Comentando o Volume #156 – The Promised Neverland Vol. 01

Chegou a sexta finalmente, aquele dia lindo em que eu trabalho só até as 17h e depois aproveito o final de semana inteiro.

Hoje vamos finalmente falar de um mangá que eu aguardava muito, e ainda comentar esse novo padrão da Panini.

E agora aquele aviso rápido: vai ter spoiler, então se você ainda não leu o mangá, pode pular para a linha onde falo da qualidade.

Yakusoku no Neverland, mangá escrito por Kaiu Shirai e com arte de Posuka Demizu, começou a ser publicado nas páginas da Jump em 2016 e rapidamente ganhou fãs no mundo inteiro, sendo considerado o melhor mangá da revista nos últimos anos (que convenhamos, vinha bem fraca). Ficou mundialmente conhecida pelo título internacional de The Promised Neverland, o mesmo usado pela Panini aqui.

Ela é amada como uma mãe, mas não é uma mãe de verdade. E as crianças que vivem juntas também não são irmãos de verdade. Emma, Norman e Ray vivem felizes em um remoto orfanato, porém, esses alegres dias estão prestes a acabar…

Então, os mais antigos aqui no Itadakimasu sabem que eu nunca li Neverland. Ele era aquele tipo de mangá com publicação óbvia no Brasil (embora eu achava que seria 2019) e por isso fiquei aguardando ser lançado aqui para finalmente ler.

Inicialmente eu imaginava que seria uma espécie de releitura de Peter Pan, sim, por causa do Neverland no nome. Quando li a sinopse pela primeira vez, minha ideia já mudou para algo que envolvia provavelmente experiências em laboratório.

E no fim o mangá não era nada do que eu tinha imaginado.

Mas isso não é ruim, pelo contrário, foi brilhante. Eu tomei um soco na cara pois a história era algo que eu sinceramente não esperava de um Jump atualmente.

A história é bem mais pesada do que eu imaginei encontrar. Ao invés das crianças serem cobaias de um laboratório cruel, na verdade elas são puramente gado. É simples, direto e muito tenso. Logo no primeiro capítulo já descobrimos que na verdade o orfanato é apenas uma fazenda de criação de alimentos.

Mas calma, já me empolguei aqui e botei o carro na frente dos bois, então vamos voltar um pouco.

Começamos o mangá conhecendo o orfanato pelo ponto de vista da protagonista Emma, que é de certo modo nossa narradora central. Vemos toda a felicidade das crianças no orfanato, sua rotina e seus afazeres, todo o amor que eles sentem pela cuidadora Mama. Somos apresentados ao sistema de avaliação e de testes, onde logo somos informados que os três mais velhos são também os maiores prodígios da história do orfanato.

Logo após essa apresentação, uma das crianças mais novas é adotada e vai embora do orfanato. Como ela esqueceu um ursinho que gostava tanto, Emma e Norman resolvem quebrar as regras do orfanato e ir devolver o brinquedo. Só que assim que eles chegam no portão, já se deparam com o corpo da garotinha morta e descobrem que existem monstros no mundo e o orfanato serve apenas para criar alimento para esses monstros. Ou seja, eles não passam de gado que está sendo alimentado e engordado para o abate.

Gente, tudo isso é apenas o primeiro capítulo. Vocês tiram uma noção do ritmo alucinado de Neverland quando tudo isso acontece apenas no primeiro capítulo do primeiro volume.

A partir dai temos então uma espécie de jogo de gato e rato. O trio de gênios (Ray se junta aos dois depois) quer criar um plano de fuga perfeito antes da próxima “adoção”, em compensação vemos a Mama como uma vilã perfeita, ao ponto de sozinha rivalizar com o trio de prodígios.

E aqui entra o que mais me pegou em Neverland. A vilã é extremamente carismática e conquista o leitor até mais que os protagonistas. Desde o começo a Mama sabe que duas crianças foram no portão, ela só não tem a certeza de quem são as crianças, embora desconfie do trio.

Durante os primeiros momentos nós vamos aprendendo que o trio é realmente de outro nível. Toda a inteligência do Ray, a frieza e estratégia do Norman e a agilidade da Emma nos convencem, a gente realmente percebe que os três são o mais próximo possível da perfeição. Ai o autor nos dá uma cena, é um jogo de xadrez em que a Mama desafia eles ao mesmo tempo e facilmente vence, só nessa cena a gente se convence da superioridade dela, só com essa cena o autor nos avisa “ó, eles são prodígios juntos, mas ela sozinha é superior“, e deu, não fica forçado.

Os embates psicológicos são incríveis, não vou descrever eles para não tirar a emoção da leitura, mas vou comentar apenas a cena da encarada pois coloquei a imagem aqui no post. Você está lá, bem de boa lendo toda a reflexão da Emma sobre o que eles estão passando e ao virar a página encontra essa cena em página inteira, a Mama aparece do nada com a cara mais pesada possível. Começa então um embate entre as duas, uma tentando fazer a outra dar algum sinal de que nada está normal. A Mama tenta fazer a Emma mostrar que sabe a verdade, enquanto isso a Emma tenta descobrir até onde a Mama sabe sobre eles.

É de prender o fôlego lendo.

Algo bem interessante é que o autor nos apresenta diversas pistas para se criar teorias. Questões como datas e idades, motivos para algumas ações e comentários que inicialmente não significam nada. Eu queria muito entrar neles, mas acho que os spoilers vão pesar demais, então vou deixar para os próximos volumes esses debates. O ponto importante aqui é que Neverland é um mangá que o leitor tem que pegar duas ou três vezes com calma para encontrar todas as pistas.

Eu entendi finalmente a comparação que fazem com One Piece. Não é por ser um shonen da Jump e tal, é por causa das pistas. Neverland é como One Piece nisso, você tem que estar lendo tudo e refletindo cada fala, aquele comentário engraçadinho e aleatório da personagem secundária lá no canto do quadro pode acabar sendo relembrado dois ou três capítulos depois. Ambos são mangás em que algo acontece e você diz “ah, isso caiu do nada“, mas quando você volta algumas páginas ou volumes, percebe que desde o começo aquilo estava lá, mas você é que não deu importância.


Bom, o post tá longo e eu to me segurando para não contar mais spoilers, então vamos começar logo a falar da Panini e encerrar o post.

The Promised Neverland é o primeiro mangá que estamos comentando nesse novo padrão Panini usando o offwhite. Então vamos separar essa analise em dois pontos:

O primeiro ponto é analisando apenas a qualidade e nisso eu vou cravar: está excelente. “Ah Haag, a capa mole e as folhas que ondulam” A capa tá normal tchê! Compara com qualquer outro título da editora, não tem diferença, se agora tá ruim, então todos os outros sempre foram. Sobre as folhas que ondulam, isso se chama umidade, se você não cuida da umidade na sua coleção então é problema seu. Mangás em offset também ondulam, mangás da JBC também ondulam, até mesmo HQs de luxo em capa dura ondulam, É A UMIDADE! Coloca num saquinho de proteção e pronto, resolvido.

O papel de Neverland é muito bom, é gostoso de folhear, o volume é bem grosso mas não ficou pesado de segurar ou difícil de abrir. Ao menos nesse primeiro volume senti um melhor cuidado da editora com as cenas de miolo, a junção das páginas não estava comendo tanto a arte.

Bom, agora vamos analisar o segundo ponto desse padrão novo e falar do valor dele. Gente, R$ 21,90 não é barato e todos sabem disso. Eu acho que toda a qualidade apresentada compensou o preço, não vamos ser hipócritas, o dólar está a cada dia oscilando entre R$ 3,80 e R$ 4,10, o litro da gasolina está na casa dos R$ 5,00, a economia brasileira está em frangalhos e o Real não vale mais nada. Você achar que tudo isso não iria atingir sua coleção de gibis é ser inocente demais, é ser besta. Sai da bolha meu amigo, por favor.

Lembram que eu comentei diversas vezes que esse novo preço vai nos forçar a ter que ser mais seletivos. Na minha opinião pessoal, comparando todos os títulos que a Panini trouxe nesse formato, Neverland tem que ser a prioridade contra todos os outros.

Esse mangá é muito bom, não sei como ele vai se manter, mas fazia tempo que eu não lia um primeiro volume tão incrível.

Ele não é um One Piece, talvez nunca tenhamos um outro One Piece. Mas acho que dá sim para dizer que ele já é no mínimo um Death Note, ah isso dá sim.

3 comentários

  1. The Promised Neverland foi uma das melhores surpresas desses últimos tempos para mim. Comecei a ler o scan em dezembro (maratonei tudo o que havia em 3 ou 4 dias) e me apaixonei. Achei bacana o subtexto meio vegetariano/vegano (não sei se foi essa a intenção, mas há um conjunto de elementos que estabelecem paralelos interessante com o nosso consumo. O orfanato é um equivalente à nossa granja Yamagishi… obs: sou onívoro mesmo). O primeiro arco é fantástico principalmente por esse embate de mentes e de planos que lembra um pouco (mas acho melhor) a tensão L/Kira (e o segundo arco também se torna bastante interessante por apresentar respostas a alguns mistérios), mas a partir do terceiro a qualidade da trama cai muito, fica parecendo mais shonenzão (não vou dar spoilers), não sei se por opção do autor ou se foi dedo de editores. Nos últimos capítulos parece que a trama está recuperando a qualidade e até a shonenzice parece ter cumprido um papel interessante para a narrativa. Vamos ver para onde isso caminha… O que me parece claro é que o Shirai não quer esticar a história além da conta. Alguns momentos que a princípio ocupam “capítulos demais” para se desenvolver decorrem de um ritmo natural para que as coisas aconteçam sem que os triunfos fiquem forçados demais.

  2. Pra quem está acostumado com One Piece, mais 10 volumes seria pouco. Hahahah. Mas sim, entre 6 e 10 volumes deveremos ter o desfecho (acho que 10 é o ideal pra fechar de forma digna). Engraçado que entre o final do arco passado e o começo do atual houve uma transição que pareceu ter sido contada de modo apressado demais, mas as coisas parecem estar voltando aos eixos.

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