Review #108 – Bakuman

Sexta-feira chegou, o post deveria ter ido ao ar ontem, mas eu me atrapalhei e não deu. Felizmente eu tomei uma decisão importante ontem e algumas coisas vão mudar em julho, coisas que vão me fazer voltar a ter mais foco, tempo e principalmente paciência para o blog.

Deixando isso de lado por enquanto, hoje vamos conversar sobre mais uma obra da dupla Ohba e Obata, dessa vez um mangá que merecia um pouco mais de destaque do que o irmão famoso.

Bakuman, obra de Tsugumi Ohba e Takeshi Obata. O título foi publicado nas páginas da Weekly Shonnen Jump entre 2008 e 2012, ganhando adaptações tanto para anime com 3 temporadas, como também para o cinema com um live action.

No Brasil, Bakuman desembarcou em 2011 pela JBC carregando o pesado rótulo de “Dos Mesmos Autores de Death Note”.

Em Bakuman nós acompanhamos a história de dois garotos que decidem se tornar mangakás de sucesso escrevendo para a Jump. Um deles, Mashiro, ainda tem uma promessa de se casar com uma ex-colega quando o mangá dele virar anime e ela dublar a heroína da obra.

Antes de começar a falar da obra, vamos deixar uma coisa bem clara: Bakuman é uma ficção, uma fantasia com toques de realidade.

Você ter lido Bakuman não significa que você sabe como criar um mangá e nem como funciona todo o departamento editorial da Shueisha. Não meus amigos, os autores não se reúnem uma vez por mês na casa do Oda para discutir suas histórias. Não, publicar um título novo não é tão fácil ao ponto de um autor publicar 4 obras diferentes em menos de 10 anos e com certeza os editores não decidem cancelamentos e novos títulos um simples “é bom” e “não é bom”.

Então parem com essa mania de achar que Bakuman é uma “biblia de como escrever mangás”, não é. Assim como ler Kuroko no Basket não vai te fazer jogar na NBA.

Agora vamos falar da obra realmente.

Por mais que na teoria a gente veja dois protagonistas, Mashiro e Shujin formando Ashirogi Muto, a verdade é que apenas o primeiro é o protagonista.

Toda a história de Bakuman é centrada nele, seja como o narrador ou pelo fato de o plot de fundo ser a promessa dele com Miho. Tanto que são raros os momentos solos do Shujin, enquanto o Mashiro tem diversos arcos pessoais.

Inicialmente isso não seria um problema, alguém sempre é o pilar da história. Só que o Mashiro é chato demais, ele é um personagem extremamente chato e mimado, chega a encher o saco a repetição que é feita em cima da personalidade quase infantil dele.

O sonho é legal? Sim, toda a questão dele e a Miho só se verem ao realizar é fofinho. Mas cansa, começa a ser repetitivo e enjooa.

Eu comecei a maratona de Bakuman numa parceria com um amigo (que me abandonou no meio da leitura (que decepção Jeferson)) e o que mais comentavamos ao longo dos volumes era o quanto o Mashiro estava irritante.

A teimosia dele não evoluia em nada, não desenvolvia. Ele era teimoso apenas por ser e ponto, aquilo não trazia uma lição. Com o tempo fica repetitivo e cansa.

E ai entra o segundo defeito de Bakuman: é repetitivo demais, passa do limite. O plot se repete toda hora.

Ganhamos a série com Trap“, ai o Mashiro cai doente e eles perdem a série.

Ganhamos a série com Tanto“, ai tanto é ruim e não querem mais fazer.

Ganhamos a série com PCP“, ai PCP tem um tema delicado e não vai ganhar anime.

Toda hora que as coisas pareciam se encaminhar, vinha algo que jogava um balde de água fria e recomeçava do zero. E para vocês terem uma noção do quão repetitivo é, eles criam PCP no volume 10, é recém metade da obra e eles já repetiram o plot por três vezes.

Não por menos os melhores momentos de Bakuman são justamente os momentos em que o sonhos é esquecido na história.

Principalmente após o volume 13, onde temos um vilão sendo colocado na história e acompanhamos o Ashirogi Muto tendo que acabar com ele em dois momentos. Esse vilão nos faz debater sobre ética e profissionalismo, é algo bem bacana.

Outros momentos interessantes também são coisas que colocam o “sonho” de lado. Tem a história do casamento do Shujin, tem a hora que o Eiji decide encerrar Crow ou o Hiramaru tentando se declarar para a Aoki. São momento divertidos e empolgantes, justamente por não serem uma repetição de coisas que já tinham sido feitas antes.

Ok Haag, então Bakuman é ruim?” Longe disso, ele é muito bom, porém enrolado demais.

O melhor na série é que não temos arcos gigantes. Todas as tramas são contadas em no máximo dois volumes e isso faz as coisas acontecerem. Até por isso a série tem tantos altos e baixos, pois acontece tanta coisa que tem muitos erros e acertos ao longo dos volumes.

Os personagens são outro espetáculo a parte. Tirando o Mashiro e a Miho, todos os outros são apaixonantes.

As comédias do Hiramaru (como não se emocionar com ele pedindo pra fazer ele feliz?), o profissionalismo do Hattori, as loucuras do Fukuda. Como não amar o Eiji? Ou a Myoshi? Todos são tão cativantes.

Tem também algumas referências curiosas escondidas nos personagens.

Ashirogi é obviamente eles mesmos, dois autores que criam seus mangás (tanto que Reversi é um Death Note praticamente).

O Eiji é o prodígio que criou o melhor battel shonen. Se ninguém lembrar do Oda seria um milagre.

Hiramaru é o outro gênio raro, mas que odeia trabalhar e no fim acaba se casando com outra mangaka. Alguém mais viu o Togashi?

Para quem é mais ligado em outros autores, não me surpreenderia se conseguisse fazer outras ligações.

As obras também são interessantes, algumas dão realmente vontade de ler. Semana que vem vou trazer um Top10 com as obras de Bakuman que mais queria ler (e que provavelmente seriam melhores que Platinum). Até rolam algumas curiosidades nessa parte.

No começo do mangá, uma das primeiras obras que Shujin pensou era sobre um humano que ganhava poderes de um anjo, anos depois temos Platinum End chegando em nossas bancas. Mais perto do final da obra o Eiji escreve brincando um mangá sobre baratas alienígenas, isso já era por volta de 2011 e coincidentemente (ou não) era a mesma época em que estreava Terra Formars.

Muita gente reclama do final de Bakuman e eu até dou um pouco de razão.

Eu nem vou criar uma área de spoiler pois acho que dizer o final de Bakuman não é considerado spoiler pois está na sinopse: o Mashiro e a Miho realizam o sonho deles e acabou. E não gente, eu não estou “resumindo” o final, ele é exatamente assim. O anime vai ao ar as últimas três páginas, na penúltima o Mashiro busca ela, na última eles se beijam e acabou.

Acho que por isso o pessoal reclama do final, ainda mais que o anime tem um final muito melhor. No anime acontece mais um monte de coisas com uma espécie de passagem do tempo, vemos o casamento do Hiramaru, vemos um pouco dos outros autores buscando novas séries ou melhorando as atuais, vemos a casa do Mashiro e da Miho e também os quatro protagonistas juntos.

Não é que o final do mangá seja ruim, o que o pessoal critica é que ele apenas encerra o plot e ponto. Toda essa conclusão do anime daria no máximo mais um volume e deixaria a sensação de “completo” mais forte, pois deu destino para todos.

Resumindo, ele é um bom final, mas poderia ter sido muito melhor.

O trabalho da JBC não tem grandes comentários. O mangá é de 2011 e veio no formato brite daquela época, onde eu considerava que tínhamos um brite bem melhor que os de hoje. Não vou mentir, acho feia aquela faixa de “Dos Mesmos Autores”, porém entendo a JBC querer aproveitar o hype de Death Note.

Bom, a minha coleção eu comprei do Mugi que estava se desfazendo, mas mesmo assim não é tão raro assim encontrar anúncios de Bakuman nos grupos de face ou no ML. O preço tem variado bastante entre R$ 180 e R$ 200, o que eu considero bons preços pela coleção completa de 20 volumes. Mais do que isso é desperdício.

Para fechar, meu veredito sobre Bakuman é de que essa obra é bem interessante, como eu disse no começo, não é nenhuma bíblia sobre o mercado de mangás. É apenas uma leitura gostosa de um slice of life que tem muitos altos e baixos.

Nota: 3,8 / 5,0

Ah, e mais alguém notou na parte de Reversi eles dando uma indireta de que Death Note deveria ter parado na morte do L?

PS: Que decepção Jeferson!

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1 comentário

  1. Eu gosto demais de Bakuman, mais que DN e muito mais que PE, mas concordo com tudo que você comentou sobre os defeitos que você colocou.

    Eu tinha comemtado já com você, se eles (Ohba e Obata) tivessem emendado em Bakuman uma série de mangás curtos (2 a 4 volumes ou até one-shots) das séries mais populares de Bakuman, teriam garantido fácil mais uns 10 a 15 anos entre a nata da Jump, mas…

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