Review #102 – Tokyo Ghoul

Quarta-feira chegando e com uma review que demorou demais. Eu queria fazer uma sequência de posts com TG e com Re, então demorou justamente porque fiquei esperando Re chegar.

Tokyo Ghoul, obra de Sui Ishida e que foi publicada nas páginas da Young Jump entre 2011 e 2014 com um total de 143 capítulos e 14 volumes encadernados. A obra ganhou também duas adaptações em anime, embora a segunda seja apenas filler. Em 2014 mesmo a obra ganhou uma continuação chamada Tokyo Ghoul: Re, mas falaremos dela amanhã.

No Brasil a obra chegou pela Panini em 2015 e entre muitos problemas de qualidade gráfica, Tokyo Ghoul chegou ao final em setembro de 2017.

Gente, se me perguntarem qual foi a obra que mais subiu no meu conceito ao longo da publicação, podem ter certeza que a resposta será Tokyo Ghoul.

Quando o mangá chegou no Brasil, eu comprei por achar a sinopse bacana e por querer entender qual era o motivo de tanto rebuliço por ele. Na época TG vivia uma espécie de “Amor Eterno ou Ódio Supremo”, não existia meio termo nas opiniões sobre a obra.

O problema era que maior parte do haterismo se dava puramente por conta dos fãs. Eu conheço muita gente que deixou de comprar TG por se incomodar com a “propaganda” exagerada que alguns fãs faziam.

Eu acho que isso atrapalhou demais a obra, ao menos no começo eu via nas redes sociais e sites ela ficar muito rotulada como “aquela obra dos fãs chatos” ou puramente “modinha”.

Só que ao longo dos volumes eu fui me surpreendendo demais com a obra, ao ponto até mesmo dela se tornar uma das que eu mais aguardava volumes novos.

A história vai evoluindo gradativamente, o começo é bem lento e o protagonista não é dos melhores. Nos seus primeiros volumes a impressão que temos é de TG vai apenas ficar naquela coisa de “herói que conhece os dois lados” e nada demais.

Mas na metade a pegada muda completamente, o próprio protagonista tem uma mudança monstruosa. Acho que foi aqui que me conquistou, que me fez sentar melhor na cadeira e aguardar o mangá com mais vontade.

A história fica mais pesada e ao mesmo tempo um pouco mais confusa. É muita coisa acontecendo para se acompanhar bimestralmente. Sério, eu só fui entender perfeitamente tudo que aconteceu agora que reli os 14 volumes de uma vez só.

Algo que me chamou muita a atenção desde o começo é que Tokyo Ghoul tem dois protagonistas: temos o Kaneki, o humano transformado em ghoul, e temos também o Amon, um promissor detetive de ghouls.

Desde os primeiros vamos acompanhando a história pelo ponto de vista de ambos. De um lado o ghoul e do outro o policial. Quando ambos se encontram pela primeira vez e o Amon começa a carregar as dúvidas do Kaneki, ali percebemos que o autor cria dois polos para a história. Os dois promissores de cada lado e os dois protagonistas.

É muito interessante como a história de ambos vai correndo junta e de modo igual. No começo temos as mortes, Kaneki vendo a injustiça feita pelos pombos, Amon vendo companheiros assassinados por ghouls.

Depois temos a fase “líder” de ambos, Kaneki querendo proteger os ghouls mais fracos e Amon querendo proteger seus subordinados. Ambos caçando o mesmo inimigo.

Agora, para continuar vou ter que dar spoiler do último volume, então pulem a linha.


Chegamos então no último volume e o reencontro deles, ambos fortes e confiantes em sua força. Ambos respeitando um ao outro, não como inimigos, mas quase que como semelhantes.

Quando o volume termina, depois de toda a batalha decisiva, descobrimos a inversão de pontos que teremos em Re.

Kaneki sendo pego por Arima e levado para o CCG, por outro lado temos Amon sendo raptado pelo Coruja e virando cobaia das experiências. O autor mostra que planeja manter a polaridade, agora Kaneki ira ver o lado do pombo enquanto Amon viverá o lado do ghoul.

Claro, isso é só suposição baseado no fim da obra, mas parece que a história desses dois “iguais” vai se manter em Re.


Algo muito importante para destacar em Tokyo Ghoul (e aqui faço um paralelo com Zetman) é a conclusão da saga.

O autor já planejava fazer Re, mas mesmo assim ele encerrou Tokyo Ghoul. Pode não ser uma conclusão “felizes para sempre” e nem bonita, mas é um final. Temos a conclusão da história do Kaneki, temos a conclusão do Amon, da Anteiko e do Coruja. Descobrimos quem são todos os verdadeiros vilões e os mocinhos. Tokyo Ghoul está encerrado.

Diferente de Zetman, você consegue parar no volume 14 e se sentir satisfeito sem nunca pegar Re. Na obra do Katsura você termina o 20 sem entender nada, precisa de mais explicações, precisa saber o que está acontecendo.

Em TG não, tudo foi fechado. Claro que temos o Re com uma continuação, mas você não precisa se prender nele como uma obrigação para ter um bom final.

Ontem estava conversando com um amigo e ele me comentou como todos os personagens são “úteis”. Na verdade útil não é exatamente a melhor palavra, digamos que todos têm um motivo para estar ali e cumprem esses motivos até onde seja necessário. Não temos nenhum personagem que simplesmente desapareça no meio da história e nos deixe aquele sentimento de “tá, mas e o fulano?”.

Ok Haag, mas e qualidade da Panini?” Certo, vamos falar da Panini.

Muita gente reclama do papel usado na obra, eu já discordo nesse ponto. O papel de Tokyo Ghoul é muito bom na minha opinião, principalmente no começo da obra. Acho que o maior problema da obra está na verdade em questões gráficas como a montagem e colagem dos volumes, por isso tantos “crec crec” e páginas ruim de folhear. Também tive vários volumes com capas tortas e páginas “escapando” delas.

Infelizmente hoje em dia os volumes estão bem difíceis de encontrar, TG é um dos mangás que não era vendido nas megastores (erro que ela está arrumando em Re). Entretanto é um mangá que vejo muita gente se desfazendo das coleções e eu vou dizer que recomendo a leitura para quem quiser ler um bom battle shonen clássico (sim, eu sei que é seinen).

Tokyo Ghoul pode não ser a melhor obra de todos os tempos como os fãs mais fervorosos dizem, porém também está muito longe de poder ser considerado apenas um hype exagerado ou a pior obra de todas. É uma obra muito boa e é isso, vamos apenas aproveitar.

Nota: 4,1 / 5

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7 comentários

  1. Não li as partes que contém spoiler, porém voltarei aqui quando terminar o 14. hahaha
    Eu tenho gostado muito de Tokyo Ghoul. Fui um dos que se desfez enquanto a publicação vinha, pois a qualidade não era tão boa (capa e colagens) e achei que permaneceria assim, o papel não é ruim nao… Lembro do rebuliço que foi essa publicação.
    Mas fui atrás depois de um tempo (pessoas proximas indicando e eu sempre tive interesse na história também, ainda mais depois de assistir um pedaço do anime) consegui os 14 volumes por um preço muito bom, inclusive abaixo do valor!

    Vi que tu considera um battle shonen clássico, e eu já considero um slice of life de terror hahahaha Pois o mangá tem um ritmo (só posso falar até o vol.7) lento e, de certa forma, arrastado, contando a vida do Kaneki desde o inicio da transição e como ele percebe esse maravilhoso mundo novo (intencional) em que se encontra.

    Acho a criação e desenvolvimento de personagens icônica, não por eu gostar de todos os personagens, longe disso. Mas todos eles são desenvolvidos e vão até o fim de seus próprios arcos pessoais.

    O Kaneki eu gosto desde o primeiro volume, e o paralelo q ele faz com os livros que cita durante o primeiro volume são realmente bem feitos. Toda a dualidade de ele não saber quem ele é, para que serve e qual o propósito dele no mundo lembra muito bem o que o autor quer passar: Niilismo. Toda a carga negativa que ele carrega, redução do personagem a um nada, uma existência que nem ele acredita ser possível, uma negação às regras dos Ghouls, que negam as regras dos humanos e todo o fato existencialista que o personagem carrega reduzem ele a tudo e nada, ao mesmo tempo.
    Eu amei a dualidade do “Não pertenço a lugar nenhum, não sou Ghoul e também não sou humano” contra o pensamento do gerente de “Você é ambos”.
    Eu estou ansioso pelo restante do mangá.

  2. Toriko > Tokyo Ghoul! Huehuehue!

    Taí um mangá que nunca me chamou muito a atenção. Não comprei e não pretendo comprar. Não curti o anime também. Quem sabe um dia eu não pegue, mas por enquanto vou passando.

    Mas admito que toda vez que vejo alguém falando bem, bate aquela curiosidade, principalmente tu Haag, que é mais “chato”.

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