Review #12 – Death Note Black Edition

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O que é justiça?

Terça chegando e a Review voltando depois de uma semana ausente e tudo por culpa desse mangá. Como nenhuma série da minha coleção chegou ao final nessas semanas, precisei reler alguma para resenhar, e acabei demorando por isso. 😛

Bom, Death Note é um mangá da dupla Takeshi Obata e Tsugumi Ohba (mesmos criadores de Bakuman) e foi publicado nas páginas da Jump de 2003 até 2006, finalizando ao todo com 12 volumes. Também recebeu uma (controversa) adaptação para anime com 37 episódios.

No Brasil o mangá foi publicado pela JBC no formato normal em 2007, e em 2013 foi relançado na sua edição Black Edition, que hoje é chamado de “formato Big”, tendo 2 volumes compilados em 1, sendo finalizado com 6 volumes. Além de ter tido novels e especiais também publicados por aqui.
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Sou fã de Death Note, é fácil um dos meus 5 mangás favoritos em minha coleção (talvez perca apenas para Kenshin, mas é Kenshin né). Foi o primeiro mangá que eu realmente sentei para ler naquela coisa do “formato japonês e mimimi” isso em 2009 quando um amigo me emprestou. Porém só agora com o relançamento é que consegui ter essa obra na minha estante (e graças a minha namorada perfeita que me deu de presente). Vou tentar evitar os spoilers, mas tem coisas que é necessário falar para poder analisar o mangá.

A obra (se alguém ainda não conhece) conta a história de Light Yagami, um estudante que certo dia encontra um Death Note, que como o nome sugere, é um caderno da morte, com a capacidade de matar todos aqueles que tiverem seu nome escrito nele. Com posse desse caderno, Light decide livrar o mundo de todas as pessoas más que cometam crimes, e assim se tornar o deus da justiça desse novo mundo criado por ele. Porém, para realizar esse sonho, primeiro ele precisa se livrar daqueles que não concordam com seu pensamento e que o consideram apenas um serial killer, como a policia japonesa e o mundialmente famoso detetive L.

Vou começar analisando a qualidade antes da obra. Nessa versão Black Edition, a JBC caprichou bastante. Como eu disse antes, são 2 volumes em 1, então é um mangá grosso, quase um livro. O papel é gostoso de folhear e bem firme, infelizmente não encontrei em nenhum lugar qual é o papel usado. Ele tem páginas coloridas no começo de cada edição, além de ter os freetalks dos autores e uma galeria com as capas dos volumes originais. Aqui vem um ponto negativo, a meu ver erro da JBC, essas galerias de capas estão em preto e branco, poxa, Death Note tinha capas lindas, poderiam ter colocado coloridas (falo das capas que aparecem no final do volume).

Já li DN umas 10 vezes sem mentira, e essa última releitura foi interessante, pois procurei ler de modo mais critico, e acabei percebendo algo que me passava despercebido.DEATH_NOTE_BLACK_EDITION_A3_1375361255B

A história é eletrizante, com diálogos inteligentes e bem construídos de forma a tentar prender o leitor. O “elenco” central que seria Light, L, Misa e Ryuk é cativante, são personagens que conquistam quem está lendo e até mesmo nos faz querer que tudo termine bem e todos vivam felizes. Os personagens secundários também conseguem se desenvolver dentro da trama sem chamarem muita atenção e as mudanças na história, principalmente na primeira fase, vão acontecendo de modo rápido e ágil, mas sem parecerem forçadas.

Entretanto, é quase que unanime que a qualidade do mangá decai demais em sua reta final, mais precisamente após a morte de L. Acho que o detetive é um personagem muito forte na obra, desenvolvido de maneira a ser praticamente a mesma pessoa que Light, como se os dois se completassem. Já Near e Mello não conseguiram ser tão cativantes quanto L, talvez muito disso por precisarem viver com a comparação.

Confesso que sempre achei que a culpa da queda de qualidade fosse por causa disso, mas dessa vez criei outra opinião sobre o verdadeiro motivo: a desconstrução de Light e da história.

Desde o começo nós já sabíamos que Light não iria vencer, por mais que o rótulo de “vilão” não exista em Death Note, Kira não é o tipo de personagem que vá realizar seu sonho no final da obra. Após a morte de L, Light se tornou deus, ninguém mais poderia com o nível em que Light estava, poderiam ser criados diversos sucessores de L, não iria funcionar, pois eles não passavam de sucessores. Então o que fazer? Simples, rebaixar Light ao nível dos sucessores.

Light se tornou burro na reta final do mangá, nem parecia mais o mesmo personagem. Erros idiotas voltados apenas para o final, ignorando completamente tudo que já tinha sido criado sobre Light até então, por diversas vezes eu pensei: porque ele não fez isso? Porque ele não matou fulano? Toda uma construção de personagem foi se desfazendo apenas para que ele pudesse ser derrotado.
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Ao mesmo tempo, as deduções de Near começaram a ficar cada vez mais forçadas. Ok, sei que ele é excepcional, mas mesmo assim forçava demais. Informações começavam a ser deixadas de lado por puro “é assim e ponto”, claro, ele tinha sua linha de investigação que apontava para Light, certo, porém quando ele encontrava uma barreira sólida montada por Kira, ele simplesmente ignorava e já sabia o que tinha acontecido, sem nenhum pensamento elaborado como era feito no inicio da série.

Death Note em sua reta final virou um “Light vai perder” e deixou de lado muito do que tornou a série incrível.

O final é bom, independente dos erros para chegar nele, o final consegue convencer a todos e dar um desfecho digno para Light e sua ambição. Porém sempre vai deixar aquele gostinho de “poderia ter terminado no L”. O Mugi comentou esses dias que Death Note poderia ter se encerrado no volume 7 (ou 4 da Black Edition) com um empate entre L e Kira, e eu também acho, seria provavelmente a melhor opção.

Mesmo assim, Death Note é uma das minhas séries favoritas e leitura obrigatória para qualquer colecionador. Só não vou dar o 5 por causa da escorregada na reta final.

Nota: 4,99 / 5

A versão antiga é difícil de encontrar, até tem quem venda na internet, mas eu recomendo que comprem a Black Edition mesmo, a Saraiva volta e meia vende com desconto e várias lojas ainda tem. O preço original é R$ 39,90, mas você encontra em lojas por R$ 30,00 e até R$ 20,00.