Comentando o Volume #175 – X-men: Equipe Vermelha #01

Quarta-feira chuvosa em Porto Alegre e o serviço maravilhoso de internet indo de mal a pior! Estou aqui, talvez um pouquinho atrasado, mas estou!

X-men, a franquia dos mutantes, é uma revista que vem lá dos anos 60 e que fez muito sucesso em vários momentos, conquistou uma legião de fãs e criou muitas histórias boas, mesmo que tenha criado outras pouco interessantes. Hoje, assim como várias outras séries da Marvel e DC, a equipe está fragmentada em diversas revistas, com autores diferentes e muito mais coisas “ruins” do que “boas”. Arrisco dizer que, mesmo gostando de alguns arcos atuais e algumas revistas, mesmo a fase do Bendis eu achei bacana, a última coisa realmente boa dos X-men principais foi “Surpreendentes X-men” de Joss Whedon. Tom Taylor, autor de Injustice, recebeu em mãos o árduo trabalho de escrever sobre os X-men depois de uma reviravolta nem tão incrível assim: A ressurreição de Jean Grey.

f0375ba3-50a2-4eba-a93a-eeb07b7c7e25

X-men: Red possui arte de Mahmud Asrar e Pascal Alixe. A revista totaliza 11 edições originalmente e foi publicada no Brasil sob o nome de X-men: Equipe Vermelha e teremos duas edições encadernadas compilando todas as originais. O trabalho editorial da Panini está no padrão dos encadernados capa cartão, com miolo em LWC, 156 páginas e no valor de R$ 24,90. Embora a péssima escolha de capa, não deixem que isso afete a decisão de vocês e comprem essa maravilha!

“Renascida em um mundo bem diferente do que se lembrava, Jean Grey reúne aliados que incluem Noturno, Namor e a Novíssima Wolverine para combater uma crescente movimento antimutante que ameaça acabar com o sonho de Xavier. Jean tem uma visão e um plano – mas, primeiro, sua Equipe Vermelha precisa se infiltrar em um complexo ultrassecreto para salvar uma nova mutante misteriosa. Essa nova recruta será a chave para a sobrevivência de toda a equipe conforme um grande confronto estoura na Índia, E quem é o arquiteto que pretende incitar todo o mundo contra o Homo Superior?”

Vou ser sincero, a sinopse me parece extremamente comum e batido. X-men lutando contra os opressores, onda antimutante e cheio de paralelos com os preconceitos e minorias existentes na vida real? Sempre tivemos isso. Porém quando eu comecei a ler já notei que não é só mais uma história dos X-men, mas é a história dos X-men que precisamos, principalmente no contexto político atual brasileiro e mundial.

921a1b65-9b1f-4dbb-a0ff-099cfe1d4003

X-men: Equipe Vermelha começa a narrativa já nos mostrando uma Jean Grey que veio de uma época em que nem ela aguentava mais as coisas pelas quais os mutantes passavam. Ela é uma mutante nível ômega e com tanto potencial que ficava deixada de lado por simplesmente tentar controlar seus poderes, tendo medo de uma recaída com a fênix e não querer interferir em nada efetivamente, aqui ela decide usar os seus poderes na forma máxima pra ajudar todas as pessoas, sejam humanos ou mutantes, mas obviamente tendo como foco a sua própria raça, pois eles são os perseguidos da história.

A forma com que Jean usa seus poderes pra ficar praticamente onisciente durante toda a revista pode parecer forçada, mas logo no inicio a revista já nos lembra que ela é uma das mutantes mais poderosas do planeta, superando o próprio Xavier em questão de poderes psciônicos. Temos várias cenas onde Jean mostra seus poderes e comenta sobre eles, coisas que ela já fez em menor escala anteriormente e que agora é pra valer.

be652431-dab0-4745-9527-23c3559d8b8e

Tom Taylor consegue “criar” poderes até mesmo para humanos comuns, que são âncoras de TV e possuem o poder midiático sobre a cabeça de pessoas que não pensam, apenas agem, que escutam meias verdades e que são manipuladas. Querendo ou não, esse discurso é extremamente atual, vemos ondas conservadoras utilizando de fake news em muitos lugares pelo mundo, principalmente na nossa realidade, no Brasil. O autor não para, em nenhum momento, de criticar toda a forma de mentiras que são contadas como verdades absolutas, seja no momento em que um personagem morre e colocam a culpa na Jean Grey ou quando os personagens claramente dizem que odeiam mutantes simplesmente por serem diferentes.

Jean não mede limites em seus poderes, lê a mente de várias pessoas, utiliza seu poder em grupos antimutantes e cria conexões neurais com seu grupo sem pestanejar. Além disso, mostra que é uma líder mesmo e que nasceu pra isso, sem precisar ficar se escondendo atrás de outras pessoas, a postura dela e seu discurso apenas corroboram para que ela possa fazer isso. Obviamente que o nome Jean Grey causa medo em muita gente, assim como demonstra admiração e paixão, como o caso de Gabby, uma clone de Laura a X-23 que hoje atua como Wolverine. A interação entre Gabby e Jean é extremamente fofa e um dos poucos momentos descontraídos da revista.

f5e14cf4-63de-4227-91a1-d2899a97b0f8

Eu fiquei completamente estupefato com Jean procurando, conversando e pedindo para que as mentes mais brilhantes do planeta a ajudassem a pensar em uma ideia para ajudar seus próprios amigos e colegas. A cena é fenomenal. O discurso dela sobre o planeta estar entrando em um caminho perigoso de medo e violência é perfeito pra representar o que passamos hoje. A cena em que ela mostra para o Kurt seu ideal e o mutante chora agradecendo pela parceria, dizendo que é um ideal lindo e que ela iria irritar muita gente é tocante e bem interessante, mas isso não abala a vontade de Jean.

Ponto altíssimo para a utilização da vilã. Cassandra Nova é uma vilã que surgiu na época dos Novos X-men de Grant Morrison e que eu nunca vi ser tão bem utilizada, nem na época, mesmo gostando bastante do arco original dela. Ela não mede escrúpulos e nem tem medo de matar quem quer que seja pra conseguir alcançar o seu objetivo, ainda que não seja tão claro.

9c5d9a86-43a8-487c-91af-d71d9c90181e.jpg

Recomendo essa revista para todos, sejam leitores de X-men ou não, sejam os que viram os filmes ou os que só viram os desenhos e, até mesmo, para os que nunca leram nada, já que a revista tem um inicio colocando em pauta todas as informações necessárias, seja quem é Jean Grey ou então quem são os personagens que aparecem pela revista como um todo. Obviamente que quem conhece X-men vai pegar algumas referencias e outras informações de forma mais evidente, mas não é necessário ter lido nenhuma outra revista para entender a Equipe Vermelha.

Digo sem medo: Essa é uma das melhores revistas de X-men, claro que com as revistas que temos à volta isso não é muito difícil, mas considero uma das melhores de todos os tempos mesmo. Eu nem me dei conta de que já estava chegando ao fim, tamanha narrativa incrivelmente bem feita e amarrada, geralmente demoro para ler HQs.

Esse encadernado conta com as edições X-men: Red Anual 1 e X-men: Red 1 a 5. O próximo contará com as edições 6 a 11 e concluirá o arco. Estou muito ansioso, me segurando muito para não pegar as edições originais digitalmente, principalmente pela Panini dizer que a publicação é em periodicidade “especial”.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s