Comentando o Volume #124 – The Wicked + The Divine vol. 01

“Ser imortal não signifca viver para sempre”

Chegou a fria terça-feira de inverno e com ela o segundo post da nossa maratona de resenhas, dessa vez vai ser o CoV de uma HQ que eu estava louco para ler já tem muito tempo.

The Wicked + The Divine, uma HQ americana escrita por Kieron Gillen e ilustrada por Jamie McKelvie. A obra começou a ser publicada pela Image Comics em 2014 e possui atualmente 31 capítulos com 5 encadernados fechados.

No Brasil, TW+TD chegou em 2016 pelo selo Geektopia, uma aposta da Novo Século em quadrinhos (ela que já vinha publicando os livros da Marvel). Até o momento apenas o primeiro encadernado foi lançado no país, mas a editora já avisou em suas redes sociais que o segundo está sendo trabalhado e deve vir ainda em 20170.

A cada 90 anos, aproximadamente, doze deuses reencarnam no corpo de jovens adultos. Eles são carismáticos, perspicazes e atraem grandes multidões. São capazes de levar qualquer um ao êxtase. Há rumores de que podem realizar milagres. Eles salvam vidas, seja metafórica ou concretamente. Eles são amados. Eles são odiados. Eles são incríveis. E em menos de dois anos estarão todos mortos. Isso já aconteceu uma vez. E vai acontecer de novo…

Acho que a primeira coisa que vem na cabeça de alguns é: putz, mitologia de novo?

Eu sei que de certo modo esse já se tornou um assunto bem batido e muito utilizado, quem aqui nunca leu uma história com isso? Podemos ir desde os clássicos Hércules e o Olimpo, até mas recentemente várias releituras como Percy Jackson. Nos quadrinhos temos desde os asgardianos da Marvel com Thor até mesmo Saint Seiya e seus deuses.

Mass confesso que essa proposta de The Wicked + The Divine conseguiu me surpreender e conquistar demais, honestamente, acho que é possível até mesmo dizer que é um tanto inovadora na forma de trabalhar divindades mitológicas.

A primeira coisa que já me chamou a atenção foi a questão da imortalidade. Os autores deram uma nova interpretação para o termo. Os deuses são imortais, mas só vivem dois anos entre os mortais em ciclos de 90 anos. A segunda sacada disso é que não estamos lidando com uma religião/mitologia específica, longe disso, todas estão representadas aqui: Susanoo, Lúcifer, Amaterasu, Sakhmet, Odin e Baphomet são apenas alguns dos que aparecem aqui.

Ou seja, a cada noventa anos temos doze deuses aleatórios que reencarnam em pessoas jovens. A idade também é aleatória, uma deusa possui 12 anos enquanto outros possuem 20, o único fato em comum é que todos vão morrer em até dois anos.

A história se passa em 2014, nossa época atual de certa forma. Atualmente 9 deuses são conhecidos do público, isso mesmo, eles são celebridades no mundo e se declaram abertamente como deuses.

Alguns jornalistas e especialistas dizem que são farsas, apenas um bando de crianças mimadas que leu sobre mitologia no Wikipédia e agora arrastam multidões em shows pirotécnicos e falsos milagres. Outras pessoas mais crentes ou “de muita fé” (como Lúcifer adora repetir) acreditam com todas as forças que eles realmente são deuses e que podem lhes trazer o êxtase.

Aqui temos uma sacada genial dos autores (mais uma): todos os deuses lembram celebridades reais. Lúcifer é o David Bowie, Amaterasu é Florence The Machine, Odin é o Daft Punk e é impossível não olhar Sakhmet e não lembrar da Rihanna.

Ok, tudo isso é legal, mas e a história? O que é que desenvolve ela? Bom, vou dar um breve spoiler do primeiro capítulo para poder explicar a experiência de leitura.

Pois bem, nossa protagonista é Laura e ela é uma fã. Uma garota que segue os deuses onde eles vão. Até o dia em que ela conhece Lúcifer e acaba entrando nos bastidores do “Panteão”, nome utilizado pelos deuses para seu grupo. Só que após uma tentativa de assassinato contra os deuses, Lúcifer é presa e julgada (nota, o julgamento é fácil uma das melhores cenas da HQ). Em meio a muitas provocações e ameaças a cabeça do juiz acaba explodindo e Lúcifer jura que não foi ela quem fez.

Aqui começa a história de Laura, a única pessoa que acredita na inocência da deusa e que tenta de todas as formas encontrar o verdadeiro culpado. Mas claro, sem nunca esquecer que Lúcifer é o pai (mãe nesse caso?) das mentiras.

Esse é o tom que a história toma, principalmente nesse primeiro volume. Se para o público os deuses se mostram de uma forma, nos bastidores não é bem a verdade. Eles são egoístas e querem viver suas vidas, afinal, só possuem dois anos. E eles vão viver, mesmo que para isso tenham que matar uns aos outros.

Não se enganem ao pensar que a trama vai ficar apenas nisso de “Quem matou o juiz?”, na verdade isso é apenas o estopim para uma guerra interna dentro do Panteão.

Os personagens são incríveis. A gente sente a atração por eles, nós entendemos toda a adoração que eles recebem e percebemos que é merecido. Lúcifer é maravilhosa, eu me apaixonei. Baal é poderoso, imponente e convincente, o mesmo podemos sentir em Morrigan.

A trama nos prende, nos faz querer ler o próximo volume, e na falta dele nós voltamos a reler o que já vimos. Queremos continuar mergulhados naquele universo.

O final desse volume é surpreendente. De certo modo esperado, mas ainda assim me surpreendeu. Parece louco não é? É aquele tipo de coisa que tu termina com um “eita porra”, mas que pensando bem, faz todo sentido, na verdade já vinha sendo deixado bem claro ao longo do volume.

E a arte dessa HQ gente? Que coisa linda. Personagens estilosos, super bem desenhados. Cenas fortes e impactantes que enchem os olhos.

O trabalho da Novo Século não deixa por menos: capa dura maravilhosa, excelente impressão nas cores e uma boa tradução e revisão. Filé mesmo. O preço original é de R$ 59,90, mas a média da HQ tem girado em R$ 35 muito bem pagos, com calma se acha pelos R$ 28.

Honestamente, essa provavelmente vai ser minha melhor leitura em 2017, sério mesmo. Fazia muito, mas realmente muito tempo que eu não sentia tanto prazer num quadrinho. Fazia muito tempo que uma história me fazia reler ela tanto. É aquele tipo de HQ que dá gosto de colocar um Bowie para tocar, sentar na poltrona com uma xícara de café e ler, mas ler com prazer e toda a calma do mundo.

O segundo volume deve sair agora no segundo semestre e eu não vejo a hora. Dessa vez não vou demorar para comprar.

E se eu fosse vocês, comprava logo também.

 

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5 comentários

  1. Desculpe a expressão, mas caralho, melhor que Maus? Se bem que, pelo estilo não dá pra comparar muito não!

    Enfim, como ainda não li, não posso falar muita coisa além do que você comentou, mas já estou com uma vontade do caramba de comprar!

    E é o que estávamos conversando ontem, eu ainda não peguei nenhum título da Image que seja ruim, TODOS, sem exceção são muito bons, talvez tenha relação com a criação da editora, pois os roteiristas se sentem mais livres para fazer suas criações (recomendo tu dar uma olhada, caso não conheça).

    Olhando a colorização de TW+TD, só consigo lembrar de Saga, que é algo desse nível, pra cima. Ótimo post!

    • Você mesmo disse, não da para comparar muito. Agora, se eu for colocar todos no mesmo patamar de qual me agradou mais, TW+TD fácil esse ano.

      Mas realmente, como falei pro Yohma, todos os Image que peguei esse ano estão entre minhas melhores leituras.

      Sabe o que é mais incrível ainda? Pensando com calma, por enquanto não tem nenhum mangá entre minhas leituras favoritas desse ano. Cada vez mais as GN tem pego mais minha atenção.

      • Acho que muito por causa da “fórmula”. Mangás tendem a ser mais engessados em suas demografias, as GN “atiram pra todo lado”. Mas confesso que não é de hoje que eu venho me interessando mais por GN tbm!

        E vai por mim, Saga, Outkast, East of West, Wytches, Paper Girls, Rat Queens (pra tu que curte RPG), são GN mais que boas!!!

        O próprio The Walking Dead veio de lá! Spawn tbm!!

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