainda. Mas também quando são licenciadas eu paro de ler online para acompanhar os volumes fisicos, como fiz com My Hero, Magi e Nanatsu.

    Seria bom que as editoras fizessem reposição de seus estoques de tempos em tempos para que coisas assim não ocorram, se não me engano a NewPop reimprime seus títulos as vezes mas não tenho certeza, então porque a JBC ou Panini não poderiam? Porque não fazer uma reimpressão de HxH que muitos tem vontade de ter a coleção? Porque não reimprimir os primeiros volumes de OP ou até mesmo Claymore(que desapareceu do mapa)? Se isso ocorresse duvido muito que scans como a P…. teriam tanto lucro como eles tiveram.

    • bartts, acho que a Panini tá fazendo isso, primeiro foi Akame Ga Kill e agora é One-Punch Man que tá chegando de novo nas bancas. A JBC fez com o cão e o outro cão que guardam as estrelas.

      Você falou algo que realmente tá na cara e só não vê quem não quer. A Project realmente pega mangás de outras Scans e cobra por isso. Basta ler na outra Scan, que é a que lança. Eu mesmo adoro a Gekkou, e alguns mangás da Project leio por eles.

      Alternativa sempre tem, mas também sempre tem os babacas que só querem reclamar…

    • Acho que uma grande diferença está nos catálogos e nos títulos. A NewPOP não tem tanta coisa para reimprimir, e como ela nunca deixou esgotar fica ainda mais fácil. Agora pensa a Panini e a JBC ter que reimprimir coisas de 2007 ou 2006.

      Também não sei se é tão simples assim apenas reimprimir. Não sei quanto tempo dura uma licença. É só lembrar que a JBC demora bastante em alguns relançamentos por ter que negociar novamente.

      Mas concordo, se as obras não esgotassem tanto, os scans teriam menos publico possivelmente.

  4. Atualmente deve ser bem difícil alguém não consumir pirataria no Brasil, digo mais, acho até que muitas vezes consumimos sem nem saber que é pirataria. Isso vai desde a caneta comprada na papelaria da esquina até as roupas “de marca” que você compra sem saber que é falsa.

    No mercado otaku então, nem se fala! Os eventos são cheios de lojinhas clandestinas vendendo todo tipo de bugiganga (colares, armas de brinquedo, espadas falsas, esferas do Dragão, bonecos, camisetas, DVDs, etc.) que duvido muito que tenham os direitos autorais pagos. Quem ja teve oportunidade de ir até a galeria Sogo no bairro da Liberdade em SP sabe que aquilo é praticamente uma 25 de Março otaku.

    Vale lembrar que fansub também é pirataria não é mesmo? Levanta a mão aí quem nunca assistiu um anime por fansub! Não tem! Infelizmente o mercado brasileiro não nos da muitas opções e como somos uma terra de “espertalhões”, bota arrumar desculpa pra defender a pirataria!

    O que quero dizer é que o pessoal está tratando os scans como se não fosse pirataria. Num momento em que a JBC está apenas fazendo o que se espera de uma empresa do ramo.
    O que não se pode negar é que o mercado otaku pirata ou não é o que traz mais “clientes” pra essas empresas.

    Será que em nenhum momento as editoras deram uma olhadinha em um site de scans como a Project pra ter uma “ideia” do que a galera anda curtindo ler ultimamente. Será que as umicas formas de se escolher um título pra ser licenciado são os rankings de venda?

    Os dois mercados pirata e original sempre conviveram e vão continuar a conviver.

    Eu leio scan atualmente e vou continuar lendo e também vou continuar comprando o que puder pra colecionar e também pra ajudar, o problema é que nem todos pensam assim.

    A questão de cobrar um serviço de scan na minha opinião até demorou a aparecer, pois como disse somos espertalhões. Há alguns anos deu um buchicho muito parecido com o Punch por criar uma area vip no seu site de fansub. Novamente repito, até demorou a aparecer cobrança em scans.
    Ou voces acham que a tradução porca feita no mesmo dia em que o mangá sai no Japão é apenas pra ajudar os miguchinhos otakus? Em parte até é, mas como não tem almoço de graça, acredito que isso é pra aumentar a quantidade de views no site. Ah porque o scan tal, lança no mesmo dia!

    A galera tá ganhando sim e não adianta ficar de mimimi pra cima da JBC, ela como empresa do ramo tem muito mais direito que qualquer scan “feito de fã pra fã”.

  5. Assim como os consoles de games conseguiram, no mínimo, retardar um pouco a pirataria (senão bloquear ela completamente); da mesma forma que o Spotify, o Netflix, os Telecines plays e os sistemas de e-book (das lojas) deram uma “quebrada” na pirataria, cabe às empresas do ramo otaku pensar em algo revolucionário nesse sentido. Algo que torne o mercado “licenciado” maior que o pirata, porque hoje, ainda é o contrário.

  6. Eu achei mais engraçado a reação da galera para com isso. De repente começou a chover gente falando que a tradução é porca, que a qualidade de tudo é porca, que ninguém quer formato de luxo (mesmo que na Amazon por exemplo, sejam os mais vendidos) e outras coisas.

    Ninguém ignora os benefícios da pirataria, mas ainda é pirataria né. Como o Trevisan disse num tweet dele, você pode fazer e usar, mas se tirarem isso de você, não reclama. Você não tem o direito de reclamar, afinal.

    “Ah, mas os mangás não vão vender sem os scans” E outra coisa, o que realmente populariza mangás aqui é o anime. É claro que muita gente conhece por scans, mas é um grupo pequeno, e dá pra provar isso com vários exemplos. Eu já lia Erased muito antes do anúncio do anime, e nunca vi uma alma penada pedir por ele antes disso. E sim, fansub também é pirataria, mas não vem ao caso pra essa galera que fala que sem scans não tem mercado.

    Isso bateu um pouco com o assunto do último podcast do AoQuadrado, sobre pagar por arte. Dá pra ver muita gente que não quer pagar por arte (e provavelmente não paga) reclamando, mas se elas produzissem algo, duvido que não iam querer sua parte. É bom usufruir daquilo de graça sem considerar o lado do autor.

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