Review #66 – Batman: Arkham Knight

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“Seus pedidos egoístas mataram seus pais. Espero que o filme tenha valido a pena.
Ganhou pipoca e jujubas ao custo da vida da mamãe e do papai?”

Mais uma quarta começando e hoje trazendo a Review de um livro que ganhei de natal da minha namorada. Hoje vamos falar do belo, mas não tão bom, livro negro do Batman.

Batman: Arkham Knight é originalmente o quarto e último jogo da franquia de games Batman: Arkham e foi lançado em 2015 para PC/Xbox/PS4. No mesmo ano ele recebeu uma adaptação para literatura escrita por Marv Wolfman.

Em 2016 a obra chegou ao Brasil pela Darkside numa edição bem interessante e com tradução de Alexandre Callari, editor da Panini/DC no Brasil e dono do canal de vídeos Pipoca e Nanquim.

Vamos começar por um principio básico aqui: essa é uma adaptação de outra coisa. Temos várias adaptações em nossas livrarias, desde os livros Marvel publicados pela Novo Século até a própria Darkside trazendo de games e filmes. Mesmo em nosso meio de mangás, não é raro vermos a adaptação de obra que são originalmente novels ou até animações (Another, Steins;Gate).

Então mesmo levando em consideração que adaptações tendem a ter menos informações que suas obras originais, acho que Arkham Knight não consegue ser uma boa adaptação. O primeiro ponto disso é justamente as informações: em um jogo que tem uma média de 6 até 9 horas de jogabilidade, eu achei que 260 páginas é pouca coisa para narrar o que está acontecendo sem parecer corrido e leviano.

A história se passa um ano após a morte do Coringa e de seu corpo ter sido cremado. Todos esperavam que a cidade acalmasse após a morte do palhaço, mas é Gotham e o que mais existe são pessoas querendo o posto do vilão. Eis então que surge o Espantalho e seu gás do medo, capaz de destruir toda a cidade. Cabe ao Cavaleiro das Trevas evitar os planos dele.

Inicialmente eu pensei “Porra, o vilão do livro é o Espantalho? O cara é tão insignificante que não apareceu em nenhum filme até hoje“. E realmente, ele está longe de ser um dos mais icônicos vilões do Morcego. Porém ele de certo modo convence e seu plano é até mesmo bom.batman_arkham_knight_1456954879564825sk1456954879b

Porém ele não é o único vilão, e eu diria até que deixa de ser o central, pois temos o surgimento do misterioso Arkham Knight, alguém forte e que de alguma maneira sabe absolutamente tudo sobre o Batman. Não apenas seus pontos fracos na armadura, como também a sua identidade secreta.

Se tudo isso não fosse o suficiente, descobrimos também que o Batman foi infectado com o sangue do Coringa antes da morte do vilão, e que aos poucos sua sanidade vai sumindo, dando lugar para a personalidade bizarra do Palhaço do Crime. Em outras palavras, Bruce Wayne está virando seu maior inimigo.

As cenas em que o Batman começa a ter alucinações com o Coringa são bem interessantes, assim como seus confrontos com o Knight. O problema é que tudo isso só começa a acontecer da página 110 em diante, EM UM LIVRO DE 260. A primeira metade é apenas introdução, enquanto a segunda metade tem tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo, que chega a se tornar corrida e cansativa.

Por originalmente ser um jogo, nós vemos diversas missões que não fariam sentido num livro tão curto. Temos milhares de cenas do Batman enfrentando capangas, pois é o que acontece num jogo de ação, você enfrenta vários capangas. Porém num livro isso fica cansativo e repetitivo, chega um ponto em que você pensa “lá vem mais uma leva de capangas“. As cenas se repetem como se repetiriam no jogo, desde aquela infiltração tendo que acertar o tempo dos inimigos, até a sequência de saltos para não errar. Uma vez é interessante, cinco ou seis cansa.

O final também é meio corrido, além de parecer meio sem sentido, eu só fui entender o que tinha acontecido depois da leitura e de pensar com calma.

Se eu fosse descrever de um modo direto: muita coisa pra pouco espaço. Se o livro tivesse 350/400 páginas, talvez o autor conseguisse trabalhar melhor a história e não deixar tão direto e corrido. É muita ação e pouca história.

Mas se o livro é “chato”, não podemos reclamar em nada do belo e fantástico trabalho da Darkside. Eu não tinha nenhuma obra da editora na minha coleção, mas já ouvia falaram muito dela. No momento em que abri o pacote eu já me apaixonei.

O livro é todo negro por fora, na capa não tem nada escrito, apenas o logo do morcego em baixo relevo, ele só apareceu na foto de capa porque dei flash na foto, se olhar a de baixo vão ver que ele não aparece. A lobada é a mesma coisa, não tem cores, apenas o título e o nome do autor em baixo relevo também.

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A beirada das páginas é negra também, mas dentro elas são normais. O papel eu não consegui achar a informação, parece polén, mas não tenho a certeza. Só sei que ele é muito bom, é grosso e bom de folhear.

Sinceramente, virei fã da editora. A qualidade física deles é impecável.

Mas infelizmente a história não ajudou, e por isso Batman: Arkham Knight se torna uma obra muito mais para fãs do Morcego do que para quem busca uma boa leitura. Nesse quesito “adaptação da história”, acho que os livros da Marvel vem compensando mais.

Nota: 2,7/5 pra história e 4,9/5 pra qualidade

Review #64 – Batman: O Que Aconteceu Ao Cavaleiro das Trevas?

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Quarta-feira chegando e, como vocês já sabem, continuo sem internet por estar de férias no serviço. Felizmente, as vezes visito algumas pessoas que possuem internet e sempre tiro alguns minutos para preparar alguns posts.

Batman: O Que Aconteceu ao Cavaleiro das Trevas? é uma obra que estava namorando a muito, porém está esgotada em quase todas as lojas onlines, porém dei sorte algumas semanas atrás e achei um volume escondido na loja física da Fnac em Porto Alegre.

A obra foi escrita por Neil Gaiman, criador do lendário Sandman e de Coraline, com arte de Andy Kubert.

Antes de começar a história, temos uma abertura em que Gaiman fala um pouco sobre como a obra foi criada. É muito interessante. O Que Aconteceu Ao Cavaleiro das Trevas? é o final de uma fase do Batman, após essa história o herói foi “resetado” e suas histórias voltaram ao 1.batman_o_que_aconteceu_ao_cavaleiro_das_1364772240b

Gaiman já estava afastado dos quadrinhos quando recebeu o convite de “encerrar” Batman, e como o próprio Gaiman fala: “Batman é Batman”. É incrível perceber pelas palavras dele o quanto ele idolatra o personagem, o quanto o homem morcego é importante para ele. O cara é o criador de Sandman, considerada por muitos a melhor HQ da história, e mesmo assim ele fala de Batman como uma criança de 5 anos fala do Papai Noel.

Na história, temos o velório do Batman. Todos estão presentes, desde Alfred até o Coringa, passando pela Mulher Gato e o Superman. Cada um tem sua própria versão sobre o que aconteceu com o Batman, de como ele morreu. Algumas parecem verdadeiras como do Coringa e do Superman, algumas são exageradas e forçadas como a do Alfred, porém em nenhum momento descobrimos qual a verdadeira.

E mais uma pessoa parece querer descobrir como ele morreu: o próprio Batman. Acompanhamos a história pelo ponto de vista do morcego, que assiste ao próprio velório de fora, incapaz de compreender o que está acontecendo. Existe uma segunda pessoa junto com Bruce Wayne, porém nem ele e nem os leitores conseguem enxergar essa pessoa (não até o final).

As histórias contadas são bacanas, todas nos fazem pensar que sim, aquele seria um incrível final para o homem morcego. Morrer baleado nos braços de Selina Kyle? Descobrir no último instante que a verdadeira identidade do Coringa era ninguém menos que Alfred? Apanhado em uma armadilha cruel do palhaço do crime? Se sacrificar para tentar salvar Gotham?

Algumas delas são emocionantes, como quando vemos o Coringa triste pois a morte do Batman não era engraçada como ele esperava, ou quando o Superman diz em sua história que não queria deixar Batman voltar para Gotham pois sabia que ele morreria. O sentimento de dor e perda de cada personagem é facilmente sentido pelo leitor, e nos pegamos pensando em como seria um mundo sem a justiça de Batman para proteger todos.

A arte de Kubert é uma homenagem ao melhor do Batman. Cada quadro carrega um pouco de da história do morcego escondida em si. Tem uma sequencia de quadros em que o Batman utiliza vários uniformes e que se o leitor não está prestando atenção acaba passando (eu mesmo só notei na releitura).

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Ao final do volume, temos mais 3 histórias especiais. Na primeira vemos uma “comédia” em que as histórias em quadrinhos são como programas de televisão e tanto o Batman quanto o Coringa são atores, com direito a ambos ensaiarem suas falas antes de “entrarem em cena”. As outras duas mostram o passado de dois vilões: Hera Venenosa e Charada.

É uma HQ muito boa para se ter na estante, obrigatória se você for fã do Cavaleiro das Trevas. Infelizmente ela está esgotada em maior parte das lojas, mas ainda é possível encontrar na Fnac e na Comix pelo preço de capa, R$ 23,90.

Nota: 4,8 / 5

Review #62 – Injustiça: Deuses Entre Nós – Ano Um

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Quarta-feira chegando e hoje com uma excelente sugestão de compra para essa Black Friday.

Injustice: Gods Among Us começou inicialmente como o jogo de vídeo game em que o jogador utiliza todos os personagens da DC em batalhas. A recepção foi tão grande, que a DC resolveu lançar a história em versão HQ em modo digital e após reunir alguns capítulos a editora lança em encadernado, atualmente, a versão HQ já está em seu quarto ou quinto ano.

No Brasil, a Panini trouxe a obra em 2014 com a tradução literal do título: Injustiça: Deuses Entre Nós. Aqui a editora reuniu vários volumes em um, de modo que cada ano tenha apenas dois volumes. Para exemplificar melhor como isso ficou, a primeira edição compilava ao todo 6 volumes da versão americana. Atualmente a obra teve lançado no Brasil o seu sexto volume, que corresponde ao final do terceiro ano americano.

Entretanto, os volumes do primeiro ano estavam esgotados em todas as lojas, o que fazia muitas pessoas desistirem da coleção. Mas em julho veio a boa noticia para todos, a Panini anunciou o relançamento de Injustiça, dessa vez em versão definitiva e capa dura, onde cada volume corresponde por um ano inteiro da americana.

Em Injustice temos uma das histórias mais interessantes que eu já li da DC. Aqui, o Superman estava casado com a Lois e ela está grávida. Tudo está lindo e feliz, até que o Coringa decide sacanear o Superman, e num plano bem elaborado ele não apenas destrói toda Metrópolis, como também faz com o homem de aço mate Lois com suas próprias mãos.injustica

Após essa tragédia, vemos um Superman surtado e louco. Ele decide que o mundo não terá mais nenhum tipo conflito, nenhuma guerra ou batalha será tolerada nesse mundo onde ele governará em busca de paz. Isso cria uma divisão na Liga da Justiça, os maiores heróis como Mulher Maravilha, Flash, Lanterna Verde e Ciborgue ficam ao lado do Superman nessa busca pelo mundo de paz, enquanto outros personagens como Batman, Arqueiro Verde e Canário Negro não acreditam nesse ideal e consideram isso apenas uma nova ditadura do medo.

O único problema é: quem será capaz de dizer ao homem mais poderoso do universo que ele está errado?

Já comentei com várias pessoas aqui que (para mim) Injustiça seria o Guerra Civil da DC no quesito “heróis vs heróis”, porém um pouco mais sério e pesado. Não vou entrar naquele debate de “mimimi DC é mais sombria”, pois Guerra Civil também tem seus momentos de tensão, só que a primeira vista as tudo tem consequências mais pesadas em Injustiça.

Só de morte de heróis/vilões, acho que podemos por cima contar umas 4 ou 5, e alguns são personagens realmente fortes e alguns personagens são teoricamente do primeiro escalão da DC (não vou dizer quem pra não dar spoiler).

Se na Marvel o motivo da batalha era “apenas” que os heróis deveriam revelar suas identidades, a DC foi mais fundo e usou como motivo uma coisa “banal” como o controle do planeta pelos heróis. E é interessante ver como nesse primeiro volume tudo foi se desenvolvendo de maneira a não parecer forçada, principalmente quando vemos as coisas pelo ponto do Flash.

Muitas cenas são geniais e mostram toda a reflexão e debate de tudo que está acontecendo. Tem duas que eu gosto muito e queria destacar:

Na primeira o Superman convida o Flash para uma partida de xadrez em supervelocidade enquanto ambos discutem os rumos do mundo. Tem um jogo de palavras fantástico, no começo o Superman vai expondo duas opiniões e ao mesmo tempo vai vencendo as partidas, então cada frase ele termina com um “xeque mate”, que pode ser tanto para o xadrez quanto para o que eles falavam. Só que conforme o Flash vai respondendo, a situação no jogo também muda, ao ponto que no final é só o Velocista quem fala e suas frases terminam com o “xeque mate”, e a última partida o Superman desiste, mostrando que ele perdeu todos seus argumentos.

A segunda cena que eu gosto muito também envolve ambos personagens. Nessa cena o planeta está sendo invadido, e o Superman cansou dessa história de sempre expulsar os inimigos e depois eles voltarem, porém o lado humano dele não permite que ele mate, pois isso é errado. Como o Flash é obviamente o único capaz de pensar na mesma velocidade do Superman, é sempre para ele que o Homem de Aço corre na hora de conversar. Eles debatem o que é certo e errado, até que o Flash olha para o Super e diz “Você já decidiu, só veio aqui para eu te dar a permissão, só que eu não posso fazer isso!”.

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[SPOILER] Quando o Superman toma sua decisão e mata todos os inimigos, é interessante ver todas as reações daquilo. Alguns comemoram, pois finalmente estavam salvos de verdade e sem precisar se preocupar com uma nova invasão. Outros ficam ainda mais assustados, pois para eles, o Superman perdeu o aquilo que lhe deixava humano, sua misericórdia. [FIM DO SPOILER]

Esse contraste entre os dois pontos de vista volta a despertar o debate: será que isso realmente é o certo? Será que o Superman e o resto da Liga não estão exagerando? O mundo está mais seguro mesmo ou só está com medo?

O mais legal sobre Injustiça é que ele não é apenas um “Batman vs Superman”, não, ele é sobre como até mesmo o mais forte dos homens pode se perder quando tem tudo que ama arrancado dele.

Eu gosto muito do traço da HQ, por ter sido feita para internet e se basear no jogo, ele é um pouco diferente do tradicional das revistas, e talvez isso ajude ainda mais. Casa muito bem com a história, tanto nas cenas de tensão quanto nas de comédia.

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Sobre o trabalho da Panini nessa edição definitiva nem tem muito o que se comentar. A edição tem 416 páginas, então vocês já imaginam o tamanho da criança. Acho que um ponto negativo é a lombada que ficou levemente maior do que o miolo, isso é algo que acontece com certa frequência nas capas duras, meu Piada Mortal é assim (embora ele tem só 68 páginas) e em Injustiça fica mais visível.

Nota: 4,2 / 5

Vamos ao ponto ruim (não negativo, apenas ruim) de Injustiça: o seu preço.

Bom pessoal, é uma edição definitiva, com capa dura e fucking 416 páginas, e mesmo não sendo da JBC o preço com certeza é alto: R$ 99,00.

Nossa Haag, você gastou 100 temers golpistas numa HQ?“, é claro que não, para isso existem promoções. Eu comprei o meu na Amazon em outubro e paguei R$ 53,90, acabei de abrir o site da Amazon para conferir novamente e o preço continua igual, mesmo depois do fim da Black Friday ele não subiu.

E ai voltamos naquilo que eu sempre digo: é claro que é salgado e pesado, não vou mentir que não seja. Porém ele vale o valor, ainda mais com esse super desconto de quase 50%.

Para quem pode comprar, ou tem uma graninha a mais com o décimo que entrou, Injustiça é uma boa pedida de compra.