Comentando o Volume #159 – Black Clover Vol. 02

Ontem estava quente, hoje o clima está bem mais agradável. Talvez seja um bom presságio.

Então, vamos falar de coisa boa? Vamos! E sim, essa coisa boa é Black Clover.

Black Clover é um mangá escrito e desenhado por Yuki Tabata, serializado na Weekly Shonen Jump desde fevereiro de 2015, já conta com 16 volumes compilados em tankobon e não tem previsão para finalizar. A obra recebeu um OVA produzido pelo estúdio Xebec e um anime produzido pela Pierrot, originalmente seriam apenas 51 episódios mas por algum motivo, imagino que seja sucesso, ainda está em exibição, também sem previsão para finalizar.

No Brasil, o mangá começou a ser publicado pela Editora Panini em Julho desse ano. A Crunchyroll transmite simultaneamente com o Japão o anime legendado oficialmente por aqui e, na TV aberta, o anime é exibido dublado pela Rede Brasil.

Temos oficialmente Black Clover disponível e facilmente encontrado em formas legais.

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Asta e Yuno são orfãos que foram criados juntos numa igreja localizada na periferia do reino de Clover. Num mundo onde todos possuem poderes mágicos, Asta nasceu sem nenhum. Em contrapartida, Yuno nasceu como um prodígio com poder mágico imenso e com o talento para controlá-lo. A história acompanha os dois garotos que competem entre si para se tornar o Rei Mago, o cavaleiro mágico mais forte do reino de Clover. Mas como Asta pode se tornar um cavaleiro mágico se ele não possui magia?”

Clichê com clichê e mais clichê. Esse é o inicio de Black Clover.
A gente tem todos os clichês básicos de um típico mangá da Shonen Jump: Poderes mágicos, protagonista extrovertido, órfãos, rivais, um grande objetivo a ser atingido e um longo caminho pela frente. É a receita do sucesso!

Acontece que nem sempre o que é clichê é ruim. Afinal, One Piece, Naruto, My Hero Academia, Hunter x Hunter (Serei bastante criticado pelos fãs do anime desconstruidão), entre outros grandes sucessos da Jump, são assim. E, tirando One Piece que é praticamente uma unanimidade quando falamos de mangá bom (e boa parte disso se deve por ele ser um dos precursores da maioria desses clichês), os outros também são bons, mesmo dividindo opiniões e mesmo sendo mais ou menos em qualidade de roteiro.

Então, sim, eu fui ler Black Clover já sabendo que o clichê estaria presente. Isso não é algo que me incomoda e aqui a gente entra num ponto bem importante: O roteiro da maioria dos shonens da Jump é genérico. E isso acontece porque faz sucesso e, querendo ou não, os autores precisam de dinheiro pra se manter.

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Yuki Tabata, no entanto, se sobressai ao deixar bem claro que o mangá é bem comercial, e trabalhar muito bem em cima dos clichês, o que faz com que a gente vá ler simplesmente pra passar o tempo e acaba se surpreendendo com a velocidade com que ele aborda determinados temas e já introduz alguns pontos que possivelmente serão trazidos mais a diante na trama.

Os personagens apresentados nos volumes são muito carismáticos, e a rivalidade entre os protagonistas é bem diferente do padrão, já que eles não se odeiam, simplesmente são irmãos e amigos que se respeitam mutuamente e se espelham um no outro para sempre evoluir.

Até mesmo Asta, o protagonista, que poderia entrar no clichê de personagem fraco com grande potencial não se encaixa perfeitamente nisso. Ele já é forte, porém sem magia. A gente já viu algo parecido com isso em My Hero Academia, mas Deku é um personagem fraco que ganha um poder grandioso e não sabe controlá-lo. Aqui temos um protagonista forte, já que ele treinou fisicamente por anos a fio para poder estar em igualdade aos personagens com magia, que são maioria nessa sociedade.

Sim, ele também ganha um grimório de mago, porém ele não tem magia, o que isso torna ele? Uma aberração. Um personagem que tem o potencial subestimado por todos os personagens e que surpreende ao notarem que, na verdade, ele possui o poder de anular magia e, por isso, não possui poder mágico.

Os dois primeiros volumes dão um belo panorama de como o mundo de Black Clover é expansivo e interessante, reinos rivais entrando em guerra no plano de fundo e uma variedade de magias sendo utilizada de forma bem criativa. Inclusive, um personagem utiliza magia de eletricidade de uma forma que eu não imaginava ser possível e isso me abriu imaginação para as outras magias já mostradas.

O fato é que: Black Clover empolga! A leitura é rápida e agradável, te deixa querendo mais e, quando menos espera, te surpreende. Porém não é totalmente descompromissado, temos algumas críticas bem leves em relação a sociedade, porém não é exatamente o foco, ao menos não até agora.

O primeiro volume é bem dinâmico e já te mostra de cara tudo que o mangá propõe. Existe um sistema que lembra uma mistura de Soul Society, de Bleach, com as Guildas, de Fairy Tail, onde temos Capitães e subordinados diretos, que fazem missões e interagem entre si de maneira divertida e rápida. O Grupo Touros Negros ao qual Asta é designado é cheio de personagens excêntricos e extrovertidos, criando um clima caótico e ao mesmo tempo engraçado. Somos apresentados à maioria dos personagens, sejam os capitães até os membros da realeza, como Noelle, uma das personagens principais que também é uma péssima maga, porém cheia de energia e vontade de aprender.

Já o segundo volume, expande a obra de uma maneira não forçada, concluindo um arco que se iniciou no fim do primeiro volume e iniciando um novo arco bem rapidamente a fim de explicar e demonstrar outros personagens. Tudo é bem explicito e visual, tornando todo o mundo de Black Clover bem palpável.

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A arte é linda, acho que Tabata desenha muito bem, tudo muito limpo e com detalhes necessários, nada de exageros. Os personagens tem proporção e os cenários não são esquecidos, tornando tudo visualmente agradável.

Em relação a qualidade, senti um pouco mais de firmeza na capa do que em The Promissed Neverland, mas segue sendo o mesmo padrão adotado atualmente pela Editora. 21,90 não é exatamente o melhor preço pra um mangá longo que não tem previsão para acabar, mas eu acredito que pela qualidade do produto é adequado.

“Juntou o útil ao agradável” pois eu gostei muito dos volumes e acho que a história tem potencial para melhorar e tomar uma identidade própria, algo que já vejo acontecendo no volume dois. A pesar de ter visto 10 episódios do anime, não sei o que acontece depois então é tudo uma grande novidade pra mim e, esses 10 episodios, correspondem ao primeiro volume.

Se você assistiu ao anime e não gostou muito do estilo narrativo, recomendo que dê uma chance ao mangá, onde a narrativa é muito diferente (E não tem os gritos do Asta). A Pierrot está com aquela mania insuportável de fazer um capítulo por episódio, como ela fez por muito tempo com One Piece, o que é bom no primeiro episódio, mas acaba enchendo linguiça nos outros, afinal são 20 páginas pra 20 minutos, alguns capítulos são praticamente apenas lutas, sem muito desenvolvimento, então já viu…

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