Review #88 – Claymore

Hoje é quarta-feira e esse post deveria ter saído ontem, mas eu me empolguei escrevendo e não terminei a tempo, hoje era pra ter saido mais cedo, mas a internet não ajudou. Só que agora vai, com vocês Claymore finalmente.

Claymore, obra de Norihiro Yagi, começou a ser publicada em 2001 nas páginas da extinta Monthly Shonen Jump e depois continuou na Jump Square (substituta da revista). Em 2014 ela chegou ao final com um total de 155 capítulos e mais 4 extras, todos compilados em 27 volumes. Também recebeu em 2007 uma adaptação em anime pelo estúdio Madhouse.

No Brasil, Claymore desembarcou 2009 pela Panini. Conseguindo manter uma boa periodicidade (pelo que vi, sem sustos ao menos), a obra chegou ao final na metade de 2015.

Todo mundo é um completo caos, o mundo dominado por “youmas”, criaturas perigosas que se alimentam de humanos. As Claymore, guerreiras meio-humanas e meio-youmas criadas por uma organização secreta, são as únicas capazes de enfrentar e destruir essas criaturas. Elas possuem uma enorme espada, cabelos loiros e olhos diferenciados, são conhecidas como as “bruxas dos olhos prateados”.

Por qual motivo, razão ou circunstância eu demorei tanto para ler Claymore? Não sei. Um pouco vem pela dificuldade em comprar, todos aqui sabem o parto que é achar ela para vender, um outro tanto se deve ao fato de eu não ser um dos maiores fãs de scans.

De qualquer forma, nada justifica o sacrilégio que é não ler essa obra.

Antes de mais nada, quero quebrar um rótulo que me fez chegar na obra, mas que hoje considero injusto. Todos aqui já devem ter escutado alguém dizer que “Claymore é o Berserk com saias“. Mas não, Claymore é Claymore (com o perdão da redundância), ele não precisa se comparar a outro pois consegue sozinho entrar na lista de obras incríveis. Eu diria mais até, na minha modesta opinião de quem leu ambas pela primeira vez, Claymore é muito melhor que Berserk.

Bom, a história nos prende desde o começo. Acompanhamos Clare, uma Claymore que é contratada para salvar vilas que estão sendo atacadas por youmas. Em uma destas vilas ela acaba salvando Raki, um garoto cujo irmão era na verdade um youma disfarçado. Porém o garoto é expulso de sua vila, já que ninguém consegue acreditar que ele realmente não sabia a verdade sobre o irmão. Abandonado, Raki começa a acompanhar Clare na caçada aos youmas. Isso afeta a garota, pois pela primeira vez ela não é vista como um monstro e sim como uma pessoa.

Numa analise mais critica, a impressão é que no primeiro volume o autor ainda não tinha nenhuma ideia de que caminho ele iria tomar com Claymore, tanto que ele até tinha iniciado dando uma história de infância para Clare bem similar a história de Raki. Mas isso logo passa na metade do segundo onde ele faz uma “volta no tempo” e dá um passado definitivo para a garota e que vai dar todo o tom da história dali em diante. Honestamente, isso passa despercebido e sem muita importância, só dá para notar mesmo quando você está sendo mais critico na leitura.

Nesse flahsback de uns 3 ou 4 volumes o autor apresenta tudo sobre a obra. Quem vai ser a vilã, qual a ambição da protagonista e algumas respostas para suas atitudes. Tudo isso é feito perfeitamente.

Ai chegamos no final do quinto e começo do sexto onde outra coisa me incomodou. Ele destruiu a imagem que tinha criado da Clare.

Nos dois primeiros volumes nós vimos a protagonista como forte e poderosa, alguém que não era derrotada com facilidade. Só que ai quando acaba o flashback e voltamos para a época atual tudo é desmontado, o autor cria um ranking dentro das Claymores e adivinhem: a Clare é a última. Foi demais para mim, ok ela não precisava ser a primeira, ainda mais depois de vermos a Teresa e a Priscila como absurdos de força. Só que também não precisava o último lugar, fez parecer bizarro a força dela nos primeiros volumes.

Mas a gente continua, ignoramos as mudanças e começamos Claymore do zero. E é maravilhoso.

Fazia tempo que eu não lia uma história com “começo/meio/fim” tão bem definidos quanto em Claymore. Tirando essas duas mudanças no começo apenas para encaixar melhor a história, todo o resto é exatamente bem feito. Ele não se perde, ele não esquece nada. Tudo é milimetricamente explicado, tem o seu quando e o seu motivo. Ninguém foi esquecido ou escanteado, a gente não sente o “protagonismo” e nem mesmo a mão do autor em nenhum momento, as coisas fluem super naturais.

Os arcos/fases vão passando levemente, eles vão vindo ao natural e cada vez acrescentando um pouco de respostas no mistério central da trama, até que lá pela metade nós já sabemos tudo e vamos aos desfechos. Essa é a melhor parte do mangá para mim, o autor “começa a terminar a história” bem cedo, por volta do vigésimo volume ele já começa a fechar as pontas e encerrar as tramas em aberto. Se for pensar bem, é quase 1/3 do mangá apenas para começar a encerrar tudo.

Essa é uma das melhores coisas em Claymore para mim, ela nos passa a impressão de que foi toda planejada e seguiu exatamente o planejamento. Ela não corre para fechar todas as pontas, ela apenas conta a sua história.

Aqui vou dar comentar algumas coisas, então pule para a próxima linha se não quiser saber spoilers do último volume.


O final é incrível demais, sério, o fato da Teresa ser o verdadeiro despertar da Clare foi de certo modo genial. Tudo se encerrando em uma batalha entre a Priscila e a Teresa, enquanto uma se transformava em um monstro, a outra mais parecia um anjo.

Conversando com algumas pessoas, notei que muitos acham que que a obra ficou com pontas soltas, mas eu particularmente não concordo muito.

Alguns perguntam “Mas e como ficou a grande guerra no continente?”. Na verdade isso nunca teve nenhuma importância, ela serviu apenas para ser o motivo da organização realizar a pesquisas com despertados e criar assim as Claymores. Tanto que quando elas deixam o Louvre ir embora é com o aviso de que não vão se meter na guerra, elas vão viver em paz no mundo delas e não querem saber mais deles. Por isso a guerra nunca importou.

Outros questionaram “E o resto dos youmas?“, a própria Miria fala nas últimas páginas que elas vão caçar todos que ainda existem. E isso já responde a pergunta de “O que elas vão fazer agora sem a organização?, simplesmente vão continuar caçando, dessa vez para ajudar as pessoas de verdade.

Por fim a última pergunta que é a que mais vejo “A Clare e o Raki ficaram juntos?“. Embora essa vá muito mais da interpretação de cada um, para mim a resposta óbvia é que sim, não é necessária uma cena de beijo para deixar claro que o casal ficou junto, ainda mais com todas as informações dadas ao longo do desfecho. “Quais informações Haag?“, primeiro que a gente sempre viu o Raki como alguém que queria ser digno da Clare não apenas como amigo, isso desde o começo é nítido no garoto. Faltava a “reciprocidade” da garota, até então obstinada em sua vigança.

Só que nos últimos volumes isso aparece, primeiro com ela dizendo que queria viver com suas amigas e com ele, depois tem a Teresa dizendo que via por qual motivo a Clare desejava se entregar para o Raki. Por fim, quando a Clare volta ao normal ela vai até ele e embora a cena não mostre, dá a entender que abraça ele. E se tudo isso não é suficiente, a última cena mostra que ele seguiu viagem ao lado dela, mostrando que mesmo tomando outro caminho de suas amigas, ela continuou com ele ao seu lado.

Em nenhum momento Claymore mostrou romance, por esse motivo acho que o autor não iria mostrar de forma tão explicita.


A arte do mangá é muito boa, não chega a ser tão detalhada quanto em Berserk ou obras do Masasumi por exemplo, mas ainda assim é muito boa para um shonen.

Algo que me chamou muito a atenção na arte de Claymore foi a falta de sexualização das personagens. Sem querer criar polêmicas nem nada, mas quando eu peguei a obra eu tinha certo receio disso, afinal é um shonen com garotas como protagonistas, e bom, conhecemos bem a fama dos japoneses quando juntam essas duas coisas. Porém o autor não seguiu essa cartilha, não tem poses exageradas e fora de contexto, as roupas das guerreiras são praticas e não mini-saias com salto alto. Desde o começo o autor disse que elas tinham uma “coisa nojenta” na parte da frente do corpo e que só foi ser revelada no penúltimo volume, então desde o começo ele deixou claro que não teriam nudes frontais, não teria peitos na história. E isso me conquistou ainda mais.

A qualidade da Panini é boa, o meu mangá é usado e ainda assim está bem conservado e sem páginas caindo.

Infelizmente é complicado indicar Claymore pela dificuldade em encontrar para vender, eu paguei R$ 380 na minha coleção e até já achei outra para vender, mas isso foi muito mais sorte. A verdade é que eu recomendo ela com certeza, é um ótimo shonen de lutas, tem uma história muito boa e bem contada sem se enrolar demais. Se não conseguirem comprar, recomendo darem uma lida online, ela vale bastante a pena.

Para mim, com certeza vai ser uma das melhores séries que li e comprei em 2017.

Nota: 5/5

PS: A capa do 27 é uma das favoritas da minha coleção.

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1 comentário

  1. Claymore sempre me chamou atenção mas tinha receio, as vezes acreditava ser mais uma daquelas obras mal acabadas com final cheio de furos e etc. Depois dessa review fiquei cheio de vontade de comprar ele, e como te falei lá no face, vai ficar pro proximo ano, pois minha meta até o final de dezembro é completar as series que estão em atraso e ficar em dia com os checklist. Claymore entra nos meus planos futuros, junto com Battle Royale, 20th century boys, Monster e Hikaru no Go.

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