Review #109 – Bullet Armors

Bom dia nessa gelada quinta-feira onde minha garganta ainda não melhorou e eu já não aguento mais remédios. Hoje nós vamos ter uma das resenhas mais estranhas da história do blog, então se preparem.

Bullet Armors, mangá de Moritya, foi publicado entre 2010 e 2012 nas páginas da Gessan (que até onde pesquisei nunca teve outra publicação no Brasil). Ao todo a obra teve 29 capítulos que foram compilados em 6 volumes. No Brasil a obra chegou em outubro de 2015 como uma das primeiras obras do selo Ink da editora JBC. Isso mesmo, aquele selo que ninguém entendeu até hoje para que serviu além de dar emprego para o Del Greco.

Por alguma razão, até então desconhecida, o mundo foi invadido por misteriosas máquinas. Também não se sabe quem as construiu mas, curiosamente, elas têm a habilidade de evoluir continuamente. E, no meio desse cenário de incertezas, um garoto louco por esses verdadeiros seres mecânicos, parte em uma eletrizante jornada à procura de seu pai, que há muito desapareceu.

 

Lembram quando isso foi anunciado? O “ótimo” mangá que misturava Fullmetal Alchemist com Hunter x Hunter?

Pois é, eu estou procurando ainda. Será que o HxH é só porque o protagonista também está procurando o pai dele? Será que o FMA é só porque a arma dele é um braço de metal? Então também podemos considerar ele um Cavaleiros do Zodíaco, já que alguns personagens usam armaduras. Ou quem sabe podemos chamar de Alita já que a mocinha é um robô também.

Ora, pela lógica MDG isso faz completo sentido.

O fato é que Bullet Armors não lembra nem de longe nenhum desses títulos, então vamos ignorar essas comparações.

BA é um shonenzão bem na base do clichê, é tão na base que ele se torna interessante por seguir a cartilha. Os personagens tem certa carisma, as lutas são boas com vários golpes especiais e temos um mistério por trás de tudo que, embora não seja nada original, prende a atenção.

Então eu vou ser bem honesto: eu me surpreendi demais quando comecei a ler Bullet Armors.

Sério mesmo, o começo da obra me prendeu bastante. Juro para vocês que o começo é muito bom, a gente vai acompanhando a viagem do Ion e vamos vendo toda a raiva que as pessoas tem não apenas dos Tremors, mas também dos Breeders, pessoas que utilizam o poder das máquinas.

Um dos capítulos que mais me conquistou foi aquele clássico capítulo em que o herói salva uma vila altamente preconceituosa com ele. É extremamente clichê, mas bem feito. O Ion mostra sua determinação, faz as pessoas acreditarem nele, ele mostra que assim como existem Breeders vilões que se entregaram para os Tremors, também existem aqueles que usam seu poder para ajudar.

E ai vem o grande mistérios, sobre o que são os Tremors e os Breeders, conhecemos o grande vilão da história que tem uma arma idêntica a do protagonista. Enquanto Ion tem o braço direito, o vilão tem o esquerdo, e isso trás a curiosidade sobre quem é o verdadeiro dono desses dois braços, de onde eles vieram.

Temos toda uma grande guerra que aconteceu no passado e que o pai de Ion está diretamente ligado. Descobrimos que a mocinha na verdade não é humana e sim uma Tremor. E tudo isso é recém o terceiro volume, nosso hype está a milhão porque a obra está muito boa.

E ai o autor (ou é autora?) muda tudo, cria uma história nova colocando personagens novos. Criando um exército humano e fazendo eles enfrentarem os protagonistas, deixando completamente de lado toda a questão que tinha sido desenvolvida até então.

Ah Haag, isso é normal, só é um novo arco antes da batalha final.” Foi o que pensei também, porém esse “novo arco” durou até o final do volume 6.

Sim, acabou Bullet Armors.

Todo o desenvolvimento criado até o terceiro volume foi esquecido. Todo mistério sobre o que são os Tremors e sobre a grande guerra do passado, quem é o pai do Ion ou o motivo da Selena ter sido criada foram completamente deixados de lado.

Os protagonistas apenas decidem continuar a viagem deles como se nada tivesse acontecido e ponto final.

E isso destrói o mangá, a falta de uma conclusão é a pior coisa que pode acontecer com um mangá pois torna toda a leitura dele inútil. Não importa o quão boa a leitura tenha sido, quão interessante a trama seja ou os personagens tenham carisma. Se tudo isso não levar a lugar nenhum, a leitura é inútil.

Eu falei sobre isso em Opus, que eu me senti enganado pela editora. Quem (na real até imagino) achou que os leitores iriam gostar de ler algo sem final? Quem foi que teve a brilhante ideia de trazer para o Brasil um título sem final e ainda ter a cara de pau de vender ele como “uma maravilha, uma mistura de FMA com HxH”?? Ok, vocês sabem a resposta, mas poxa, é imbecil demais, é fazer o leitor de idiota.

Felizmente eu não gastei muito com essa porcaria, peguei na Saraiva com uma promoção absurda e cada volume custou R$ 2,00. O que já está de muito bom tamanho para Bullet Armors.

Nota: 0,2 / 5,0

Sinceramente, minha raiva nem é com a obra, ela começou interessante e mereceu esses 2 décimos por isso.

Minha raiva é apenas com a JBC, com a pessoa lá dentro que achou que trazer um título assim era uma boa ideia. Não é, é falta de respeito com o leitor empurrar um título desses e não ter nem coragem de admitir que é algo sem conclusão.

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