Review #68 – Kuroko no Basket

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Boa quarta-feira para vocês leitores deste blog, como estão? Esse post era pra ter saído ontem, mas com tanta correria no serviço, não consegui terminar a tempo. Hoje vamos falar de um dos mais “queridinhos” pelo público nos últimos tempos.
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Kuroko no Basket, obra de Tadatoshi Fujimaki e que foi publicada entre 2008 e 2014 nas páginas da Shonen Jump, sendo encerrada com um total de 275 capítulos em 30 volumes. No Japão a obra fez tanto sucesso, que não apenas enfrentou em alguns momentos One Piece e Naruto pelas primeiras colocações, como também recebeu uma animação com 3 temporadas, além de spin-offs em mangá e novels.

No Brasil ela chegou em 2014 pela Panini, e entre problemas com assinaturas e reimpressões, a obra chegou ao final agora em dezembro de 2016.

Ao longo desses quase dois anos em que reativei o blog, KnB ganhou três CoV e uma das coisas que comentei em todos os posts era a facilidade em se ler a obra. Kuroko não tem mistérios e nem filosofias que nos façam pensar, é puramente um jogo atrás do outro. É muito rápido, eu li os últimos 5 volumes em uma tarde.

Um dos motivos para essa facilidade na leitura é aquilo que eu sempre digo: Kuroko não é um mangá de esportes. “Bebeu Haag? Tem até Basket no nome” Eu sei disso, e é justamente por isso que falo que ele é um mangá com esporte, e não de esportes.

O esporte aqui não é algo determinante da obra, ele é apenas o “pano de fundo”. Um exemplo para explicar melhor isso é pegar Toriko, por mais que tenha toda a questão das comidas, Toriko não é um mangá de gastronomia como Shokugeki. É a mesma coisa em KnB, por mais que ele tenha o basquete como ponto de base, ele não é um mangá que dependa do basquete para desenvolver sua trama. Ele é o clássico battle shonen, enquanto One Piece é a batalha dos piratas, Naruto é batalha dos ninjas e Bleach é a batalha de qualquer coisa, em Kuroko nós temos a batalha dos jogadores.KUROKO_NO_BASKET_A12_1435580916512924SK1435580916B

Ah Haag, mas todo mangá de esporte é uma batalha de jogadores“. Sim, mas ai entra o segundo ponto da diferença entre “com e de”: o fantasioso. A Geração dos Milagres é algo impossível, o olho do Akashi e a cópia do Kise, cada lance deles é como quando o Luffy grita “gomu-gomu-no” ou o Goku solta Kame-hame-ha, tem nome e grito, tem efeito.

Agora pega Haikyuu! por exemplo, por melhor que o “rei” (nunca sei o nome dele) saque, ali não tem um nome de golpe ou um grito especial. Por mais que Kageyama e o Hinata usem o ataque rápido deles, aquilo é apenas uma jogada normal, não é algo “fora do comum”. Mesmo os melhores jogadores da obra, como o rei e o Ushijima, são apenas ótimos jogadores, com potencial para vivarem profissionais e jogarem na seleção, não são milagrosos ou que nunca erram.

Essa é a diferença entre um mangá de esporte, como Slam Dunk, Haikyuu! e Days, e um mangá com esportes, como Kuroko, Prince of Tennis e Super Onze.

Mas isso não é algo negativo para a obra, longe disso. Não é por ele não ter a seriedade de Slam Dunk que isso o torna uma obra ruim. A impressão que tive é que o autor sentiu qual seria o caminho do sucesso dele e seguiu de modo muito bom, a história evolui bem, não se torna cansativa e convence o leitor. Os volumes prendem e nos dão vontade de ver mais, independente daquelas jogadas fazerem ou não sentido, assim assim Kuroko nos convence.
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Um ponto realmente negativo em Kuroko são os personagens. Alguns são cativantes não vou negar, porém maioria é um pouco mais do mesmo, principalmente os da Geração Milagrosa. Algo que me irrita muito em obras shonens é clichê do “vilão redimido”. Em alguns casos ele serve, mas no geral é muito chato. Em Kuroko temos 5 vilões redimidos.

Ok, o Kise sempre foi gente boa, Aomine e o Midorima nós vemos no flashback que também eram. Porém nos casos do Murasakibara e do Akashi fica forçado esse negócio de “perdi e agora entendi o sentido da vida”, pois não combina com nada do que eles já tinham feito antes, não ficou natural.

A arte de Kuroko evoluiu bastante ao longo dos volumes, não se tornou nenhuma maravilha, mas pelo menos deixou de ser a coisa bizarra que era no começo. Algo interessante de olhas são as capas de KnB, depois da 12 ele dá uma melhorada bem interessante, tendo até capas que estão entre as minhas favoritas da estante, como as 16, 24 e 29.

Sinceramente, Kuroko No Basket é uma série bem estável. Ele não oscila demais entre grandes e péssimos momentos, não, ele fica apenas na sua zona de conforto, sem arriscar muito além do que dá certo. Um dos maiores acertos foi ter encerrado a obra, mesmo que ela viesse bem nas vendas e tal, o momento escolhido foi muito bom. Poderia ter mostrado mais uma temporada, poderia ter feito revanches e grandes jogos? Sim, mas seria apenas se repetir e cansar o leitor. Todos os personagens atingiram seu auge na obra, forçar novos adversários ou tentar tornar os antigos mais fortes ainda seria cansativo.kuroko_no_basket_a30_1485062504646927sk1485062504b

A obra cumpriu sua meta, eles superaram pelo menos uma vez todos os membros da Geração Milagrosa. Não foram extremante melhores que a GM, isso o autor manteve a coerência, pois seria impossível que eles fossem completamente superiores aos gênios. Eles foram combativos e mostraram que milagres acontecem. Se eles repetiriam? Ai fica do leitor imaginar, mas eu duvido.

Provavelmente veremos Extra Game ainda esse ano, arrisco dizer que é um dos 3 anúncios da Panini ainda para o primeiro semestre. Eu irei comprar se vier.

Como disse em todos os CoV’s e agora nessa Review, Kuroko no Basket não é uma obra brilhante, mas é uma obra boa e divertida. É fácil de ler e acompanhar, tem seus momentos empolgantes e seus momentos de reflexão. É o tipo de mangá que mostra que não precisar ser “lendário” para ser bom, só precisa fazer o simples bem feito.

E isso Kuroko fez.

Nota: 4 / 5

Comentando o Volume #91 – Nura vol. 01

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Quinta-feira chuvosa em Porto Alegre e hoje eu trago mais um CoV de volume 1, dessa vez falando da série que ganhei do Mugi semana passada: Nura: A Ascensão do Clã das Sombras.

Nurarihyon no Mago é uma obra de Hiroshi Shiibashi e foi publicada nas páginas da Shonen Jump entre 2008 e outubro de 2012, quando foi transferida para a Jump Next para a publicação de seus últimos capítulos, sendo finalizada em fevereiro de 2013. Ao todo, rendeu 210 capítulos e 12 extras, compilados em 25 volumes encadernados.

No Brasil, chegou no final de 2012 pela JBC com o título de Nura: A Ascensão do Clã das Sombras, e foi finalizado em outubro de 2014.

A obra conta a história de Rikuo Nura, um garoto humano que é na verdade neto de Nurarihyon, o grande líder dos youkais. Embora seu avô e alguns youkais desejem que Rikuo se torne o terceiro chefe da família, o garoto não pensa da mesma forma e apenas quer viver uma vida normal, o que desagrada alguns membros do clã que buscam o poder para si. Mas o garoto também tem 1/4 de sangue youkai e isso lhe trás um incrível poder.

Admito que esperava pouco do mangá, até por isso não tinha comprado antes, porém o que encontrei nesse primeiro volume foi uma obra interessante e que dá vontade de ler.

Ela não foge muito do “padrão Jump”, com um protagonista infantil, mas extremamente forte quando necessário. As cenas de batalha são boas e prendem a atenção do leitor, usar os youkais como tema é um recurso muito interessante, pois dá uma boa variedade de personagens e poderes diferentes.

Só que assim como isso torna ela ampla, também torna um pouco confusa, e acho que a escolha das palavras na tradução também não ajudou muito pois diversas me senti perdido sem entender bolhufas e tendo sempre que reler alguns trechos.

Não sei muito bem o que esperar da trama. Como eu disse antes, toda essa questão dos youkais é boa e o protagonista convence, principalmente em sua transformação, que é do tipo que anima o leitor.

Mas ao mesmo tempo fico meio cético com o rumo que a obra vai tomar, tenho medo de que fique apenas nesse negócio de “novo vilão que quer comando da família” e momentos esporádicos em que o protagonista mostra seu poder.

A arte é boa, tem seus altos e baixos como qualquer volume 1, mas acredito que deva evoluir ao longo da série, ao menos potencial para isso tem.

O fato é que o primeiro volume de Nura foi muito positivo no que se refere a potencial, ele consegue mostrar o que esperar da obra, ao mesmo tempo que nos dá vontade de ler os próximos volumes.

Ao menos por esse volume, Nura conseguiu me conquistar.