Review #121 – Pluto

Bom dia nessa gelada quarta-feira de inverno no RS.

Eu aproveitei o feriado que rolou semana passada para maratonar a obra, então li os 8 volumes em sequência para poder analisar toda a obra sem falhas de memória. Então vamos lá.

Pluto, a terceira obra de Naoki Urasawa a chegar no Brasil começou a ser publicada nas páginas da Big Comic Original em 2003 e foi finalizada em 2009 com um total de 65 capítulos compilados em 8 volumes. Ela tem ainda uma adaptação em anime sendo desenvolvida para o ano que vem.

Baseado em Astro boy, o clássico mangá de Osamu Tezuka, a história de Pluto acontece em uma sociedade futurística em que humanos e robôs coexistem. Na narrativa os robôs mais sofisticados do mundo e os cientistas que os construíram começam a ser alvo de ataques de uma criatura misteriosa e, para impedir que isso continue, Gesicht, um desses robôs mais sofisticados, resolve investigar o caso e descobre que o vilão possui o nome de Pluto. Mas quem será ele e quais são seus reais objetivos?

Antes de mais nada, não irei fazer uma área de spoilers nesse post. Vão rolar spoilers ao longo do post pois eles ficaram bem espalhados e não deu para centralizar tudo. Então o post inteiro é um punhado de pequenos spoilers, mas pelo menos não contarei nem a batalha final e nem o desfecho da obra.

Como eu comentei com vocês no CoV do volume 1, eu gosto bastante das histórias do Urasawa e a forma como ele consegue desenvolver mistérios. Porém, a forma como ele termina suas obras fica sempre devendo e isso me deixou com o pé atrás ao começar a coleção.

A primeira parte dessa minha opinião se confirmou rapidamente, já no volume 1 era possível notar que Pluto estava num nível mais alto que o que estamos acostumados a ver. Ali já se mostrou uma trama forte e reflexiva, que iria nos fazer refletir um pouco mais sobre nós mesmos e nossos sentimentos sobre o mundo.

Comentei naquele post sobre a cena em que uma robô recebe a notícia sobre a morte do marido e como ela foi uma cena incrível. Bom, ao longo da obra temos vários momentos assim, não apenas na tristeza da perda, mas também envolvendo discussões sobre preconceito, amor e rancor. Se de um lado víamos a esposa inconsolável pela perda do marido e o pedido dela para que não apagassem sua memória, por outro lado víamos também pessoas que diziam “antes um robô do que uma pessoa”, como se a vida daquele robô fosse menos importante.

E enquanto víamos pessoas mesquinhas, humanos que queriam poder e destruir os outros, também assistíamos robôs falando sobre amor ao próximo, sobre compaixão e questionando porque ambos não podiam conviver. As cenas em que temos a Uran sentindo a dor e tristeza dos demais são bem interessantes, pois é uma máquina se compadecendo do sofrimento alheio enquanto os próprios humanos ignoram.

Algo que eu amei em Pluto são os personagens, para uma obra de apenas 8 volumes, ela nos trás diversos personagens cativantes e apaixonantes. São personagens que nos apaixonam mesmo sem grandes participações, como o Brau 1859, o (até então) único robô a assassinar um humano. Os momentos em que ele aparece para conversar com algum personagem são impactantes, são reflexivas e nos prendem por conta daquele diálogo inteligente.

E os maiores robôs do mundo? Como não se apaixonar por todos eles? Hércules, North Nº2, Brando, Epsilon e Gesicht, cada um com sua história, cada um com sua humanidade. Impossível não sofrer com a morte de cada um deles, pois cada um tinha algo que significava uma parte da humanidade do todo, cada um representava algo com amizade, amor, família, sacrifício. Mesmo o Atom, que inicialmente não aparece tanto já que vemos tudo pelo ponto de vista de outro personagem, quando assume as rédeas da obra consegue nos convencer de suas motivações, nos faz acreditar no peso que está carregando.

E os vilões? A verdadeira história do Pluto é incrível, toda a trama do Sahad até se transformar em Pluto nos convence. Os planos do Abullah são bem montados e a reviravolta em sua conclusão é tanto esperada quanto surpreendente.

Falado tudo isso, chegamos no grande medo da conclusão e eu posso falar: foi maravilhoso.

Não vou entrar no desfecho e nem na batalha final, vou deixar esse spoiler para lá. O importante mesmo de se comentar aqui é que o Urasawa conseguiu fechar a obra de forma incrível, é uma conclusão que encerra sem deixar duvidas, sem deixar aquele gostinho amargo de “e agora?”, não tem nada disso, a obra fecha e fecha bem. Você termina de ler Pluto e suspira feliz, você sente que valeu a pena toda aquela história.

Pluto terminou e entrou naquela lista de mangás para reler. Ele encerrou sua história tão bem que você coloca ele na estante num ponto bem visível, pois sabe que um dia terá vontade de reler. Mesmo já sabendo o final, você sente que a história vale ser lida e relida. Vale ser recomendada.

Eu amo Monster, mas vou cravar: Pluto é o melhor mangá do Urasawa publicado aqui. E eu me arrisco mais, virou um dos meus 10 favoritos.

Nota: 4,8 / 5,0

E lembrem: Nada pode nascer do ódio!

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