Review #123 – Erased

Bom dia nessa terça-feira povo, finalmente estou reaparecendo aqui.

Andei parado no blog por um motivo “nobre”, acontece que agora em agosto eu vou participar de dois concursos literários e estou na correria para terminar as duas histórias que vou inscrever.

Mas o blog não pode simplesmente ser abandonado e por isso resolvi trazer hoje a review de minha última leitura.

Boku Dake Ga Inai Machi, obra de Kei Sanbe. Foi publicada nas páginas da Young Ace entre 2012 e 2016, sendo finalizada com um total de 8 volumes e depois recebendo um nono tomo com histórias extras. A obra ficou famosa após receber uma animação em 2016 e uma série live-action na Netflix em 2017, ambos com o nome internacional de Erased.

No Brasil ela demorou muito para chegar, sendo anunciada pela JBC apenas em 2018, bem depois do hype do anime e da série. Chegou aqui com o título internacional, mas tendo a tradução do nome original como subtítulo e ficando Erased: A Cidade Onde Só Eu Não Existo.

Nada de bom acontece na vida de Satoru Fujinuma, por isso ele vive sem muito entusiasmo. Mesmo o misterioso fenômeno que o faz voltar no tempo não consegue alterar isso. Porém, um dia, tudo muda… Um grande incidente faz a vida do jovem virar de cabeça para baixo. A morte da colega de classe, uma série de sequestros e assassinatos, o amigo que não conseguiu salvar, o verdadeiro criminoso… Em direção ao momento do incidente do passado, o agora do jovem começa a andar!


Bom, em março eu fiz um Maratonando com os 3 primeiros volumes da obra e falei que, para mim, Erased era facilmente um dos mangás “superiores” em publicação atualmente. Na época algumas pessoas entenderam errado essa minha frase, acharam que eu estava dizendo que Erased é um dos melhores mangás já publicados, mas não amiguinho, não foi isso que eu disse.

Eu falo na nossa atual leva, onde estamos vendo uma chuva de títulos em edições de luxo em qualidade duvidosa, Erased sobra com uma das melhores opções. Desculpa, sei que tem gente que gosta do shonenzinho clichê da temporada ou até mesmo de Boruto, mas acho que se a gente analisar de forma mais crítica, ele é superior a eles. Óbvio que isso depende muito do gosto de cada um, uma pessoa que gosta de romance vai preferir Wotakoi!, é justo. Porém acho que qualquer um que fizer uma lista com 5 melhores lançamentos do semestre, Erased estará em quase todas as listas.

Entendido isso, vamos para a obra.

Eu comentei naquele post que um dos defeitos da obra era o excesso de texto, que o autor não conseguia refletir na arte o que queria e por isso precisa carregar em textos explicativos. Felizmente isso reduziu consideravelmente ao longo da obra e fez com que a obra fluísse melhor.

Em compensação isso me apresentou outro problema na obra: fluiu até demais. O mistério ficou fácil demais, tanto que no quinto volume já não tinha mais como enrolar e o assassino já é revelado.

Tirando o nono volume que é extras, faltam ainda 3 volumes para o fim da obra e nós já sabemos quem é o assassino. Então chegou um ponto em que eu senti o autor me enrolando para ganhar mais material, sinceramente, o que foi contado nos volumes 6 até 8 poderia facilmente ser resumido em apenas dois tomos, inclusive acho que o sexto volume é pura enrolação, temos dois capítulos praticamente iguais sobre a carta de um personagem.

Em compensação, é bem bacana ver como o autor amarra as mudanças no tempo que o Satoru causou. Um exemplo são os personagens que ele salvou no passado, as crianças que teriam morrido. Como que a existência deles teria impactado o mundo? Uma solução bem interessante que o autor usou foi o fato de dois deles terem se casado, então de certo modo, a existência deles não impactou em pessoas de fora, o “dano temporal” se manteve fechado no mesmo grupo. Mais para a frente eu vou falar do nono volume e explico melhor algumas pontas.

Mas então chegamos no oitavo volume e o grande embate final entre Satoru e o assassino (que obviamente não direi quem é).

Eu preciso falar, ainda bem que eu só tinha assistido o anime. Eu disse antes que a animação foi em 2016 e como esse também é o ano da conclusão do mangá, alguns podem achar que o anime adaptou tudo, mas não, o anime foi exibido alguns meses antes do mangá finalizar. Em outras palavras: não é o mesmo final.

E nossa, o final do mangá é muito, mas realmente muito melhor do que na animação.

Ambos se separam por volta da metade do volume 7, por mais que eles apresentem o mesmo assassino, a conclusão e embate final são bem diferentes. Na versão do anime eu senti que foi um pouco mais leviano, no mangá o autor amarrou melhor as pontas e fez o desfecho combinar com toda a história.

Acho que essa é a maior diferença, no anime o final não parece combinar. Até assisti ele novamente antes de escrever esse post, para comparar bem e ter certeza de não falar besteiras. Realmente a diferença é muito grande, na animação eles fizeram o embate ser rápido demais enquanto no mangá tem toda uma “batalha psicológica” entre eles até finalmente se olharem frente a frente. Outra mudança significativa é que o vilão está mais “cruel”, mais vilanesco no anime do que no mangá, isso é algo que muda demais todo o contexto, com esse vilão mais “malvado”, a discussão dos dois não tem o mesmo impacto pela falta de sentimentos.

E para coroar bem, temos o nono volume da obra, um volume extra com cinco capítulos que nos mostram pontos de vista de outras pessoas em determinados momentos. Esse tomo serve para amarrar algumas pontas que ficaram.

Comentei ali em cima sobre a forma que o autor “arrumou” as linhas do tempo e o fato de dois personagens terem casado, para quem lê a história de primeira, fica meio forçado a guria ter “abandonado” o Satoru para casar com outro, mas quando pegamos esse volume 9 e vemos tudo acontecendo pelo ponto de vista dela, as coisas vão se encaixando.

Vemos outros pontos de vista em momentos diferentes da obra, tem um capítulo ótimo da mãe do Satoru comentando como ela está vendo o que ele está fazendo, isso é muito interessante, pois durante toda a série a gente tem a impressão de que os adultos não estão vendo o que ele está fazendo, mas ai esse capítulo nos mostra que a mãe dele sempre esteve ali, sempre dando a liberdade para ele fazer suas escolhas, mas pronta para assumir qualquer responsabilidade.

E bom, temos um último capítulo que emociona e que casa com o último capítulo do volume 8. Tanto um quanto o outro mostram o mesmo dia, mas cada um visto por um dos personagens que se encontram na última cena, é incrível, a gente vê como um chegou naquele lugar e depois vemos como o outro chegou, para no fim os dois capítulos terminarem na mesma cena e encerrar a obra. Valeu muito a pena.


E o trabalho da JBC?

Vamos comentar pouco aqui, no geral está muito bom, as páginas coloridas em Lux Cream são lindas, as cores estão bem vivas, bem fortes. As capas internas coloridas são legais, pois elas refletem as capas externas mas com alguma mudança, casando com a ideia de interferência no tempo.

Tem erros de português, encontrei alguns bem chatos que saltam aos olhos na leitura. Coisas como “Vocês ainda não recebeu NENHUM visita” e que poderiam facilmente ser identificadas numa simples leitura antes de enviar para a gráfica. Isso não se resumiu só aos primeiros volumes, aconteceu nos últimos também, coisas bem bestas e que dá para evitar só de ler, eu não precisei reler nem nada, uma única leitura e achei, é por isso que não aceito esse tipo de erro, parece que ninguém leu o mangá na editora.

Outro trabalho bacana é que no original tem um “jogo” entre a sobrecapa e a capa, enquanto a sobrecapa mostra uma cena, na capa temos a mesma cena alterada pela mudança temporal. Então as vezes é um personagem que saiu da cena ou que apareceu, ou um item que foi mudado de lugar. A JBC conseguiu manter isso ao colocar na capa a cena que seria da sobrecapa original, enquanto colocou a outra imagem na última capa interna. Desse modo, você lia toda a história do volume, via a mudança temporal e encerrava o volume vendo a capa alterada. Foi bacana, algo bem pensado e que merece o destaque como um acerto.

Um ponto bem interessante para comentar é que ele de certo modo é a primeira publicação completa na nova distribuição e isso foi muito legal.

A editora começou a publicar em dezembro e finalizou ele em junho. Foram 9 volumes lançados em sete meses e deu, obra completinha na estante. Se tivesse lançado mensal, o mangá só estaria terminando em agosto, se fosse bimestral, recém estaria ganhando seu quinto volume. Ganhamos então entre dois e dez meses de publicação nesse novo formato.

Ah Haag, mas ai eu fui obrigado a comprar tudo quando lançou“, desculpa meu amigo, mas não foi obrigado a nada, você comprou porque quis. Todos os volumes de Erased ainda estão disponíveis na Amazon, então não vem dizer que tinha medo de esgotar. Sinceramente, quais mangás da JBC esgotaram nos últimos tempos? Poucos e mesmo assim foram repostos, então parem com essa lenda urbana de que os mangás da editora acabam e você precisa comprar no dia do lançamento. Já faz tempo que não é assim, então parem de compartilhar isso como se fosse verdade.

Ontem tinha um cara no Facebook dizendo que não ia comprar um mangá da editora pois tinha medo dela cancelar, mas quando foi que a JBC cancelou algo? Tirando Futari H em 2011, não tem outro, então parem com esses exageros.

Eu acabei desvirtuando o assunto, mas o fato é que o mangá saiu por etapas e se encerrou bem rápido. Quem comprou quando saiu, está bem feliz com seus volumes na estante e quem preferiu comprar aos poucos, também está bem feliz com todos eles disponíveis nas lojas. Ou seja, todos ganharam e a publicação foi um sucesso.

Honestamente, Erased: A Cidade Onde Só Eu Não Existo foi um acerto imenso. Demorou muito para chegar no Brasil, mas quando chegou, veio como merecia. Deu gosto de comprar e ler, recomendo demais para quem quiser.

Nota: 4,3 / 5,0

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