Comentando o Volume #127 – A Voz do Silêncio vol. 02

Enfim sexta-feira e enfim o bendito CoV saiu.

Chegamos no segundo volume de A Voz do Silêncio. Embora eu vá falar um pouco da história, vou focar muito mais sobre a qualidade física da NewPOP, já que quase não falei disso no primeiro.

Bom, se o volume 1 era muito mais um “grande flashback”, nesse segundo temos a história realmente começando.

Shouya finalmente encontrou Shouko para pedir desculpas e foi interessante essa questão do reencontro deles. Depois de tudo que a garota passou, um simples pedido de desculpas não é o suficiente para resolver tudo.

Se a gente for analisar de modo mais “frio” esse volume, ele não é sobre os protagonistas e sim sobre as pessoas ao redor deles, e essa é uma sacada bem interessante. O problema não é mais apenas da Shouko perdoar o Shouya, o maior problema são todas as vidas que foram afetadas por aquela “brincadeira de criança”.

A mãe do Shouya que foi humilhada, a mãe da Shouko que se tornou uma pessoa séria após tudo que a filha passou, a irmã mais nova que finge ser um garoto para poder proteger a mais velha. No próximo volume teremos outras pessoas que também tiveram sua vida afetada com tudo que aconteceu na escola, e isso mostra que aquele papo de “é problema deles, eles que se entendam” é muito leviano, pois isso atinge várias pessoas e não apenas os dois envolvidos.

Temos nesse volume 2 cenas que eu gosto demais que mostram exatamente isso o quanto outras pessoas são envolvidas sem que a gente perceba.

A primeira é quando a mãe do garoto pergunta o motivo pelo qual ele tentou se matar. É uma cena que a autora tentou dar um clima de comédia, mas ainda assim tem um peso forte quando percebemos como aquela decisão dele teria impactado em sua família caso ele realmente tivesse feito.

A segunda cena é quando eles encontram a garota depois de ela ter desaparecido. A mãe dela entrega um guarda-chuva para ele, mas antes de ir embora ela diz: “Não importa o que você faça, isso nunca vai apagar as coisas que ela passou“. Embora ele já estivesse pensando nisso, fica mais forte quando alguém joga essa verdade na cara dele. Ele pode sim tentar fazer o certo agora, ele pode sim tentar ser alguém que vai sempre apoiar ela, só que isso nunca vai apagar o que ele fez, aquela cicatriz vai existir e mais para a frente nós vamos ver as consequência que isso ainda vai acarretar.

A Voz do Silêncio tem uma história que dá gosto de ler, a narrativa prende e apaixona, já li e reli tantas vez e mesmo assim não me canso.

Agora vamos conversar um pouco da NewPOP já que eu me esqueci disso no outro post.

Está bom, mas não tá perfeito. Os erros gramaticais e de digitação comuns da editora ainda estão ocorrendo, no primeiro volume tivemos algumas faltas de virgula, pontuação ou mesmo a presença de palavras escritas erradas.

Claro, não chegam perto de Helter Skelter e das novels em número de erros, eu mesmo só notei depois numa leitura mais critica e procurando os erros, ao menos comigo a narrativa e a história conseguiram me prender ao ponto de “esconder” eles numa leitura mais relaxada. No segundo volume novamente foi isso, erros que eu só identifiquei procurando com mais calma.

Ah Haag, como que você não percebe uma palavra escrita errada” Então, vocês já fizeram aquele jogo dos códigos nas palavras erradas? É um texto escrito com palavras embaralhadas, mas que a gente consegue entender sem precisar decifrar, pois o nosso cérebro identifica elas baseado no contexto da frase e das letras. É o que ocorre aqui, a frase está escrita “obrigado Deus por me nandar uma criatura assim” e por estar no ritmo da leitura automaticamente a gente lê o “mandar”.

Claro, isso só funciona quando não temos tantos erros como em Helter Skelter, pois eles passam mais despercebidos, ainda mais com as imagens chamando ainda mais nossa atenção. Óbvio que isso não redime a NewPOP de estar fazendo um trabalho patético, mas pelo menos está longe de ser grave.

Tenho visto algumas criticas pelo formato, aquela velha lenga lenga de “tamanho pocket mata a arte“. Bom, isso é ridículo, ainda mais que no Japão os mangás são pequenos, logo a NewPOP está trabalhando com a arte o mais próxima do original. O que realmente mata a arte é espichar ela, é tão lógico que não entendo como alguém acha normal.

Também vi falarem que algumas cenas ficaram “pixelizadas” (é assim a palavra?) demais, principalmente quando aparece o uniforme escolar. Notei isso também, embora não tenha me incomodado. Antes de fazer besteira e dizer que é erro da editora, pesquisei sobre outras edições do mangá e para minha surpresa (ou não) descobri que a arte é realmente assim. Tanto em scans quanto nas fotos de outros volumes que encontrei a cena é igual, realmente o efeito que a autora utiliza é aquele ali mesmo e fica estranho.

No geral, eu não tenho muito o que reclamar da NewPOP, A Voz do Silêncio está sendo uma obra que está dando gosto de comprar, me diverte, me emociona e ainda faz isso com uma qualidade boa e um preço razoável. Na minha opinião pessoal, é uma das melhores relação custo x beneficio do mercado de quadrinhos.

Recomendo demais, comprem essa maravilha. É o melhor “mangá normal” de 2017 com toda certeza.

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