Review #69 – Harry Potter e a Criança Amaldiçoada

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Quarta-feira chegando e hoje eu trago mais um livro, um que foi aguardado durante quase 10 longos anos pelos fãs. O oitavo livro do maior bruxo de todos os tempos: Harry Potter e a Criança Amaldiçoada. E se preparem para alguns spoilers.

Se você não esteve vivendo numa caverna nos últimos 20 anos, eu tenho certeza que conhece a franquia do jovem bruxo, seja pelos sete livros ou pelos 9 filmes.

Ao longo de anos acompanhamos a vida escolar do “Garoto Que Sobreviveu” e sua luta contra Lord Voldemort, até o grande desfecho em 2007 com o livro Harry Potter e as Relíquias da Morte. Bom, no final daquele livro temos um “time skip” de 19 anos e vemos Harry levando seus filhos para embarcarem no trem em direção à escola de magia.

Em 2015 foi anunciada uma peça teatral canônica e que teria sua história contada exatamente após o final do sétimo livro, com direito a uma repetição das últimas páginas. Esse anúncio causou tanta comoção no público, tanta comoção que a autora resolveu publicar o roteiro da peça no oitavo livro da série.

O livro chegou no final do ano passado e ano passado foi lançado pela Rocco (detentora dos direitos da franquia) em dois formatos: capa normal e capa dura. A minha edição é a capa dura, então quando for falar da qualidade, irei comentar a minha versão.9781338099133_1469728936601538sk1469728936b

Quem leu sobre a obra em outros blogs e sites, deve ter visto que o pessoal anda bem dividido em 8 e 80, ou você ama a obra ou você odeia. Eu vou tentar ser o mais imparcial possível na minha analise e começar dizendo que é um ótimo livro, com alguns furos e pontos fracos, mas realmente muito bom.

Ela acompanha os primeiros anos de Alvo Potter, o segundo filho de Harry, que surpreende todos ao não ser escolhido para a Grifinória e sim para Sonserina. Se isso não fosse suficiente, seu melhor amigo é ninguém menos que Escórpio Malfoy, o filho de Draco e de quem rola um boato sobre ser na verdade filho de Voldemort.

O livro não narra exatamente o primeiro ano do garoto na escola, ele tem no começo alguns flashes dos três primeiros anos, que nos ajudam a entender como os conflitos e brigas se desenvolveram, e é do quarto ano em diante que a história realmente começa.

Os leitores mais chatos reclamam que a obra não se parece em nada com os outros livros, pois não vemos aquelas aventuras que tinha nos demais e Harry e seus amigos quase não “agem”.

Bom, vamos começar que nesse livros Harry, Rony e Hermione são quase quarentões, com seus empregos no ministério e questões “de adultos” para resolver. A verdadeira ação fica, assim como nos outros livros, com as crianças, com Alvo e Escórpio. E se pensarem bem, sempre foi assim, nos outros livros nós não víamos os adultos agindo, sempre foram as crianças.

Um segundo ponto e que muita gente ignorou em suas analises: antes de ser um livro, essa história era uma peça de teatro, e não é uma peça infantil. A trama não é aventura para conquistar adolescentes, ela até tem um pouco disso, porém o ponto forte dela é o drama, um debate sobre as relações entre pais e filhos, sobre mentiras e preconceitos.
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O fato de ter um Potter na Sonserina fez muitas pessoas rapidamente associarem o garoto ao Voldemort, fazendo amizade justo com um Malfoy, isso desencadeou ainda mais boatos e preconceitos. Ao mesmo tempo, a relação de Harry com seu filho só piorava, enquanto na escola o garoto era ridicularizado até mesmo por seus irmãos e primos.

Se nos antigos livros de Harry Potter nós não tínhamos um debate tão forte sobre coisas mais cotidianas, esse livro se baseia unicamente nesse pilar, de pegar algo do nosso dia-a-dia e nos fazer refletir sobre ela.

Os personagens são cativantes e possuem embasamento em seus sentimentos, sejam os novos como Alvo e Escórpio (nunca me imaginei gostando de um Malfoy). Os antigos também continuam tento sua graça, eles não são mais crianças, então agora seus conflitos são muito mais adultos, porém isso não tira a graça de ver eles novamente.

Algo que para mim nem mesmo os mais teimosos e “reacionários” podem reclamar são as pequenas “vontades” do público que são realizadas. Agora vou começar alguns spoilers mais “fortes” da trama, então se quiserem, pulem até a próxima linha.


Após descobrirem que o ministério havia descoberto a existência de um vira-tempo, Alvo e Escórpio resolvem ajudar uma garota a salvar Cedrico Diggory, que tinha sido morto por Voldemort no quarto livro.

Porém cada vez que eles voltam ao passado, eles acabam modificando o futuro de alguma forma. Primeiro eles criam um mundo onde Rony e Hermione nunca se casaram e a garota se tornou professora em Hogwarts, depois eles criam uma realidade onde Harry perdeu a guerra e Snape ainda está vivo como a única resistência ao lado de Hermione contra Voldemort.

Essas outras realidades de certa forma trazem alguns pontos de coisas que os leitores sempre quiseram ver, como por exemplo um Snape agindo abertamente contra Voldemort e sendo reconhecido por tudo que fez.

O final do livro nos reserva uma cena ainda mais “pesada” e não menos emocionante. Mas ai já dei spoilers demais e vou parar aqui. 😛


Outra coisa que incomodou muita gente foi a escrita do livro.

Como eu disse antes, o livro é baseado numa peça de teatro e o que nós estamos lendo é puramente o roteiro da peça. Para quem já leu obras assim (como Donnie Darko da Darkside) já tem uma noção de como é.

O livro é apenas de falas. Temos no inicio de cada cena uma breve descrição do cenário onde estamos, e até mesmo entre algumas falas nós vemos algumas descrições de reações dos atores ou o que aconteceria no palco ou ao fundo, porém o grosso mesmo da obra são as falas dos personagens. Vocês podem dar uma olhada nessa foto de como funciona.

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Isso ajuda demais, a leitura flui muito rápido e com a história prendendo, eu devorei o livro em um dia. Pode ser que no futuro seja lançada uma edição mais “livro” realmente, quem sabe? Pra mim não faria diferença, pois essa versão já está ótima.

Sobre a qualidade física, a minha edição é a capa dura, então vou comentar me baseando nela. Essa edição vem com uma sobrecapa emborrachada bem bonita. A capa dura é toda preta com o logo em dourado. O papel é excelente, digno de uma edição de colecionador. O trabalho de tradução está impecável, é possível notar todo o trabalho e dedicação da editora em entregar para os fãs algo de primeira qualidade.

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O livro trás toda a peça, são duas partes e quatro atos. Ao final, ele trás alguns extras, como palavras dos autores e a lista dos atores de cada personagem.

A minha opinião final é que Harry Potter e a Criança Amaldiçoada é um baita livro, sim, ele É TÃO BOM quanto os outros e serve sim como o oitavo livro. Quem não gostou, é muito mais por estar apegado demais na sua adolescência e não quer aceitar que o tempo passou, seja para nós ou para nossos personagens favoritos. Continuação não precisa significar repetição.

Nota: 5 / 5

Quero um nono livro, “nem tô” para as reclamações.

Se Dragon Ball Super tivesse feito algo mais trabalhado como esse Harry Potter fez, aposto que não teria nem metade das criticas que tem por ter tentado manter a mesma pegada de antigamente.