Comentando o Volume #125 – Akira vol. 01

Como todos vocês já sabem, eu recomecei o Itadakimasu em maio de 2015 para falar sobre coisas das quais eu sentia falta de ver nos outros sites de mangás, seja em ver mais analises de obras ou simplesmente de ver alguém falar alguma coisa além do “mais do mesmo” de sempre. Naquela época esse título já estava anunciado pela JBC, porém com tantos atrasos, somente agora chega a vez de falar dele.

Akira, obra máxima de Katsuhiro Otomo que foi publicada entre 1982 e 1990 nas páginas da Young Magazine e concluído com 6 volumes encadernados. Considerada por muitos como um dos “mangás máximos” da história, a obra teve um aclamado filme em animação no ano de 1988.

No Brasil, Akira desembarcou pela primeira vez em 1990 pela editora Globo num formato que lembra muito as Marvel/DC mensais que vemos nas bancas, era toda colorida e com leitura ocidental. Ao todo essa coleção teve 38 volumes, então imagem o tamanho, chega a dar quase 7 edições para fechar 1 volume original. Em 2015 veio a grande surpresa e em seu aniversário de 20 anos a JBC anunciou Akira em seu formato original. Todos sabem a demora que foi, então nem vou me espichar mais história.

O fato é que ele finalmente chegou, vamos esquecer todas as demoras e ficar apenas no que interessa, sua edição nacional.

A pessoa que lhes escreve esse post é um completo leigo em Akira. Sério mesmo, quando fui ler online a JBC anunciou e acabei deixando para ler o físico, quanto ao filme assim como GiTS nunca me chamou muito a atenção ver a animação, e com a publicação próxima, novamente optei por esperar. Por isso eu chego na edição com a cabeça super zerada, sem spoilers e sem imaginar nada.

Eu falei no começo do post que uma das coisas que me fizeram criar o Itadakimasu era ver as poucas resenhas se tornarem mais do mesmo, tudo que eu lia era sempre a mesma coisa. Akira é um exemplo disso, tudo que eu tenho lido e visto é “Nossa, Akira é suprassumo dos mangás” ou “Akira é lendário e maravilhoso“. Tá, mas porque? Porque ele é tudo isso?

Bom, eu li, minha primeira experiência com Akira. Terminei o volume, refleti um pouco para digerir o que li, então peguei de novo para ler.

Akira é muito bom realmente, desde o começo a gente consegue perceber que estamos lendo algo “especial”. O pessoal que está acostumado a ler muito consegue notar essas diferenças sutis já de começo, já nas primeiras palavras e textos. Vocês devem entender do que estou falando, também devem sentir quando uma narrativa é mais certeira, quando a imagem é mais explicativa ou quando a obra começa a nos agarrar já nas primeiras páginas. Akira é assim.

Porém em minha visão de quem não sabe ainda o que esperar do resto da história, admito que Akira não se tornou ainda nesse primeiro volume um “suprassumo” para mim.

Embora com muita ação, achei o ritmo do mangá um pouco lento. Ele é um volume de muita apresentação, apresenta personagens e cenário, coloca muita informação e mistério, mas não dá grandes evoluções. Passamos a maior parte do tempo acompanhando o protagonista caindo de paraquedas em meio a uma grande conspiração que envolve terrorismo e exercito, mas nada evolui de forma realmente explicativa.

 

Ah Haag, mas é apenas o primeiro volume“, ok, eu sei disso, só que é um primeiro volume de 357 páginas e em uma série de apenas 6. Confesso que esperava um pouco mais de evolução.

Mas também não posso dizer que não me empolguei. Esse volume criou dois lados de forma bem feita, temos o protagonista e o vilão bem definidos, o autor conseguiu encerrar o volume nos dando a um motivo realmente válido para o protagonista se envolver na batalha, se antes ele apenas “caído de paraquedas”, agora ele tem um motivo, uma ambição para enfrentar todos. Da mesma forma vemos o provável vilão se mostrar poderoso e com uma perspectiva de evoluir ainda mais.

Algo que me chamou muito a atenção é facilidade de leitura. Ghost in The Shell eu levei duas semanas para ler, era muito texto e informação, aquilo enchia a cabeça e cansava o leitor. Akira é gostoso de ler, ele vai contando a história, vai andando e quando o leitor percebe já acabou o volume. Sério, quando peguei na mão pensei que ia noite a dentro lendo, que nada, uma hora sentadinho com uma xícara de chá e esta terminada a leitura. Bem gostoso e divertido, sem tentar ser super detalhista. Talvez isso tenha me deixado um tanto “enfraquecido” sobre Akira. Talvez eu estivesse esperando uma explosão de cabeça a cada página e o que encontrei foi um mangá contando sua história.

Concordo que o potencial é monstruoso, me deixou realmente empolgado para ler o resto e entender o motivo de ser tão exaltado. Acredito ser bem possível que quando terminar eu irei vir aqui (2020 ainda terá Itadakimasu?) e dizer que se tornou um dos meus mangás favoritos. Mas isso vai ser quando acabar, ou daqui 1 ou 2 volumes. Olhando apenas esse primeiro exemplar, é sim diferenciado, mas não é o suprassumo ainda.

Não é que eu esteja querendo ser o diferentão, só que lendo esse primeiro volume eu não consigo dizer que foi minha melhor leitura em 2017 sem me sentir mentiroso. Vocês sabem que eu falo sempre exatamente o que senti no mangá, e em Akira 1 foi apenas isso, um mangá muito melhor que o normal, mas que para mim ainda está abaixo de outras coisas que li esse ano. Vou esperar ler o resto antes de bater no peito e dizer “É o melhor de todos os tempos“.

Agora o trabalho da JBC e novamente vou ser o chato corneteador.

Não vou reclamar da guarda da capa, acho que a editora já explicou o suficiente sobre isso para que ninguém mais encha o saco. Também esqueçam essa coisa chata de “ah, mas não traduziram as orelhas“, isso também já foi explicado demais.

Vamos conversar sobre outras coisinhas que me incomodaram e eu não sei até onde a JBC foi obrigada ou não a fazer dessa forma.

As páginas coloridas são meu maior problema, não gostei delas. O papel couché ficou destoante de desnecessário demais para mim, tanto Blame! quanto GiTS possuem páginas coloridas direto no lux cream e são maravilhosas. As guardas também são coloridas e estão muito bonitas no papel que foi utilizado. Então precisava mesmo do couché? A página com o título ali de cima ficou comida no meio, poxa, todo o trabalho de qualidade e demora em Akira para ter esse tipo de defeito? Deixa isso para Saintia Shô de 14,90, não para “o lendário” Akira.

Outra coisa que me incomodou nas páginas coloridas foi a imagem de baixo. As letras ficaram vermelhas sobre um fundo verde, isso atrapalhou, sou meio cegueta e senti elas meio embaçadas. Vejam bem a foto, eu não dei efeito nem fiz nada, só bati ela numa boa iluminação. Pode ser um pouco de frescura minha, mas acho que Akira é uma obra que se falou e se trabalhou tanto, que pequenas frescuras não são aceitáveis. Alguém poderia ter pego e dito “mas essa fonte não poderia estar numa cor melhor?”. Simples.

Tem uma leve transparência no papel, algo que novamente GiTS e Blame! não apresentam. Mas também nada que incomode demais ou vá fazer você querer queimar a obra, está dentro do normal e aceitável. Ótima impressão, as cenas estão fortes e bem nítidas, não encontrei erros de português ou pelo menos nada que tenha saltado aos olhos. Ok, o “Por que parou? Parou por quê?” é idiota e o tipo de piada que tem a cara do Del Greco, não precisava. Mas convenhamos que quando esse é o tipo de coisa que nos incomoda, é um bom sinal sobre o resto da obra.

O fato é que eu recomendo Akira por sua importância, ainda mais para os fãs de cyberpunk.

Ah Haag, mas custa R$ 69,90” Eu não disse que era barato, mas ele vale sim. Eu já vi a americana pessoalmente e a da JBC não está devendo em nada para ela. De qualquer forma, você consegue fácil, atualmente a média é de R$ 45 e com promoção está ficando na casa dos trinta e poucos, é menos do que um big em offset. Sinceramente, achem outra desculpa para não comprar Akira, pois o preço não é mais motivo para alguém deixar de comprar hoje em dia.

De qualquer forma, é um marco para o mercado de mangás. Não interessa o quão hater você é com a editora, ter uma edição 100% brasileira de Akira sendo vendido em nossas lojas é algo que até 3 anos atrás era inimaginável.

Confesso que me animou ter colocado ele na estante.

Anúncios

4 comentários

  1. As páginas em papel couchê tem na edição francesa, eu já vi um review de uma mulher no YouTube mostrando a edição francesa da Glénat. As cores vermelhas da fonte são exatamente assim.
    Akira é um dos melhores mangá já feitos, minha opinião, é claro. Adoro o desenvolvimento do mangá, você vai gostar bastante dos próximos volumes. Não é o meu favorito, nem o melhor (na minha opinião, BLAME! é o melhor mangá já feito!, sem mais nem menos), mas Akira entra fácil no meu top 5 de mangás.

  2. Também tenho alguma coisa aqui e outra ali pra reclamar, mas muito eu acho que é por estar com e expectativa muito alta. A JBC “cozinhou” a gente por 2 anos inteiros falando que os japas estavam fazendo exigências mil e que os japas isso, os japas aquilo, então, o primeiro “defeito” já salta aos olhos, é meio que inevitável.

    Não curti as páginas coloridas, aliás, sou bem chato com páginas coloridas, mas especialmente quando estão em outro tipo de papel, como em Bleach.

    Dessa vez a JBC acertou na sobrecapa, não gostei muito da textura da sobrecapa de GiTS.

    No mais, eu acho a obra fantástica e até atemporal, parece que foi escrita recentemente, quando na verdade é de 1980!!

    Agora eu pergunto, qual vai ser o review de amanhã? 😛

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s